Pular para o conteúdo principal

A VELOCIDADE DO TEMPO E DAS ESCOLHAS

 


 Por Dora Gandres

Tem sido muito comum e generalizado o comentário: “meu Deus, como o tempo está passando rápido”; “nossa, já é Natal novamente”; “céus, meu dia não rende mais, não tenho mais tempo pra nada” – e assim por diante. Ouvem-se tais afirmações de pessoas de todas as idades, vivendo nas mais diversas situações, atuando nos mais diversos meios ou simplesmente já em fase de afastamento do que se chama “vida ativa”, isto é, os aposentados; e também daqueles que ainda estão no início de sua nova fase reencarnatória.

Todos que ouvimos notícias, lemos jornais e revistas, assistimos a noticiários, acessamos a internet, temos tido a oportunidade de ler, ver ou ouvir a respeito da “Ressonância Schurmann”, teoria já em estudo por vários cientistas e que demonstra a aceleração da pulsação do Universo, em geral – o que significa, em termos de avaliação desses cientistas, que o tempo, como o conhecemos aqui em nosso planeta, está passando mais rápido; que o dia antes correspondendo, de acordo com o ritmo de pulsação existente até pouco tempo, a 24 horas, hoje se restringe a 16 horas...

Isso nos parece de difícil compreensão, visto que poucos de nós temos o conhecimento necessário de Física e de Física Quântica que possa nos auxiliar a entender essa teoria, praticamente comprovada. Contudo, o que podemos constatar é que efetivamente o tempo parece estar passando muito mais rápido para todo o mundo que conhecemos – todos reclamam dessa “sensação” (ou não será sensação?), sem que se possa definir por que sentimos esse efeito.

A verdade é que se verifica uma “aceleração” na ocorrência dos fatos do nosso entorno e no mundo; é certo também que a mídia hoje é muito mais atuante e invasiva, gerando a impressão de uma proximidade maior entre criaturas e situações de todas as partes do mundo. Isso cria ainda uma monumental carga de informações que nos obriga a trabalhar num processo de assimilação e, quando necessário, de utilização, também muito mais rápida dessas informações.

No início do mês de outubro, dia 02 exatamente, estive em um congresso sobre mediunidade nos dias atuais, em que um companheiro de ideal, André Trigueiro, chamou a atenção para o efeito do excesso de energia consumida sem retorno real para o crescimento espiritual, quando levantou o problema da dispersão da atenção e do foco, originada pelo uso abusivo dos meios de comunicação e entretenimento hoje ao nosso alcance, inclusive ressaltando uma questão digna da maior reflexão de nossa parte: “maior dispersão: armadilha espiritual” – o que pode ser resultado de processo obsessivo ou mesmo anímico.

Citou ainda a advertência de Muniz Sodré, professor doutor titular da Escola de Comunicação da UFRJ: “A multiplicidade dos fatos informativos não resulta no aperfeiçoamento do cidadão”. Nós, espíritas, só podemos concordar com essa afirmativa – não é a teoria que nos promove a elevação espiritual, mas sim o bom uso dessa teoria, se ela for boa, logicamente! Não basta conhecermos de cor toda a Codificação Espírita, em que fulgura a moral do Cristo na vivência das Leis Divinas, se não nos dispusermos, mesmo com dificuldades e percalços, a lutar o “bom combate” ao qual se referia Paulo de Tarso, ou seja, a “envidar todos os esforços para vencer as nossas más inclinações e nos melhorarmos”.

Não se trata obviamente de fechar os olhos e os ouvidos para não tomar conhecimento dos fatos e dados que o progresso científico-cultural nos proporciona, mas de qualificar e não de quantificar as nossas escolhas; de fazer um melhor planejamento das nossas atribuições e compromissos e melhor adequá-los às nossas possibilidades e condições de bem atendê-los; de fazer uso inteligente dessas possibilidades e condições, no sentido de proporcionar oportunidades de crescimento intelectual e moral e, promover assim, a nosso favor e a favor dos que caminham conosco, um avanço mais tranquilo e seguro na estrada evolutiva.

Sabemos que as etapas reencarnatórias são transitórias, que as existências físicas são experiências necessárias à conquista de atributos imperecíveis para o bom relacionamento de criaturas nos dois planos da vida, criaturas imortais e com a eternidade ao seu dispor; assim, cabe-nos a responsabilidade de estabelecer estratégias de procedimentos benéficos, gerindo, da melhor forma possível, as novas situações que o avanço tecnológico, científico e intelectual nos oferece.

Cada vez mais se faz necessário encontrar tempo, apesar do “pouco tempo”, para o autoexame, a autoanálise, o tão conhecido “conhece-te a ti mesmo” – e isso é fruto de reflexão, de meditação, de avaliação criteriosa e sincera de nós mesmos em todos os aspectos; cada vez mais, faz-se necessário “o amar a si mesmo”, tal como o Mestre Jesus nos recomendou: não com egoísmo e orgulho, mas com respeito e carinho para com os “deuses” que somos, “capazes de fazer tudo o que Ele fez e muito mais”, não permitindo que excessos ou carências de qualquer tipo possam retardar indefinidamente a nossa ascensão.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O ESPÍRITO NÃO “REINICIA” SUA EXISTÊNCIA AO DESENCARNAR. ELE PROSSEGUE COMO SUJEITO HISTÓRICO

      Por Wilson Garcia   Quem governa a vida: o encarnado ou os Espíritos? É relativamente comum, no meio espírita — e talvez mais ainda fora dele — a ideia de que os Espíritos acompanham os encarnados de forma permanente, opinando sobre tudo, interferindo em decisões cotidianas e, em certos casos, conduzindo a própria vida humana. Quando escrevi o livro Você e os Espíritos, um amigo sintetizou esse imaginário com ironia: “Parece que quem comanda a vida são os Espíritos, e não o encarnado.” A observação, embora espirituosa, revela um equívoco conceitual recorrente. Ela expressa uma leitura simplificada — e até confortável — da relação entre o mundo espiritual e o mundo material, pois desloca responsabilidades, dilui escolhas individuais e oferece explicações prontas para conflitos pessoais e sociais.

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

A RELIGIÃO DO CAPITAL: O ENRIQUECIMENTO DOS PASTORES E A ESTERILIDADE DA FÉ INSTITUCIONAL.

      Por Jorge Luiz   A “Teocracia do Capital”: A Ascensão das Organizações Religiosas no Brasil Moderno             Os números denunciam. Segundo o Censo de 2022, o Brasil tem mais estabelecimentos religiosos que superam a soma de hospitais e escolas. O número de organizações religiosas criadas por dia no Brasil varia de 17 a 25. Essas mesmas instituições movimentam mais de R$ 21 bilhões por ano, riqueza cujo retorno social institucionalizado é questionável. Esse montante, contudo, carece de um vetor social direto, uma vez que goza de imunidade tributária e não se reverte em investimentos em saúde ou educação. Tamanha pujança econômica permitiu, inclusive, que diversos pastores brasileiros figurassem na revista Forbes como detentores de fortunas bilionárias.             Em contrapartida a isso tudo, o Brasil vive uma anomia moral. Os escândalos de ...

O CALVÁRIO DAS MARIAS: DA RED PILL À INSURREIÇÃO DO ESPÍRITO

      Por Jorge Luiz “Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele.” (Paulo Freire)   A Patologia da Simbiose Promíscua Vídeo que circula nas redes sociais mostra a comandante da Guarda Municipal de Fortaleza reunida com outras mulheres, arguindo que há algo de errado no segmento evangélico. Analisando alguns dados estatísticos, ela concluiu que o número de mulheres agredidas dentro da ambiência do lar é de evangélicas. Essas mulheres, ao buscarem ajuda em suas igrejas, são orientadas pelo pastor a não procurarem advogado ou a polícia, e que devem se submeter ao marido, ganhando-o pelo testemunho. A crise é espiritual; portanto, orem! Essa também é a convicção desse mediano escrevinhador. 

TRÍPLICE ASPECTO: "O TRIÂNGULO DE EMMANUEL"

                Um dos primeiros conceitos que o profitente à fé espírita aprende é o tríplice aspecto do Espiritismo – ciência, filosofia e religião.             Esse conceito não se irá encontrar em nenhuma obra da codificação espírita. O conceito, na realidade, foi ditado pelo Espírito Emannuel, psicografia de Francisco C. Xavier e está na obra Fonte de Paz, em uma mensagem intitulada Sublime Triângulo, que assim se inicia:

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO

Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas. Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.