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O LIVRO DOS ESPÍRITOS - 164 ANOS

 


             Nada mais seletivo que o tempo. Separa o joio do trigo pacientemente. Transforma o entendimento e joga luz na capacidade de apreciar os fatos em cada período. Da mesma forma que torna o vinho mais robusto desmistifica o vinagre, sem concessões de nenhuma espécie. Uma teoria não é tornada verdade pela repetição de quimeras que buscam se impor, mas pela essência que a torna o que é, sua autoridade está em ter a coragem de enfrentar o futuro. Allan Kardec, ao contrário de temer a teimosa ação esfoliante do tempo e dos conhecimentos, sabia que só a força da contestação seria capaz de fazer o trabalho de confirmar àquelas ideias reportadas na obra que nascia em 18/04/1857.

            O Livro dos Espíritos se impôs pela força dos fatos, apesar de inéditos então. De princípio trouxe o inusitado, o jamais pensado, o ineditismo. Pelo susto da informação tentou-se confundi-lo com fantasia e até mesmo com loucura. Muitos estudiosos célebres que intentaram desqualificar tais informações acabaram por serem eles considerados loucos pelos seus pares, quando voltaram as suas academias convertidos pela nova idéia. Aconteceu assim com William Crookes e Cesar Lombroso, entre tantos outros, vieram se opor e acabaram convencidos pela lógica que gritava às suas inteligências.

            A obra anciã que chega às mãos do século XXI, açoitada pelo crescente desafio de trazer o imponderável para um mundo que busca o refúgio da materialidade, traz o frescor em suas páginas. Leve como uma pétala de flor que esvoaça sob o poder do vento de outono, tem a propriedade de despertar o ser para a mais extraordinária descoberta da existência – a luminosa certeza da imortalidade.

             Sua proposta estampada logo abaixo do seu título, sem sofismas. O Livro dos Espíritos –“Os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma; a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens; as leis morais, a vida  presente, a vida futura e o futuro da humanidade. Segundo o ensinamento dado pelos Espíritos Superiores com o concurso de diversos médiuns”. Destemor e assertividade, certeza de conseguir ultrapassar as pressões de natureza variada, convicção plena que se dispunha as agruras da crítica, por mais ácida que fosse, antevendo que o fermento do tempo traria o refino da compreensão.

            Por essa razão, o dia 18/04 é data que renova todos os anos o ensejo desse grande acontecimento que teve Paris como testemunha.

            Principal obra da biblioteca espírita, O Livro dos Espíritos é reflexão obrigatória e muitas vezes repetida para todo aquele que se pretenda seguidor do Espiritismo. Sem o seu conhecimento não há espíritas dizia o saudoso professor Herculano Pires quando o denomina “a pedra de toque”.

            Na atualidade a Doutrina Espírita é aceita, muito além daqueles que se consideram praticantes, porque logrou um grupo gigantesco de simpatizantes que, aliás, podem se manter em suas crenças de origem, sem problemas. Precisamos agradecer ao mestre Allan Kardec o denodo de não temer o futuro e apostar no tempo. O Livro dos Espíritos, há 164 anos de sua publicação é convite abençoado à renovação da humanidade.    

               

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