Pular para o conteúdo principal

O ESPIRITISMO É CRISTÃO



      


     Embora algumas pessoas que se intitulam espíritas pensem o contrário, podemos afirmar, com segurança, baseado em Kardec, que a Doutrina Espírita é essencialmente cristã.  Por que, então, a negação por parte de alguns desavisados companheiros de ideal? Será que desconhecem a Codificação Kardeciana?

       Lembramos, com detalhes, de reunião mediúnica, onde fomos incumbidos da tarefa de doutrinar certa entidade que se dizia incrédula, descrente da Divindade, fechada à compreensão da presença do Criador, como artífice maior da Vida, o nosso Excelso Pai, amoroso e justo para todo o sempre.

       Ficamos algumas horas em debate e, após o encerramento do assunto, sem termos notado qualquer mudança de opinião por parte do irmão ateu, ele, apresentando-se momentaneamente inseguro, declara, altíssimo que, se tudo o que tínhamos dito era realidade, pediria, então, reencarnação em lar espírita.

       Ao mesmo tempo, invigilantes, pensamos: "Mais um 'herege' dentro do Movimento do Consolador prometido por Jesus; mais uma voz a discordar do aspecto religioso da Doutrina dos Espíritos; mais um irmão eivado com o ranço materialista da negação do Cristo e do Seu Evangelho redentor; mais um apto somente para o aspecto científico, em detrimento das outras duas escoras do tripé: a filosófica e a religiosa”.

       Sabemos que Jesus disse que, em sua época, não poderia ministrar outras preciosas lições, desde que os homens ainda não estavam habilitados ao seu entendimento. Devido ao atraso evolutivo, não se encontravam preparados para granjear ensinos mais profundos.

       O importante é que o Mestre nos deixou uma esperança: mandaria o Espírito de Verdade, que relembraria as suas valiosas informações e traria outras ainda mais completas e sólidas, de melhor entendimento (João 14:26). Esse Consolador vem complementar o Cristianismo do Cristo, não deixando mais órfã a Humanidade, aprisionada nas teias do Cristianismo dos homens, onde a essência puríssima do ensino de Jesus foi maculada e adulterada por mãos inescrupulosas, nas bolorentas dependências clericais.

       O Espiritismo não surgiu somente para reviver a Doutrina Cristã dos tempos primevos, ainda não corrompida pelo poder temporal ligado ao sacerdócio organizado de antanho. A crença espírita vai mais longe: completa o ensino do Mestre através da gloriosa presença do Espírito de Verdade entre nós, ministrando a Kardec, por diversos médiuns, lições que podem, agora, ser suportadas (João 16:12), devido ao progresso científico hodierno.

       O Mestre de Lyon afirma que o Espiritismo é a doutrina do Cristo de acordo com o progresso das luzes atuais (A Gênese, edição FEB, pág. 324).

Através da Codificação Espírita, o Cristianismo sofre um processo de libertação, não mais estagnado no tempo e no espaço, porquanto disse o Mestre que, através do Espírito de Verdade, falaria abertamente sobre o Pai (João 16:25), guiando-nos a toda a verdade (João 16:13).

       Léon Denis diz que "depois de séculos de silêncio, o mundo invisível se descerra; ilumina-se e agita-se até as suas maiores profundezas. As legiões do Cristo e o próprio Cristo estão em atividade. SOOU A HORA DA NOVA DISPENSAÇÃO" (Cristianismo e Espiritismo, ed. FEB, pág. 260).

       O Apocalipse relata a predição de uma nova era em que as boas novas seriam proclamadas pela pregação do evangelho eterno (Apocalipse 14:6). Nós, espíritas, já estamos vislumbrando a alvorada dessa afortunada época, porquanto, através de nossos próprios passos, atingiremos essa meta.

       Nós, seguidores de Jesus e de Kardec, fomos constituídos "ministros de um novo testamento, não da letra que mata, mas do espírito que vivifica" (2 Coríntios 3:6). A partir da disseminação desse "Evangelho Eterno", as leis de Deus não serão apenas conhecidas, mas vivenciadas no coração dos homens (Jeremias 31:33). 

       Então, estaremos diante da razão amalgamada com a fé, o conhecimento científico dando sustento à religião, não mais uma crença alicerçada em fundamentos míticos ou místicos e, sim, o verdadeiro "religare", a profunda comunhão com Deus, sem hierarquias e sem dogmatismos, conforme preconizou o Mestre, falando à mulher samaritana, junto à fonte de Jacó:  "Deus é espírito; e importa que O adorem em espírito e em verdade" (João 4:24).


O ESPIRITISMO É CRISTÃO

        Inobstante o que já trouxemos até aqui de subsídios favoráveis à tese de ser a Doutrina dos Espíritos uma crença cristã, transcrevemos, agora, mais alguns ensinos comprobatórios:

1 - "Jesus é o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e de modelo". (Espíritos Superiores, O Livro dos Espíritos, questão 625, pág. 308, FEB);

2 - "Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou" (Espíritos Superiores, O Livro dos Espíritos, questão 627, pág. 309, FEB);

3 - "Todas as verdades se encontram no Cristianismo, os erros que nele se enraizaram são de origem humana... (O Espírito de Verdade, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, n° 5, pág. 99, IDE);

4 – “Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que ‘o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã’ e a única instituição verdadeiramente divina e humana". (Espíritos Superiores a Allan Kardec, Obras Póstumas, pág. 308, FEB);

5 - "O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, é consequência direta da sua doutrina" (Kardec, A Gênese, cap. I, nº 30, pág. 28, FEB);

6 - "O Espiritismo é obra do Cristo que o preside..." Kardec, "O Evangelho Segundo o Espiritismo", pág. 36, IDE);

7 - "O ensino dos Espíritos é eminentemente cristão" (Kardec, comentário da questão 222 de O Livro dos Espíritos, pág. 152, FEB;

8 - "O verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão são a mesma coisa" (Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, pág. 223, IDE);

9 - "O Espiritismo vem realizar no tempo certo as promessas do Cristo" (Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIII, n° 17, pág. 281, IDE);

10 - Não poderíamos deixar de veicular a afirmação de Kardec, retirada de O Livro dos Médiuns: "A bandeira que desfraldamos, bem alto é a do ESPIRITISMO CRISTÃO e humanitário...”, pág. 434, ED. FEB;

11 - Para finalizar, esta obra-prima que o Codificador não propagara por ser um Espírito Superior já destituído das paixões inferiores, mas que foi publicada após a sua desencarnação: "Conta conosco e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que TE PROTEGE DE MODO MUITO PARTICULAR” (Os grifos são nossos - Obras Póstumas, pág. 308, FEB).

       O Mestre de todos nós, certamente, é Jesus e a sua doutrina é essencialmente libertadora e misericordiosa. Então, busquemos sua preciosa presença, através de nossas preces e atos caridosos. Ele sempre estará conosco, assim como prometera, até o final de nosso ciclo evolutivo (Mateus 28:20).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

EDUCAÇÃO CONTRA A VIOLÊNCIA

  Por Doris Gandres Atualmente somos bombardeados com notícias de violências de todos os tipos, crimes dos mais inesperados aos mais chocantes; violações de toda ordem; maus tratos até de familiares; guerrilhas de facções; confrontos entre policiais e bandidos; milícias clandestinas pretensamente justiceiras... E a violência mais covarde, a violência moral, encoberta por títulos e cargos que deveriam ser honrados por seus titulares, mas que lhes servem de ferramenta de abuso e exploração indébita... E existe ainda outra violência: a imposição de um sistema exacerbado de consumo, gerando uma escala de valores deturpada, onde o homem vale pela roupa de marca, pelo carro importado, pelo cartão bancário, pelo título, pelo poder através de seu cargo, de suborno, chantagem, ou pelo medo que espalha...

QUANDO A VIDA TEM ROTEIRO: FATALIDADE, ESCOLHA E PLANEJAMENTO REENCARNATÓRIO

  Por Wilson Garcia Há perguntas que atravessam séculos com a mesma inquietação: existe destino? Somos conduzidos por um fio invisível que determina o fim de nossa história, ou caminhamos em terreno aberto, onde cada decisão pode alterar o curso dos acontecimentos? A questão 853 de O Livro dos Espíritos volta a frequentar esse debate com força. O texto descreve situações em que uma pessoa escapa de um perigo mortal apenas para cair em outro — e questiona: seria isso fatalidade? O termo, carregado de ressonâncias filosóficas e religiosas do século XIX, parece sugerir um destino inflexível.

A FARSA DA HISTÓRIA NO CENTRO DO CAPITAL: "ONDE DORMIRÃO OS POBRES?"

    Por Jorge Luiz OS RECENTES EVENTOS NA VENEZUELA ANTECIPARAM A POSTAGEM DESTE ARTIGO, QUE JÁ ESTAVA CONCLUÍDO, MAS QUE AGORA SE TORNA AINDA MAIS NECESSÁRIO.   De Reagan a Leão XIV: A Batalha pelo Cristianismo de Libertação Espero que Karl Marx esteja enganado quando afirmou que a história se repete “duas vezes” ao filósofo alemão Hegel, mas adicionou a sua própria conclusão sobre o caráter da repetição. A tragédia é o evento original, a farsa é a sua repetição, mas com uma diferença. A primeira versão é um evento dramático, enquanto a segunda é uma imitação que, apesar de ridícula, pode não ser menos prejudicial. A frase é a chave para analisar a crise social e geopolítica contemporânea.             A questão que se repete nos tempos atuais é o Império Americano e o Cristianismo de Libertação, cunhado por Michael Lövi, que antes chamava Teologia de Libertação. A arena escolhida é a América Latina, hoje ma...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

UM POUCO DE CHICO XAVIER POR SUELY CALDAS SCHUBERT - PARTE II

  6. Sobre o livro Testemunhos de Chico Xavier, quando e como a senhora contou para ele do que estava escrevendo sobre as cartas?   Quando em 1980, eu lancei o meu livro Obsessão/Desobsessão, pela FEB, o presidente era Francisco Thiesen, e nós ficamos muito amigos. Como a FEB aprovou o meu primeiro livro, Thiesen teve a ideia de me convidar para escrever os comentários da correspondência do Chico. O Thiesen me convidou para ir à FEB para me apresentar uma proposta. Era uma pequena reunião, na qual estavam presentes, além dele, o Juvanir de Souza e o Zeus Wantuil. Fiquei ciente que me convidavam para escrever um livro com os comentários da correspondência entre Chico Xavier e o então presidente da FEB, Wantuil de Freitas 5, desencarnado há bem tempo, pai do Zeus Wantuil, que ali estava presente. Zeus, cuidadosamente, catalogou aquelas cartas e conseguiu fazer delas um conjunto bem completo no formato de uma apostila, que, então, me entregaram.

TRÍPLICE ASPECTO: "O TRIÂNGULO DE EMMANUEL"

                Um dos primeiros conceitos que o profitente à fé espírita aprende é o tríplice aspecto do Espiritismo – ciência, filosofia e religião.             Esse conceito não se irá encontrar em nenhuma obra da codificação espírita. O conceito, na realidade, foi ditado pelo Espírito Emannuel, psicografia de Francisco C. Xavier e está na obra Fonte de Paz, em uma mensagem intitulada Sublime Triângulo, que assim se inicia:

“CANALHA! CANALHA! CANALHA!”: O GRITO DE INDIGNAÇÃO CONTRA A CANALHICE ESTRUTURAL BRASILEIRA

    Por Jorge Luiz     O Grito da Canalhice: Uma Definição Multifacetada             “Assim sendo, declaro vaga a Presidência da República.” Com essas palavras,  o presidente do Senado, Auro Moura Andrade, anunciou a um tumultuado Congresso Nacional, na madrugada do dia 2 de abril de 1964, que João Goulart não era mais o presidente do Brasil. Jango estava em Porto Alegre. Na gritaria que se seguiu à fala de Auro, o deputado Almino Afonso ouviu Tancredo Neves, líder do governo na Câmara, gritar: “Canalha! Canalha! Canalha”. A frase é frequentemente citada por outros políticos em momentos de crise, como fez o senador Roberto Requião, em 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, evocando a memória do ato de Moura Andrade e a reação de Tancredo.

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO

Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas. Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.

DESCOBRINDO UM ESPIRITISMO LIBERTADOR

  Por Ana Cláudia Laurindo Ser espírita livre em uma sociedade prenhe de padrões e vícios, tem sido a conquista deste tempo, onde não pertencer é sinônimo de alcance, mantendo fidelidade intelectual e moral aos preceitos do livre pensamento. O elitismo de provar que sabe ronda os agrupamentos espíritas brasileiros, inclusive aqueles que se recomendam progressistas, no entanto, as armadilhas dos hábitos de manutenção de perspectivas sociais baseadas em correlação de força que perpassam o status quo, disparam alertas.