quinta-feira, 13 de agosto de 2020

INIQUIDADE

 

Imagem da inernet. Coincidentemente, foi essa senhora a inspiradora da poesia.
                           Imagem da internet. Coincidentemente, a senhora que inspirou a poesia

A metrópole desumanizada

Detém-se aflita com a pandemia...

Sem haurir a lição - só a agonia -,

lnsensível, egoísta, fechada.

 

No trânsito, os semáforos nervosos

lmpõem interrupções desagradáveis,

Por misericórdia a miseráveis

Que abordam, em contatos "perigosos".

 

São desempregados que vendem balas,

Água...ou exibiçâo de malabarista,

De circo falido, que mais se arrisca

Na busca do pão de que a Oração fala.

 

De tocha acessa em cada mão, engole

Fogo, cuspido imediatamente,

Porque o álcool soprou tempestivamente,

Por habilidade de mulher-fole.

 

Sexagenária, de veste brilhosa

E velha (tem do auge da forma a idade),

Mas, pra quem observa, vê dignidade,

Luta e resignação... Maravilhosa!

 

Vai abrir o semáforo, contudo,

De dezenas de carros, um apenas

Tem os vidros baixados, de onde acena

Alguém, sem máscara, e um real...É tudo!

 

ldosa, ignorante, pobre e sem máscara,

Realmente, se tem que prevenir,

Não se deve, pois, os vidros abrir...

Hipocrisia! Para que usar máscara?

 

Tem ela álcool na boca e fogo lança:

Não sobreviverá o vírus mortal!

Só desamor, na carona do mal,

lmune às liçôes...que destemperança!

 

Quanta dor inda a reclamar ação

Pra redenção da iniquidade humana?...

Quando a Verdade que de Deus emana?

Sem caridade não há salvação!

 


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