Por Doris Gandres
Há séculos e mais séculos vem a humanidade lutando dos mais diferentes modos e por meios os mais diversos por liberdade; no entanto, nem sempre usando as ações mais apropriadas que a pudessem conduzir à tão sonhada liberdade, ainda que somente no aspecto material, terreno...
Mesmo civilizações, nações e países onde muitas vezes, aparentemente, reina a liberdade, sob uma análise e uma observação mais acuradas, encontramos muitas circunstâncias, situações e condições onde vige pressão, opressão, cerceamento, coação e censura. E não podemos falar apenas do ponto de vista geral, social, de cidadania, de direitos humanos etc, mas também de segmentos religiosos e, nesse campo, lamentavelmente, o meio/movimento espírita não está excluído, o que me parece profundamente contraditório quando se tem algum conhecimento espiritista, leitura de algum livro, principalmente do Livro dos Espíritos, particularmente da terceira parte, que Kardec denominou de As Leis Morais. Ali está transcrita a Lei de Liberdade, lei natural que abrange todas as criaturas, eu diria até toda a criação.
Logo de início se percebe que em nenhuma posição existe liberdade absoluta porque “todos necessitamos uns dos outros, os pequenos como os grandes” (1). Nessa declaração nota-se, de uma certa forma, a interdependência com outras leis, como a de igualdade e a de justiça, amor e caridade. Compreende-se logicamente que a liberdade entre pessoas e coletividades é relativa, pois é necessário respeitar-se a liberdade alheia, que ninguém infrinja direitos de uns e outros.
Contudo, existe uma condição em que podemos gozar de liberdade absoluta: é no pensamento e na consciência. “Pelo pensamento temos uma liberdade sem limites” (2), assim como quanto à consciência, que se trata de “um pensamento profundo” (3). Nada pode nos impedir de pensar e muito menos da nossa consciência se manifestar em nosso íntimo. É possível que, de alguma forma, alguém ou mesmo uma instituição ou um poder de qualquer tipo queiram impedir a manifestação da maneira de pensar de uma pessoa ou coletividade de pessoas. Mas será inútil, nada nem ninguém poderá atingir efetivamente o âmago das criaturas. O máximo que poderá acontecer é transformá-las em hipócritas (4), por alguma razão e até mesmo por medo e/ou comodismo e omissão.
Porém, há algum tempo, veem-se espíritas discriminando e até condenando companheiros de ideal em virtude de sua diferença na maneira de pensar, por opções outras, por sua maneira de entender a doutrina espírita, de avaliar os procedimentos discordantes dos princípios doutrinários difundidos em toda literatura kardeciana e demais obras sérias.
No livro Curso Dinâmico de Espiritismo, de José Herculano Pires, Cap.XVII – Ação Espírita na Transformação do Mundo (5), ele destaca que “três são os elementos fundamentais de que o Espiritismo se serve para transformar o nosso mundo num mundo melhor e mais belo: a) Amor; b)Trabalho; c) Solidariedade”. E continua: “O Espiritismo aprofunda o conhecimento da Realidade Universal e não pretende modificar o mundo através de mudanças superficiais de estruturas (...).
Se queremos mudar a Sociedade, não adianta mudar a sua estrutura feita pelos homens, mas modificar os homens que modificam as estruturas sociais (...) Espíritas, em sua maioria, se deixam levar apenas pelo aspecto religioso da doutrina, assim mesmo deformado pela influência de formações religiosas anteriores. Precisamos restabelecer a visão espírita em sua inteireza (...).
Se compreenderem a necessidade urgente de se aprofundarem no conhecimento da doutrina, de maneira a formarem uma sólida e esclarecida convicção espírita, poderão realmente contribuir para a modificação do mundo em que vivemos (...) A pretensão de receber tudo por intuição, receber dos guias a verdade feita, as mistificações aceitas de mão beijada como bênçãos divinas e assim por diante, fizeram do movimento doutrinário um emaranhado de crendices (...).
Cada espírita, ao aceitar e compreender a grandeza da causa doutrinária e sua finalidade suprema – a transformação moral, social, cultural e espiritual de nosso mundo – assume um grave compromisso com a sua própria consciência”.
Fiz intencionalmente uma longa transcrição das recomendações de Herculano Pires, pois certamente muitos não tiveram acesso a esse e talvez outros livros de sua lavra, bem como de outros espíritas estudiosos e dedicados ao esclarecimento e bom entendimento do Espiritismo.
Como destacado inicialmente, a liberdade de pensar e de consciência é individual e pessoal, mas isso não exime, no nosso caso, espíritas que nos pretendemos, de conhecer e refletir a respeito dos princípios que a doutrina por nós eleita espalha com clareza e transparência cristalinas.
Referências: LE Qs. (1) 825 – (2) 833 – (3) 835 – (4) 837 – (5) José Herculano Pires, livro Curso
Dinâmico de Espiritismo, Cap.XVII

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirO artigo propõe uma reflexão crítica e coerente sobre a Lei de Liberdade segundo a Doutrina Espírita, destacando a contradição de existirem posturas intolerantes ou coercitivas dentro do próprio meio espírita.
Ao contrastar a relatividade da liberdade social com o caráter inviolável do pensamento e da consciência humana, o texto utiliza O Livro dos Espíritos e as lições de José Herculano Pires para lembrar que o verdadeiro Espiritismo exige estudo profundo, maturidade e autonomia moral. Trata-se de uma chamada de atenção para que os adeptos evitem o dogmatismo e as crendices, praticando a empatia e o respeito à pluralidade de ideias para cumprirem o papel da doutrina na transformação interior e social.
Muiiiiiito importante, adequado e oportuno
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