Pular para o conteúdo principal

DO INFINDÁVEL INSULAMENTO CHINÊS AO CRISTIANISMO “AMARELO” DO PORVIR

 


Para determinados teóricos do ocidente, a religião é a chave para decifrar a civilização humana. No oriente, o atual governo chinês ainda tem uma visão totalmente diferente de religião. Depois que o PCC-Partido Comunista Chinês ganhou o poder, empregou um regime extremamente rígido de controle e monitoramento das religiões. Após 1949, todas as atividades cristãs foram proibidas na China e estudos religiosos foram catapultados. A perspectiva histórica sobre a religião ensinada lá é baseada na teoria marxista de que “o Cristianismo é o ópio do povo”.

Todas, rigorosamente todas, as entidades políticas que abraçam o comunismo instituem ditaduras bárbaras. Os ditadores almejam ampliar seu controle não somente sobre o mundo físico e a mente humana, mas também no mundo do “espírito”, oferecendo uma explicação derradeira para tudo. Portanto, eles consideram todas as religiões como teorias malignas que ameaçam seu poder. Aliás, eles avaliam todos e quaisquer grupos organizados como ameaças a seu regime.

Num dos atos históricos mais extravagantes advindo do desprezível totalitarismo comunista, acredite se puder ou quiser! … A China, em 2008, aprovou uma proibição a todos os monges budistas tibetanos de “reencarnarem” sem autorização prévia do PCC-Partido Comunista Chinês. O pretexto de tamanha estupidez é cortar a influência do Dalai Lama, líder espiritual e político do Tibete (exilado na Índia) numa tentativa de sufocar o estabelecimento religioso budista meio século depois de invadirem o pequeno país dos Himalaias.

Ao excluir a hipótese de qualquer budista reencarnar em território chinês o PCC passa a “controlar” a reencarnação do Dalai Lama, e a lei efetivamente dá o direito às autoridades chinesas de elegerem a “reencarnação” do próximo Dalai Lama. Naturalmente não vamos perder tempo para comentar tal sandice.

Apesar dos pesares, durante a maior parte da história chinesa, propagar o budismo e o taoismo era permitido. Acreditamos que os confrontos entre política e religião na China se tornarão a breve tempo a principal questão na sociedade chinesa. Não obstante a China ser um país ateu, esse cenário está mudando rapidamente. Muitos dos seus 1,3 bilhão de cidadãos estão buscando conforto espiritual, o qual é algo que nem o comunismo nem o capitalismo parece poder oferecer a nenhum deles.

Sobre essa milenar civilização, Emmanuel lembra em “A Caminho da Luz” que no advento dos capelinos para a Terra, em épocas antiguíssimas, a existência chinesa já contava com uma organização regular, oferecendo os tipos mais homogêneos e mais selecionados do planeta, em face dos remanescentes humanos primitivos. Portanto as raças adâmicas ainda não haviam chegado ao orbe terrestre e entre os chineses já se ouviam grandes ensinamentos do plano espiritual, de soberano interesse para a direção e solução de todos os problemas da vida.

Nos milênios recuados brilhou a luz de Fo-Hi, compilador de ciências religiosas da China; em seguida surgiu Lao-Tsé, sob cujos ensinamentos Confúcio fez questão de formar a base dos seus princípios. Confúcio viveu cinco séculos antes da vinda do Cristo e auxiliou a preparar os caminhos do Evangelho no mundo. Nesse mesmo período reencarnaram outros emissários do Mestre na Grécia, Roma e noutros centros adiantados do planeta. Todos eles eram elevados Espíritos da ciência, da religião e da filosofia, legítimos precursores do Evangelho, a fim de que a Humanidade estivesse preparada para a aceitação das instruções de Jesus há dos mil anos.

Em 1938, Emmanuel examinou o estado de estagnação da alma chinesa nos últimos séculos e concluiu sobre a necessidade imperiosa da raça amarela comungar no banquete de fraternidade dos outros povos. A cristalização das ideias chinesas advinha do isolamento voluntário. Em face disso, o mentor de Chico Xavier explicou que a existência é uma longa escada, na qual todas as almas devem dar-se as mãos, na subida para o conhecimento e para Deus. A China devia ser também convocada, pelas transformações do século, à grande lição do entrelaçamento da comunidade planetária, a fim de ensinar as suas virtudes (espirituais) e aprender as virtudes dos outros povos.

O autor espiritual de “Há dois mil anos” observou que a palavra direta do Cristo, consubstanciada no seu Evangelho, ainda não tinha chegado ao povo chinês de um modo geral, a fim de iluminar o caminho de todos os corações. Porém, de forma instigante, Emmanuel profetizou que um sopro de vida (Boa Nova?) romperá as sombras milenárias que caíram sobre a república chinesa. Vaticinou que mãos valorosas erguerão o monumento evangélico naquele mundo de dolorosas antiguidades, e um novo dia raiará (Espiritismo?) para a grande nação que se tornou historicamente o símbolo de paciência e de perseverança para os outros povos. (1)

Decorridos esses anos após a previsão de Emmanuel, estudos atuais afirmam que a China pode estar prestes a se tornar não apenas a economia número um do mundo, mas também a nação com o maior número de cristãos do planeta segundo Fung Yang, professor de sociologia da Universidade de Purdue e autor do livro “Religião na China: Sobrevivência e Reavivamento sob regime comunista”. (2) Pelas estatísticas a panorâmica é concreta! Observemos: Não obstante toda força do PCC, paradoxalmente em 2010 havia na China mais de 58 milhões de cristãos (considerados aqui apenas os evangélicos/protestantes) em comparação com os 40 milhões no Brasil e os 36 milhões na África do Sul, segundo pesquisa do Centro de Pesquisa Pew. E esse número poderá aumentar para cerca de 160 milhões até 2025. Isso poderá superar o número de protestantes nos EUA que é de cerca de 159 milhões, comprovados em pesquisa de 2010. (3)

Desde o século XIX o Espiritismo tem confirmado pelos fatos as relações entre o mundo material e o além-túmulo. Nova luz tem despertado consciências humanas. A Fé e a Razão são as duas asas pelas quais o coração se ergue para enxergar da verdade. O Criador assentou no coração do homem o anseio de conhecer a verdade e de compreendê-Lo, para que admitindo-O e amando-O alcance aproximar-se da verdade plena sobre si próprio. A fé precisa da razão tanto quanto esta necessita da fé, a fim de que o materialismo seja definitivamente debelado. Mas nisso, como em tudo, há aqueles ateus fanáticos que ficam atrás, até serem arrastados pelo movimento geral, que os abate se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem.

É toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezenove séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as consequências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus. (4)

 

 

Notas e referências bibliográficas:

 

(1)            Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1974.

(2)            Fung Yang , professor de sociologia da Universidade de Purdue e autor do livro “Religião na China: Sobrevivência e Reavivamento sob regime comunista” disponível em http://institutoparacleto.org/2014/10/25/o-brasil-e-o-pais-da-biblia-e-a-china-sera-seu-maior-produtor/

(3)            Idem

(4)            Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. I, “Não vim destruir a Lei”, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O CAMBURÃO E A FORMA-MERCADORIA: A ANATOMIA DE UMA EXCLUSÃO ÉTICA

      Por Jorge Luiz   A Estética do Terror O racismo estrutural não é um ato isolado, mas uma relação social que estrutura o Brasil. Quando a sociedade aceita que "bandido bom é bandido morto" , ela está, na verdade, validando que a vida de um homem negro periférico tem menos valor. Pesquisas indicam que, apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer o racismo, a aplicação da frase seletiva perpetua desigualdades históricas de raça e classe, com a mídia e o sistema de segurança muitas vezes reforçando essa lógica. Um caso chamou a atenção da sociedade brasileira, vista nos órgãos de imprensa e redes sociais, de D. Jussaara, uma diarista que foi presa e contida de forma violenta pela Polícia Militar na Avenida Paulista, em São Paulo, após ir ao local cobrar diárias de trabalho que não haviam sido pagas por antigos patrões. O caso gerou grande indignação nas redes sociais. A trabalhadora recebeu apoio e foi recebida no Palácio do Planalto após o ocorrido.

ENCANTAMENTO

  Por Doris Gandres Encanta-me o silêncio da Natureza, onde, apesar disso, com atenção, podem-se perceber ruídos sutis e suaves cantos, quase imperceptíveis, das folhas e das aves escondidas. Encanta-me o silencioso correr dos riachos e o ronco contido de pequenas quedas d’água.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

SILÊNCIO, PODER E RESPONSABILIDADE MORAL: A JUSTIÇA ESPÍRITA E A ÉTICA DA PALAVRA NÃO DITA

  Por Wilson Garcia   Há silêncios que protegem. Há silêncios que ferem. E há silêncios que governam. No senso comum, o ditado “quem se cala consente” traduz uma expectativa moral básica: diante de uma interpelação legítima, o silêncio sugere concordância, incapacidade de resposta ou aceitação tácita. O direito moderno, por sua vez, introduziu uma correção necessária a essa leitura, ao reconhecer o silêncio como garantia individual — ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Trata-se de um avanço civilizatório, pensado para proteger o indivíduo vulnerável frente ao poder punitivo do Estado. O problema começa quando esse direito — concebido para a assimetria frágil — é apropriado por indivíduos ou instituições fortes, que não se encontram em situação de coerção, mas de conforto simbólico. Nesse contexto, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser estratégia. Não responde, não esclarece, não corrige — apenas espera. E, ao esperar, produz efeitos.

EXPRESSÕES QUE DENOTAM CONTRASSENSO NA DENOMINAÇÃO DE INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

    Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM )                                                     Por Jorge Hessen     No movimento espírita brasileiro, um elemento aparentemente periférico vem produzindo efeitos profundos na percepção pública da Doutrina Espírita. Trata-se da escolha dos nomes das instituições.  Longe de constituir mero detalhe administrativo ou expressão cultural inofensiva , a nomenclatura adotada comunica valores, orienta expectativas e, não raro,  induz a equívocos graves quanto à natureza do Espiritismo . À luz da codificação kardequiana, o nome de um centro espírita jamais é neutro; ele é, antes, a primeira  síntese doutrinária oferecida ao público . Desde sua origem, o Espiritismo foi definido por Allan Kardec como uma doutrina de tríplice aspecto...

O OUTRO

A individualidade é a certeza de que ninguém está na mesma posição física ou espiritual de outrem, essa verdade não deve ser esquecida, senão incorreremos em falhas de observação prejudiciais às avaliações que antecedem o relacionamento humano e nos permitem estabelecer convivência saudável, decorrente de identificação adequada da personalidade de nossos pares. O próximo não é mais do que nosso semelhante, só nos é igual na potencialidade recebida e no destino reservado, tem o mesmo conjunto de germes perfectíveis contemplados pelo Alto, porém o desenvolvimento dessa poderosa capacidade justiçosa é trabalho de cada qual com colocação única na caminhada evolutiva, não é diferente da constatação concluída pela ciência humana, dois ou mais corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. 

10.12 - 140 ANOS DE NASCIMENTO DE VIANNA DE CARVALHO

Por Luciano Klein (*) Manoel Vianna de Carvalho (1874-1926) Com entusiasmo e perseverança, há duas décadas, temos procurado rastrear os passos luminosos de Manoel Vianna de Carvalho, alma preexcelsa, exemplo perfeito de inclinação missionária, baluarte de um trabalho incomparável na difusão dos postulados espíritas, por todo o País. Entre os seus pósteros, todavia, bem poucos conhecem a dimensão exata de seu labor inusitado, disseminando os princípios de uma verdade consoladora: a doutrina sistematizada por Allan Kardec.             Não nos passa despercebido, nos dias atuais, o efeito benéfico dos serviços prestados ao Movimento Espírita por Divaldo Pereira Franco. Através desse médium admirável, ao mesmo tempo um tribuno consagrado, Vianna de Carvalho se manifesta com frequência, inspirando-o em suas conferências fenomenais que aglutinam multidões.

A VERDADEIRA HONESTIDADE

                          José Brê faleceu em 1840. Dois anos depois, numa reunião mediúnica, em Bordéus, foi evocado por sua neta, em manifestação registrada no livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. O diálogo entre ambos é um repositório marcante de ensinamentos que merecem nossa reflexão.             – Caro avô, o senhor pode dizer-me como vos encontrais no mundo dos Espíritos e dar-me quaisquer pormenores úteis ao meu progresso?             – Tudo o que quiser, querida filha. Eu expio a minha descrença, porém grande é a bondade de Deus, que atende às circunstâncias. Sofro, mas não como poderias imaginar. É o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra.           ...