Pular para o conteúdo principal

ONDE DEFLAGRE A VIOLÊNCIA, O ESPIRITISMO FAZ-SE ESTEIO DA EDUCAÇÃO

 


A violência urbana ocorre na maioria das sociedades modernas em face do “consumo” do subproduto da agressão potencializada pela televisão, rádio, jornal, revista, mídias tecnológicas. Há diversos tipos de violências que normalmente sugerem ações organizadas de jovens que agem em grupo contra o patrimônio material e pessoas, comumente unidas às quadrilhas que demarcam territórios. A selvageria do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na mata espessa da violência. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar e matar.

 O utilitarismo das sociedades contemporâneas robotizou o homem, tornando-o um autômato inconsequente. O mesmo “cristão” que se prostra diante das imagens frias dos altares das igrejas ou na idolatria pela Bíblia “decorada” nos templos, volta ao seu posto de mando para ordenar torturas canibalescas. O homem contemporâneo vive atormentado pelo medo, esse inimigo atroz que o assombra. Uma vez submetido às contingências da vida atual, de insegurança e de incertezas, sofre como resultado em transtornos graves da mente, pela angústia dissolvente da própria individualidade.

Diz-se que o Oriente Médio é uma área violenta. Sim, é verdade, porém a América Latina é uma das áreas mais brutais e arriscadas da Terra, conforme demonstra o portal Business Insider. Das 50 cidades mais violentas ao redor do mundo 16 estão no Brasil. A “Pátria do Evangelho” é grande produtora de armas (contrastando com o compromisso espiritual) por isso cremos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática recomendável, pois o problema seria atacado diretamente em sua origem. (1) No “Coração do Mundo” o homicídio é o crime mais comum. Além dos assassinatos, o tráfico de drogas, guerras de gangues, instabilidade política, corrupção e a pobreza influenciam na alta violência nas cidades listadas pelo portal Business. (2)

Obviamente esta análise é restritiva, e tende a reforçar as diversas variáveis que pesam nos distintos atores que agem com brutalidade, sendo que as formas de selvageria empregadas e sua intensidade variam muito. Portanto, o aumento da violência que se conhece desde o pós-guerra não é imputável a uma categoria específica de indivíduos, mas a uma generalização dos comportamentos agressivos nas diferentes camadas da população.

Não se pode desconsiderar esses outros tipos de violências (não menos impactantes) como as que ocorrem diariamente no trânsito, as violências sexuais , os maus tratos infantis ou as agressões conjugais . Muitos conflitos que antes se manifestavam em afrontamentos sangrentos atualmente foram transmutados nos diferentes tipos de agressivas competições esportivas.

Todos tememos a violência, obviamente. Muitos erguem altos muros com fios eletrificados ao redor de suas residências, tentando manter a paz doméstica. Contratam seguranças para protegerem suas empresas e seus lares. Instalam equipamentos sofisticados que os alertem da chegada de eventuais usurpadores de seus bens. Contudo, existe outro tipo de violência a que não damos atenção: é a que está fincada dentro de cada um de nós. Violência íntima, que alguns alimentam, diariamente, concedendo que ela se torne animal voraz.

Paradoxalmente, pregamos a paz produzindo ogivas, canhões assassinos; cobiçamos resolver os problemas sociais ativando a edificação dos presídios e bordéis. “Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim”. (3) A atual situação de violência, maldade, injustiça, opressão dos poderosos sobre os fracos, tanto em nível de pessoas, como instituições e países, certamente terá que ceder lugar a uma nova era de paz, harmonia, fraternidade e solidariedade.

Uma das soluções para a criminalidade seria desarmar a população brasileira através da proibição do comércio de armas de fogo em todo o País, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituídas, na forma prevista em Lei. Naturalmente não somos ingênuos de ajuizarmos que a tão somente restrição (proibição) do uso de armas de fogo, por si só, equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Sabemos. É óbvio que a arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão “eficientes”. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos marginais e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a nos defender, desarmando, antes de tudo, nossos espíritos e isto só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.

É certo que a sociedade de hoje não está reduzida a ruínas irrecuperáveis. “O espírita é chamado à função da viga robusta, suscetível de mostrar que nem tudo se perdeu. Há quem diga que a Humanidade jaz em processo de desagregação. O espírita é convidado a guardar-se por célula sadia, capaz de abrir caminho à recuperação do organismo social. O espírita, onde surja a destruição, converte-se em apelo ao refazimento; onde estoure a indisciplina, faz-se esteio da ordem e, onde lavre o pessimismo, ergue-se, de imediato, por mensagem de esperança.” (4).

Por isso, a solução que a Doutrina Espírita apresenta para a violência é a educação em seu amplo aspecto. O Espiritismo, essencialmente educativo, conclama-nos ao amor e à instrução que poderão formar uma nova mentalidade entre os homens. Até porque a violência é o fruto espúrio da ignorância humana. Remanescente da agressividade animal explode na natureza graças às bases do egoísmo, o câncer moral que carcome o organismo social. O antídoto ao egoísmo é o altruísmo (amor ao próximo, abnegação). Por consequência, a melhor maneira de tornar uma sociedade justa e altruísta é a educação das gerações novas. Sabendo que, através da educação, formaremos caracteres saudáveis, deveremos investir tudo nesta obra libertadora, que é uma das mais elevadas expressões da caridade.

 

 

Notas e referências bibliográficas:

(1) Hoje, no Brasil, existem três empresas fabricantes de armas de fogo de onde grande parte de sua produção é destinada à exportação.

(2) Disponível em http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/as-50-cidades-mais-violentas-do-mundo-brasil-tem-16-na-lista/ar-BBdyjVo?ocid=mailsignout, acessado em 01/02/201

(3) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 199.

(4) Xavier. Francisco Cândido. Livro da esperança, ditado pelo Espírito Emmanuel, Uberaba/MG

Comentários

  1. Importante alerta, necessária reflexão. Ainda somos um mundo muito violento, e um país muito longe de ser um paraíso.
    O que falta, no entanto, está no ataque às causas; a educação é um dos passos, mas a desigualdade social é o cerne da questão - inclusive, isso acaba refletindo na forma de educação que cada classe recebe.
    Sem mudança na estrutura social, não há mudança que aconteça, nem violência que desapareça.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

“Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)             Por Jorge Luiz                  Cento e sessenta e três anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outros países.” ...

DESIGUALDADE DAS CONDIÇÕES SOCIAIS: OBRA DO HOMEM

    Por Doris Gandres Em O Livro dos Espíritos, questão 806 (1) , Allan Kardec pergunta aos Espíritos Superiores se a desigualdade das condições sociais é uma lei natural e eles respondem, clara e objetivamente, que não, é obra do homem. Então nós, espíritas, mesmo sem aprofundado conhecimento doutrinário, não podemos pretender delegar a severa desigualdade das atuais condições sociais, pura e simplesmente, à lei de causa e efeito; nem pretender ignorar a nossa responsabilidade em todo esse contexto, pois sabemos que tudo se encadeia no Universo e que vimos caminhando há muito, muito tempo, fazendo e desfazendo, construindo e destruindo...

ESPIRITISMO E POLÍTICA¹

  Coragem, coragem Se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem Eu sei que você pode mais (Por quem os sinos dobram. Raul Seixas)                  A leitura superficial de uma obra tão vasta e densa como é a obra espírita, deixada por Allan Kardec, resulta, muitas vezes, em interpretações limitadas ou, até mesmo, equivocadas. É por isso que inicio fazendo um chamado, a todos os presentes, para que se debrucem sobre as obras que fundamentam a Doutrina Espírita, através de um estudo contínuo e sincero.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...