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HÁ UM DEUS NO ESPIRITISMO?

 


A ignorância de um passado recente, sempre que dispunha em dialogo um espírita com pessoas de outras crenças, comumente fazia ressoar a seguinte pergunta: o Espiritismo crê em Deus? Ao que respondia o interlocutor, na maioria das vezes reproduzindo a primeira questão de O Livro dos Espíritos (O que é Deus? – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas).

            O tempo passou e a crescente divulgação das ideias da Doutrina Espírita por meio de todas as mídias não permite a sobrevivência dessa dúvida, mas o questionamento a respeito de qual o Deus do Espiritismo ainda é motivo de discussão.

            Apesar de divergências nesse tema, parece ser ponto de concordância não haver um deus para cada segmento religioso ou filosófico, mas sim uma diversidade de interpretações para um mesmo fenômeno – a existência (ou não) de um ser superior         De certa forma, e contraditoriamente, quanto mais se expande a inteligência de pesquisa humana, maior a constatação de que haverá de haver um Deus ou seja lá o nome que se Lhe dê. A Natureza é tão deslumbrante, e fora do controle as leis que a rege, que cresce na mesma proporção a busca de algo que mantenha o equilíbrio de tão complexa magnitude.

            Nenhuma comparação se mostra suficiente para a compreensão de Deus. Os estágios de amadurecimento dão a amplitude com que as consciências se permitem assimilá-lo, oscilando da visão antropomórfica à concepção transcendental. Há quem O confunda com os mais profanos interesses, envolvendo contendas eleitorais e influência em ganhos pecuniários, ou seja, a nossa imagem e semelhança. Há aqueles que O buscam com o olhar sondando os limites mais distantes do horizonte, enquanto medita ou trabalha.

            Talvez seja importante refletir. A estabilidade do Universo deve ser fruto da imutabilidade de Deus. Não há mistérios, há ignorância passageira. Não há milagres, há desconhecimentos das leis. Não há julgamentos, há autocensura regenerativa. Não há perdão, há reformulação de caminhos. Não há condenação, há oportunidades. Não há predileção, há universalidade. Não há o fim, há o recomeço. Não há a morte, há a vida contínua. Não há a estagnação, há a reencarnação.

            O Espiritismo não tem um Deus para si e esclarece que só há UM Deus e que Ele está para todos e para tudo, sem exceção. Qual o ser que poderia ser supostamente perfeito sem oferecer as mesmas condições de vida, sobrevivência e oportunidades e agisse com bondade com alguns e de forma implacável com outros?

            A vida que vivemos é essência divina, porém toda a engenhosidade da vida, imersa na Justiça e Misericórdia de Deus, é processo especulativo individual e coletivo, nos quais erramos e acertamos, destruímos e consertamos, sob a expectante energia amorosa universal que não tem pressa. Fazer entender o concerto divino é o objetivo do Espiritismo. Sem infernos eternos e sem paraísos particulares é que o Espírito evolui para o encontro progressivo, dia a dia, encarnação a encarnação para o grande abraço com o Deus que é sua origem e destinação.

 

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