Pular para o conteúdo principal

LIVRE-ARBÍTRIO E MOBILIDADE SOCIAL

 

 

 


Por Marcelo Teixeira

            Ouvi de um motoboy, a quem chamarei de Dario, um depoimento que me sensibilizou. Disse ele, entre triste e revoltado, que não vislumbrava perspectivas de uma vida melhor para ele e família, apesar de trabalhar de sol a sol. A rotina massacrante e cansativa o fazia sair de casa todas as manhãs na esperança de tempos ditosos; no entanto, acabava sempre fazendo o mesmo trabalho para pagar as mesmas contas e seguir sempre no mesmo ritmo, sem expectativa de algo diferente que lhe permitisse voltar a estudar, adquirir a casa própria ou realizar outro sonho que dependesse de juntar algum dinheiro. Uma vida que se limita a cruzar a cidade de motocicleta, fazendo entregas, num périplo que dura aproximadamente 12 horas por dia.  

            Tal depoimento me instigou a pensar de forma mais acurada na questão do livre-arbítrio, tema sobre o qual já vinha querendo escrever há um tempo. Será que o livre-arbítrio desse entregador de comida por aplicativo é tão amplo quanto o de outro homem da mesma faixa etária, porém mais abonado? Dario não teve muitas chances na vida (dinheiro, estudo etc.), caiu na falácia do “ser patrão de si mesmo” e trabalha de domingo a domingo sem qualquer garantia ou amparo social. O aquinhoado, por sua vez, estudou em bons colégios, mora bem, come bem, tem um bom emprego, leva a vida de forma bem mais despreocupada e tem mais autonomia para deliberar sobre a própria vida.

            A definição que encontrei sobre livre-arbítrio na internet é bem interessante. Diz ela: “livre-arbítrio é a capacidade que o ser humano tem de decidir e escolher suas próprias ações por vontade própria sem controle externo total.” Só que, a meu ver, Dario não consegue essa proeza pelo fato de não ter plena autonomia e de haver controle externo (condições sociais, econômicas e políticas), o que limita seu campo de ação. Se houvesse ambos, haveria mobilidade social, à qual o livre-arbítrio acaba se vinculando.

            Mobilidade social é a mudança de posição de um indivíduo ou grupo de indivíduos dentro de uma hierarquia socioeconômica dividida em classes, como a nossa. Ela pode ser ascendente (quando a pessoa melhora de vida e sobe na escala social) ou descendente, quando acontece o contrário. Sim, o contrário ocorre de forma frequente; por exemplo, quando alguém frequenta determinados lugares (clubes, academias de ginástica, cursos particulares e afins) porque pode pagar, mas fica desempregado, não consegue recuperar o patamar financeiro de antes (porque permaneceu sem trabalho/renda ou porque aceitou salário aquém do usual) e é obrigado a abrir mão de malhar, estudar etc. Essa descida implica também na perda de amizades que são feitas quando se frequenta tais locais, o que é lamentável.

            Vários fatores influenciam essa ascensão ou queda. Entre eles, educação, tida como principal caminho para a mobilidade ascendente, já que quem estuda tem mais possibilidades de trabalho bem-remunerado. Gênero etnia e idade também influenciam, pois podem abrir ou fechar portas, dependendo dos valores ausentes ou presentes no meio social. Outro item que pesa bastante, segundo estudiosos da área, é a injustiça social. Quanto maior ela for, menores serão as chances de mobilidade, como exemplifica a já citada rotina do motoboy, que não teve muita chance de acesso ao conhecimento e é obrigado a se virar como pode. E como estamos num país que ainda enfrenta sérias desigualdades, a mobilidade social não parece ser das melhores. Tudo isso influi no leque de escolhas que teremos à mão ao longo da vida.

            Em “O livro dos Espíritos”, Allan Kardec se debruça sobre o livre-arbítrio no capítulo destinado à lei de liberdade. Na questão 843, lhe é respondido que, sem o livre-arbítrio, “o homem seria máquina”. Decerto não somos máquinas, mas seres dotados de razão e liberdade de escolha.             No entanto, a sociedade capitalista e desigual na qual estamos inseridos leva muitas pessoas a não terem acesso a bens e serviços localizados nas camadas superiores da pirâmide social e a exercerem funções repetitivas, sem perspectiva e que muitas vezes passam de geração em geração. Por isso, muita gente cai no círculo vicioso da desesperança mesclada a funções mecânicas, que transformam a vida numa engrenagem de um movimento só. É o que acontece com Dario.

            No livro “Como o racismo criou o Brasil”, o sociólogo Jessé Souza chama atenção para a questão de como o livre-arbítrio começa a ser tolhido (ou expandido) já em tenra idade e nos bancos escolares. Jessé observa que famílias de classe média geralmente transmitem várias aptidões às novas gerações, como o hábito da leitura e o gosto por aprender outros idiomas. Já com o pessoal menos favorecido (negros, em geral), será diferente. Por mais carinhosa e estruturada seja a família, o filho tenderá a brincar com as ferramentas de trabalho do pai (carrinho de mão, chave de grifo etc.) e aprenderá brincando a ser um trabalhador manual.            Quando os pais disserem que ele precisa ir para a escola (pública e geralmente precária) para tentar sair da vida de poucos recursos e ser mais qualificado, esse menino estará propenso a não acreditar. Afinal, se não adiantou para a mãe e o pai, por que adiantará para ele? Assim, as crianças de famílias de melhores condições financeiras já chegarão à escola como vencedoras, o que nem sempre acontece com as crianças de baixa renda. Para completar, enquanto a escola particular é cheia de estímulos, a pública tenderá a ser cheia de limitações. Mais adiante, enquanto muitos jovens da base da pirâmide social terão de estudar à noite (ou largar a escola) para trabalhar e ajudar em casa, os de melhor renda continuarão sendo bancados pelos pais. Essa transmissão de valores, segundo Jessé, é o que “verdadeiramente define uma classe social”. Ouso dizer que ela também irá limitar ou expandir a mobilidade social e interferir no livre-arbítrio, já que sempre fazemos escolhas e tomamos decisões baseados no que temos disponível em matéria de conhecimento, visão de mundo e valores transmitidos. O livre-arbítrio, portanto, está atrelado à mobilidade social.

            Volto a “O livro dos Espíritos”, desta vez na questão 850. Nela, Kardec indaga se a condição social não constitui, às vezes, obstáculo à inteira liberdade dos atos dos seres humanos. A resposta requer uma análise cuidadosa e é a seguinte: “É fora de dúvida que o mundo tem suas exigências. Deus é justo e tudo leva em conta. Deixa-vos, entretanto, a responsabilidade pelo pouco esforço que fizerdes para vencer os obstáculos”.

            Em primeiro lugar, tenhamos em mente que, à época da publicação de “O livro dos Espíritos”, ciências como a economia não eram tão avançadas como nos dias de hoje. E a sociologia nem havia sido elaborada ainda. Kardec utilizou o que estava ao alcance. Por isso, embora concordemos que Deus é justo e leva tudo em conta e que o mundo tem suas exigências, nem sempre tais exigências se encontram em consonância com o amor ao próximo, a justiça, a caridade, o direito ao repouso… Assim, obstáculos como injustiça social, educação precária e exploração da mão-de-obra podem ser bem difíceis de ser vencidos e tampouco devem ser debitados na conta do pouco esforço de quem é vítima da baixa mobilidade social. Mas como            Deus leva tudo em conta, decerto pesa na balança dos dias atuais os tropeços dessa caótica sociedade capitalista e neoliberal que nos tem sido imposta.

            A respeito de livre-arbítrio como Kardec o enxergava, mobilidade social e descaminhos do mundo atual, o escritor e amigo Elias Moraes tece considerações muito oportunas no livro “O que é o espiritismo hoje”. Ressalta Elias que Kardec acreditava que todos os seres humanos eram livres para fazer escolhas e tomar decisões. Só que os estudos sociológicos, mais adiante, demostraram que o comportamento das pessoas é vinculado a fatores como local de nascimento, classe social, história de vida etc., o que interfere em nossa liberdade de ação. Elias prossegue: “Não é por escolha pessoal que uma mulher que mora na periferia de uma grande cidade, abandonada pelo marido e mãe de duas crianças, acorda todos os dias antes das 5h para organizar tudo de que necessita para deixar os filhos na creche e na escola e depois ir para o trabalho, de onde só retornará à noite, já pressionada pelos cuidados da casa e dos filhos. A grande maioria das decisões que essa mulher terá que tomar não serão guiadas, como às vezes se afirma, pelo seu livre-arbítrio; ao contrário, ela terá que decidir quase sempre pressionada pela necessidade de sobrevivência sua e de seus filhos”.

            Será, então, que o livre-arbítrio é uma falácia? Seguramente não. Apesar de um mundo ainda desigual e suas imposições que limitam o campo de ação e a capacidade de discernimento e escolha de muitos, todos temos liberdade para tomarmos decisões, sejam elas simples ou complexas. Afinal, como Elias Moraes também evidencia, “o fato de sermos espíritos conscientes da nossa existência nos possibilita alguma margem de autonomia, mesmo nas situações mais adversas”. No entanto, quanto mais tivermos consciência de nós mesmos e do mundo que estamos habitando, mais lúcidos e críticos seremos e mais ensejo teremos de expandir nossa liberdade de ação e escolha. Em contrapartida, se não tivermos oportunidade de acessarmos cultura e educação libertadora, por exemplo, maiores serão nossas chances de termos horizontes limitados.

            Gosto muito do que o escritor Martins Peralva argumenta no livro “Estudando o Evangelho”. Diz ele que o livre-arbítrio vai se expandindo à medida que crescemos em espiritualidade. O que isso significa, segundo ele? Termos cada vez mais direito de fazermos escolhas e assumirmos, pouco a pouco, as rédeas definitivas de nossa própria evolução. E, convenhamos, em um mundo em que educação de qualidade e emancipadora ainda é um luxo e onde fanatismo religioso e manipulação de informação proliferam, nem todos os homens e mulheres conseguem a proeza de serem artífices do próprio destino.

            Peralva, então, se vale da bela frase “Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres”, do Evangelho de João, cap. 8, versículos 32 a 36 e mostra que, quando todos os seres humanos tiverem consciência de que a vida é uma jornada espiritual na qual devemos trabalhar incessantemente para que sejam instauradas a justiça, o progresso, a harmonia social e a fraternidade, teremos plena liberdade de ação. Quando o nosso esforço coletivo resultar em prosperidade ampla, geral e irrestrita, fortalecimento das instituições e laços de amor que unirão todas as coletividades, teremos conhecido a verdade e estaremos livres da ganância, do orgulho, do egoísmo e também das injunções de quem pensa que manda na vida dos outros e se julga dono do planeta. Livres, enfim, para ações cada vez mais grandiosas, seja em nosso benefício ou para o bem-estar geral de todos os seres.

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. ATLAS DA MOBILIDADE SOCIAL NO BRASIL – disponível em www.atlasmobilidadesocial.org.br.
  2. CONCEITO DE LIVRE-ARBÍTRIO – Disponível em www.conceito.de.
  3. KARDEC, Allan – O livro dos Espíritos, 60ª edição, 1984, Federação Espírita Brasileira (FEB), Brasília, DF.
  4. MOBILIDADE SOCIAL: O QUE É, TIPOS, IMPORTÂNCIA – disponível em www.brasilescola.uol.com.br.
  5. MORAES, Elias – O que é o espiritismo hoje. 1ª edição, 2025, Editora Kelps, Goiânia, GO.
  6. PERALVA, Martins – Estudando o Evangelho. 5ª edição, 1987, Federação Espírita Brasileira (FEB), Brasília, DF.
  7. SOUZA, Jessé – Como o racismo criou o Brasil, 1ª edição, 2021, Estação Brasil, Rio de Janeiro, RJ.

 

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA SOCIAL - IA (GEMINI)
    O artigo propõe uma reflexão profunda e humanizada ao confrontar o conceito filosófico e doutrinário do livre-arbítrio com a realidade concreta da desigualdade socioeconômica no Brasil.

    A partir do relato do entregador "Dario", o texto articula com clareza como fatores estruturais — como a falta de mobilidade social, a precarização do trabalho e o acesso desigual à educação de qualidade — impõem severos limites ao leque de escolhas reais de um indivíduo.

    O grande mérito do texto reside em sua capacidade de dialogar com a literatura espírita clássica sem cair no dogmatismo. Ao cotejar as respostas contidas em O Livro dos Espíritos com contribuições da sociologia contemporânea (como a análise de Jessé Souza sobre o racismo estrutural e a reprodução de classe), o autor atualiza o debate. Ele evita a armadilha do discurso meritocrático simplista — que muitas vezes responsabiliza a vítima por sua condição ("pouco esforço") — ao contextualizar as barreiras impostas por um sistema neoliberal e desigual.

    Por fim, o comentário converge de forma equilibrada para uma perspectiva de esperança emancipatória: sem negar a margem fundamental de autonomia da consciência humana, conclui que o livre-arbítrio em sua plenitude só se realiza à medida que o conhecimento, a justiça social e a fraternidade ampliam as possibilidades reais de escolha para todos os estratos da sociedade.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

DIVERSIDADE NÃO JUSTIFICA DESIGUALDADE

  Por Alexandre Júnior                A justiça não se estabelece por si só. É necessário que a façamos. Quando nos negamos a combater, debater, encarar, perceber e estudar as desigualdades sociais, menos estaremos aptos a produzir, de forma consciente e politicamente, ações de enfrentamento às injustiças, bem como posturas afirmativas de produção de igualdade e justiça social. Em que pese a insistência nefasta de toda uma estrutura social hegemônica, que, de forma opressora, transforma diversidade em desigualdade.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

REFORMAR OU TRANSFORMAR? REFORMA ÍNTIMA OU TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL?

        Por Marcelo Henrique   O conjunto de elementos que impregnam o conceito de “reforma íntima” repete muitos chavões de culturas e abordagens não espíritas, pertencentes a ideologias religiosas em que há a “obrigação” de seguir certas prescrições, sob pena de… É a cultura do temor, do medo e da culpa. *** Alguns conceitos são entronizados e se enraízam de tal modo em Filosofias que é difícil, depois, retirá-los ou entendê-los na sua real essência. No caso do Espiritismo, eles surgem a partir de alguma declaração – seja de um encarnado, médium ou dirigente, seja de um desencarnado – e vão ficando, ficando… Passam a ser retórica tradicional e, não raro, viram “figurinha fácil” no álbum das condutas humanas. Falemos, pois, de uma delas: a decantada reforma íntima. Onde surgiu? Quem foi o primeiro a mencionar? Em que contexto foi dito? Qual era o alcance? Que objetivos se tinha? Qual a relação deste conceito com o Espiritismo?

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

REFLEXÕES PARA O ANO QUE SE ANUNCIA...

  Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens. Se fazendo irmão e estendendo a mão... Venha, já é hora de acender a chama da vida e fazer a Terra inteira feliz! (A Paz. Homenagem a Paulinho/Roupa Nova)   É bem comum, a cada final de ano, pensarmos sobre o ano que finda e projetarmos expectativas, sonhos e planos para o ano vindouro. Fazer isso é bom! Afinal, pensar sobre o que fizemos, avaliar o que houve de bom e o que precisa ser melhorado pode nos ajudar a depurar nossas ações, para tentarmos ser melhores e, consequentemente, fazer um ano melhor. Santo Agostinho nos ensinou esse exame de consciência. Toda noite, ele passava o dia a limpo, observando seus atos e pensando a melhor maneira de corrigir seus erros e chegar mais perto de Deus.

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...

POR UM MOVIMENTO ESPÍRITA SUBVERSIVO

 “A revolução foi proposta por Kardec, foi ensaiada por esses cientistas (Crookes, Bozzano, Aksakof, Richet, Rochas e outros) mas ainda não foi realizada na civilização ocidental – onde se enraíza – e não foi nem mesmo compreendida pelos espíritas.” (Dora Incontri, “Para Entender Allan Kardec.”) Jesus, no Sermão das Montanhas (representação)             É provável que o leitor esteja intrigado com o título do artigo, pelo uso da palavra subversivo. Não é de se estranhar, até por que é esse o propósito. Entretanto, a etimologia de subversivo, vem do latim ( sub =abaixo) e ( vertere =dar voltas) + ( ivo =efetividade, capacidade). De subverter = verter por baixo; executar atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida; revolucionário.             Se se estudar a semântica histórica ou diacrônica (que estuda as mud...

SEMANA MAURÍCIA

Cap. Maurício - Patrono da CME CAPITÃO MAURÍCIO era o comandante da Legião Tebana. Essa legião era originária do Egito e seus soldados eram todos cristãos. No ano (286 d.C.), o Império Romano convocou a Legião Tebana para debelar a Revolta dos Bagaudos . Era costume do Exército romano, antes de entrar em combate, realizar os “sacrifícios propiciatórios aos deuses pagãos” para sucesso da batalha. Capitão Maurício e toda a sua Legião, por serem cristãos, recusam-se a participarem daqueles rituais. A mentalidade cristã não poderia, naturalmente, coincidir com a pagã. Embora respeitando as leis e sendo leais ao Império, não colocavam a pátria terrena acima de tudo.