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DE QUE É FEITA A VIDA, SEGUNDO OS ESPÍRITAS?

 

Por Marcelo Henrique

De que é feita a vida, segundo os espíritas?

Você vive.

Está encarnado.

Seu corpo é material e, portanto, você deixou de habitar, provisoriamente o Plano Espiritual – que os Espíritos

Superiores costumam chamar de “Erraticidade”, ou seja, o lugar dos espíritos errantes (nós), enquanto estivermos nos quadrantes dos níveis evolutivos em que nos encontramos.

Segundo o Espiritismo, há cinco “moradas na Casa do Pai” Que é o Universo:

Mundos primitivos, mundos de provas e expiações, mundos regeneradores ou regenerados, mundos ditosos ou felizes e mundos celestes ou divinos.

Atualmente, nos situamos no segundo degrau desta Escala de Progressão dos Mundos, ou seja, vivenciamos majoritariamente PROVAS e EXPIAÇÕES.

O que seriam tais elementos?

PROVAS

Assim como se concebe na vida escolar de qualquer grau, são os testes, as OPORTUNIDADES em que as nossas capacidades – talentos na dicção de Jesus de Nazaré, em uma de suas célebres parábolas – são experimentadas.

É como dizer-se que o ser individual está ou não apto para prosseguir na senda evolutiva (que o Espiritismo chama de Lei de Progresso – uma das dez Leis Morais que é apresentada na Terceira Parte do livro inicial de Kardec, “O livro dos espíritos” – OLE).

Somos, então, testados todos os dias e, por vezes, em situações similares, para a efetiva demonstração de nossas (novas) aptidões.

Em exemplos bem simples, somos testados em relação à nossa paciência, à perseverança, à tolerância, à educação dos instintos, à amizade, à fraternidade, à humildade, etc.

Como se tratam de valores espirituais que devem ser exercidos em plenitude, os testes não são satisfativos em si mesmos, podendo, de tempos em tempos, situações se apresentarem, novamente, nos nossos caminhos, para ver como está a nossa “resistência” ao “mal”, ou seja, às fraquezas que ainda possuímos.

Neste campo das PROVAS, ainda estão os relacionamentos humanos nas mais distintas frentes de convivência, ou seja, na família, no amor, na sexualidade, na vizinhança, no local de trabalho, na fila do supermercado ou do trânsito, no restaurante, no consultório médico, etc.

E, ainda, o nosso desempenho nas atividades educativas, laborais, sociais em geral.

São o exercício daqueles mesmos valores já citados e outros mais, para o maior despertamento espiritual e para o alcance de posições mais adiantadas na “Escala Espírita”, que é a medição do adiantamento espiritual, segundo a Filosofia Espírita, e pode ser encontrada, também no livro primeiro (OLE), a partir da questão número 100.

EXPIAÇÕES

São comumente traduzidos por resgates.

Esta palavra tem um peso muito grande entre os espíritas e merece ser melhor entendida, com a visão completa, e não apressada, de sua contextura e dos seus aspectos essenciais.

É fato que o Espírito, criado simples e ignorante, como nos disseram as Inteligências Invisíveis, por meio da obra de Kardec, acha-se sujeito a erros.

Os erros geram efeitos e alcançam vários dos interlocutores, companheiros das encarnações anteriores, e da atual, assim como das futuras.

O “mal” causado a outrem, por força de nossas ações (ou omissões) precisará, dizem os Espíritos, ser reparado, recompensado, reestabelecido.

Mas a “contabilidade” de tais equívocos não será feita nos mesmos padrões, como poderia supor aquele que estivesse conhecendo a Doutrina dos Espíritos, ou não tivesse a visão completa dos elementos que constituem as Leis Divinas.

Não se paga o “mal” com o “mal”, ou pelo “mal”.

Em outras palavras, se você prejudicou alguém, por um ato seu, impensado, teimoso, violento, não será através de “sofrer” o mesmo mal, que você estará EXPIANDO a falta cometida.

Os mecanismos específicos da aplicação das EXPIAÇÕES não é, ainda, por nós totalmente compreendido, não tendo os Espíritos Superiores detalhado a forma de composição destes “acertos”.

Mas olhando para a nossa existência e retiradas aquelas circunstâncias em que os reflexos nos são percebidos como consequências de atos que cometemos, vez por outra passamos por situações que, à primeira ótica, não são explicáveis claramente, ou seja, não parecem ter ligação com atitudes nossas.

E neste sentido nos sentimos, inicialmente, como “injustiçados”, como “vítimas”.

É nestas situações de “dissabores”, “decepções”, “contratempos” que a chamada “contabilidade divina” está atuando, recompondo, a partir de situações em que experimentamos derrotas ou efeitos negativos, a nossa condição de equilíbrio.

É claro que, nas EXPIAÇÕES, como também ilustram os Seres Mais Adiantados que responderam a Kardec, haverá o elemento resignação que é a concordância do ser com os “desígnios do Criador”, em linguagem poética, o que nada mais é, na prática, do que a própria concordância e assimilação das Leis Espirituais que alcançam a todos, indistintamente.

Portanto, o ser que “blasfema” contra Deus ou contra os Céus, que se inconforma e se desespera, não aproveita a situação da dificuldade para o seu próprio aprendizado – e nisto reside, fundamentalmente, o objetivo das EXPIAÇÕES.

Resta-nos, por fim, ainda que o texto não seja definitivo e, esperamos, leve a você a outros raciocínios, questionamentos e estudos espíritas, estão as MISSÕES.

Missões São

Generalizadamente, as ocupações dos Espíritos, e todos nós as temos, em maior ou menor grau.

À primeira vista, você pode pensar que MISSÃO seja a do presidente de um país, a de um juiz de direito, a de um presidente de uma instituição filantrópica que atua com sucesso numa determinada cidade, ou o dirigente maior de uma instituição religiosa.

Ou a de um grande cientista, que descobre a cura de uma doença, ou a de um grande pensador que ensina um novo meio de interpretação de teorias e revoluciona algumas práticas em dada sociedade.

Os grandes inventores e filósofos do passado.

Os artistas da música clássica.

Determinados políticos que libertaram os povos da dominação de regimes ou sistemas. E por aí, vai…

Mas as MISSÕES também podem ser em aspecto mais localizado, reduzido e circunscrito a um número menor de pessoas.

O presidente de uma instituição espírita.

O reitor de uma faculdade ou diretor de uma escola pública.

O prefeito da sua cidade.

O promotor de justiça.

Os servidores públicos.

Os trabalhadores de empresas privadas.

O dono da padaria que emprega oito pessoas.

O pai ou a mãe que criam um, dois, quatro filhos.

O avô que zela por seus doze netos.

A tia solteira que ajuda na educação dos sobrinhos.

O voluntário de uma organização não-governamental que trata dos cães abandonados nas ruas…

MISSÕES são, assim, atribuições que alcançam outras pessoas e que podem, se bem desempenhadas, auxiliar os outros para alcançar melhores condições de vida, que passam a conhecer outras realidades, a pensar diferente, a… MUDAR O MUNDO, para melhor!

Olhe para si mesmo… Veja, nos pequenos intervalos do seu cotidiano onde estão as PROVAS, as EXPIAÇÕES e as MISSÕES.

Tente dar o seu melhor, tente ser mais do que já foi, tente não errar tanto, aproveite as OPORTUNIDADES. Pouco a pouco, você, eu, todos os encarnados, vamos seguindo a trilha do progresso.

     E voltaremos outras vezes, em melhores condições de entendimento e prática. Para auxiliar outros mais a também progredirem…

    

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