Pular para o conteúdo principal

OS PIORES INIMIGOS – EPÍLOGO: A VAIDADE

 

Por Marcelo Teixeira

        Visito pela última vez o capítulo 31 do livro “Luz Acima”, ditado pelo espírito Irmão X e psicografado pelo médium Chico Xavier, para encerrar a série sobre os piores inimigos. Na história narrada, o apóstolo Pedro viaja a pé com Jesus. No trajeto, é visitado por cinco inimigos internos. Chegou a hora do inimigo ainda não abordado: a vaidade.

         Pedro e o Cristo cruzam com um romano chamado Rufo Grácus, que é semiparalítico e viaja a bordo de uma liteira carregada por fortes escravos. Ao ver a dupla, Rufo sorri para ambos com ar de desdém. O apóstolo, sem hesitar, diz que tem vontade de cruzar novamente com o “pecador impenitente, a fim de dobrar-lhe o coração para Deus”. Jesus lhe afaga o ombro e indaga: “Por que instituiríamos a violência ao mundo, se o próprio Pai nunca se impôs a ninguém?”. E arremata: “A vaidade é um verdugo sutil”.

        Acredito ser bem interessante, e até inusitado, Jesus pontuar que a imposição de pontos de vista – algo bem violento, por sinal –, seja uma forma de vaidade. Mas diante do que temos observado no mundo atual, faz muito sentido.

        A vaidade salta aos olhos no comportamento de Rufo, que despreza os viajantes por serem quem são (Jesus e um apóstolo) e, por conseguinte, trazerem a boa nova de que todos os homens são iguais perante Deus, algo inadmissível para um romano que é cercado de regalias e se vale de mão de obra escrava. Ou então porque, aos olhos dele, ambos são socialmente inferiores. Ou pelos dois motivos juntos. Ao mesmo tempo, Pedro vai na mesma toada e quer dobrar o impenitente à força. Uma espécie de conversão imposta que fará Rufo aceitar Jesus num piscar de olhos, deixar toda a vida faustosa e arrogante para trás e se tornar um seguidor do Nazareno.

        É aí que Jesus entra em cena e ressalta que não dá para querermos nos impor a ninguém, pois, além de ser uma violência, é uma forma de deixar vir à tona a vaidade na sua pior forma: a de verdugo, só que sutil, como manda a etiqueta dos que se valem da vaidade para impor ideias.

         Quantas vezes, seja em ambiente profissional, religioso ou familiar, vemos pessoas sutilmente manipulando as outras para que adiram às suas vontades, caprichos ou pontos de vista? Só elas sabem o que é melhor para a empresa. Só elas sabem o que é melhor para os entes queridos. Só elas sabem a melhor forma de passar uma camisa, refogar uma couve, lavar uma janela… Vaidade pura!

        Isso me faz lembrar a história de D. Léa, amiga de minha família. Mãe de dois rapazes já casados, D. Léa elogiava muito as noras. Segundo elas, ambas eram excelentes esposas e mães. Só que havia um pormenor: as noras não se entrosavam muito bem. Não que elas se detestassem. No entanto, como possuíam poucos interesses em comum e tinham filosofias de vida distintas, mantinham uma distância diplomática. Nada que interferisse nas relações familiares. Comentando o assunto com minha tia, D. Léa declarou: “As duas cuidam muito bem dos meus filhos, dos próprios filhos e gostam muito de mim e do meu marido. Se elas possuem diferenças entre elas, não é problema meu. Elas que se entendam futuramente, se quiserem.” Aplaudi D. Léa quando soube dessa história. Conheço mães que não sossegariam até transformar as noras em melhores amigas. Armariam encontros, bate-papos, conversariam exaustivamente com uma e depois com a outra até provocarem um desconforto tamanho que culminaria numa cisão familiar daquelas. Melhor sermos como D. Léa e não nos deixarmos levar pela vaidade de acharmos que temos o dom de irmanarmos a todos, dizermos sempre a palavra certa na hora certa e fazermos todo mundo pensar do jeito que pensamos, crer no que cremos ou gostar do que gostamos. O mundo não é arrumadinho de modo a satisfazer nossa vaidade.

        É por causa dessa postura que, muitas vezes, os Rufos da vida desdenham de quem possui outra religião, nacionalidade, orientação sexual, tom de pele, estilo de vida… E os Pedros da vida, por sua vez, aparecem com o ímpeto de fazer com que os diferentes se dobrem de joelhos a Deus, esquecidos que, conforme assevera Jesus, o próprio Deus jamais se impôs a quem quer que fosse.

        Descendo a rua onde moro para ir à farmácia mais próxima num sábado à noite, deparei, há alguns anos, com dois homens. Um deles me chamou e disse que, na igreja da qual fazem parte, Deus havia me chamado naquela noite e que eu deveria atender a esse chamado e frequentar tal igreja. Agradeci o convite, disse que era espírita há muitos anos e com muitas atribuições no movimento espírita local. Acrescentei, ainda, que era escritor espírita com vários livros publicados, que estava muito feliz como espírita e segui adiante. Sempre aquela velha mania de pensarmos que só existe uma religião correta – a nossa – e que todos têm de se dobrar a ela. Vaidade e respeito à diversidade não combinam.

        Radicalizando esse pensamento, nos deparamos com templos de religiões de matriz africana sendo destruídos por seguidores de outras vertentes; manifestações culturais como samba e capoeira (hoje assimiladas) outrora perseguidas por autoridades; ritmos como funk, rap e hip hop tidos como subprodutos culturais; pensamentos progressistas tachados de subversivos para serem abafados; fanáticos políticos invadindo festas de aniversário particulares decoradas com motivações políticas opostas para fuzilar o aniversariante e, exemplo mais tocante, o Nazareno sendo aprisionado, julgado de forma parcial, preterido por Barrabás e crucificado no madeiro infamante. Jesus, por isso, acerta em cheio quando diz que a vaidade é um verdugo sutil. Um algoz matreiro que se aproveita da nossa invigilância para semear preconceito, intolerância e violência.

        Aliás, é muito interessante essa alegoria do verdugo sutil utilizada pelo Mestre. Geralmente, a definição corriqueira que encontramos de verdugo é a do responsável pela execução da pena de morte ou castigos corporais. Nada sutil, portanto. O Cristo, todavia, apresenta a sutileza de sermos corroídos paulatinamente pelo verdugo da vaidade, que nos faz subir num pedestal a ponto de acharmos que só existe um ponto de vista correto, uma religião correta, uma raça correta, uma orientação sexual correta uma classe social correta… E qual seria? A nossa, é claro. Só que se despir da vaidade é aprender a conviver com as múltiplas diversidades que o mundo nos apresenta. Pena que muitos prefiram, por pura vaidade, se arvorarem em verdugos dos nossos irmãos em humanidade.

        Em “O Livro dos Espíritos”, logo no início – Prolegômenos – espíritos como São João Evangelista, Sócrates, Platão e São Vicente de Paulo assinam o belíssimo texto que diz, num dos últimos parágrafos:

        “A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento, o do amor do bem, e se unirão por um laço fraterno, que envolverá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial.”

        Quando nos desfizermos de todas as vaidades, o verbo amar imperará, o ideal de aprimoramento espiritual motivará a todos, as diferenças de ordem cultural, religiosa etc. serão respeitadas e todos nós praticaremos os valores cristãos, trazendo muitas alegrias para toda a humanidade. Sigamos sem temor!

        

 

        

 

    BIBLIOGRAFIA:

   KARDEC, Allan – O livro dos espíritos, Federação Espírita Brasileira (FEB), 60ª edição, 1984, Brasília, DF.

    XAVIER, Francisco Cândido – Luz Acima, Federação Espírita Brasileira (FEB), 5ª edição, 1984, Brasília, DF.

 

        

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - GEMINI
    Análise do Artigo: A Vaidade como Verdugo Sutil

    O texto propõe uma reflexão profunda sobre a vaidade, expandindo sua definição para além do narcisismo estético. A tese central é que a imposição de pontos de vista — mesmo sob o pretexto de "fazer o bem" ou converter o próximo — é, na verdade, uma manifestação violenta de vaidade.
    Pontos de Destaque:

    O Dualismo Pedro vs. Rufo: O autor utiliza com inteligência a narrativa de Irmão X para mostrar que a vaidade habita tanto no desdém do arrogante (Rufo) quanto no ímpeto dominador do religioso (Pedro). Ambos, à sua maneira, desejam que o mundo se curve à sua própria visão.

    A Sutileza do "Verdugo": A escolha do termo "verdugo sutil" por Jesus é o ponto alto da análise. O texto demonstra como essa vaidade atua como um carrasco invisível que, ao nos colocar em pedestais morais ou intelectuais, justifica o preconceito e a exclusão.

    Aplicação Prática e Contemporânea: Ao transitar entre exemplos cotidianos (como a sabedoria de D. Léa em respeitar o espaço das noras) e tragédias sociais (intolerância religiosa e política), o artigo humaniza a doutrina e a torna relevante para os conflitos atuais.

    Conclusão

    O artigo é um convite à humildade existencial. Ele conclui que o verdadeiro progresso espiritual não está em "vencer" debates ou uniformizar o pensamento alheio, mas na capacidade de conviver com a diversidade sem o desejo de controlá-la. É um lembrete oportuno de que o amor ao bem deve superar a "miséria das palavras" e o dogmatismo.

    Gostaria que eu explorasse mais algum ponto específico, como a relação entre o espiritismo e a diversidade mencionada no texto?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

FÉ INABALÁVEL E RAZÃO - O SIGNIFICADO DE RELIGIÃO PARA ALLAN KARDEC

Com esse artigo, iniciaremos SÉRIE ESPECIAL com origem no artigo científico elaborado por Brasil Fernandes de Barros, Mestre e Doutorando em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC MINAS. E-mail: brasil@netinfor.com.br , publicado originalmente na Revista Interações , Belo Horizonte, Brasil, jan./jun. 2019. Reputamos de importância significativa para os espírita, considerando que o tema ainda divide o movimento espírita. Para possibilitar melhor comodidade à leitura, as postagens serão em dia sim, dia não. Boa leitura!  

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

MOINHOS DE GASTAR GENTE: DO DIAGNÓSTICO DO BURNOUT AO "CRISTO MÁGICO" DAS MULTIDÕES

  Panorâmica do evento que reuniu 2.500 homens na Paróquia da Glória - Fortaleza CE.   Jorge Luiz   O Diagnóstico da Falência: A Mutilação em Números             Os dados do Ministério da Previdência Social e do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelam um cenário de terra arrasada: um aumento alarmante de 823% nos afastamentos por Burnout e um salto de 438% nas denúncias relacionadas à saúde mental. Entretanto, esses números são apenas a ponta de um iceberg vinculado ao emprego formal; a realidade nacional é ainda mais perversa se olharmos para as periferias, onde multidões sitiadas pela privação e pela ausência de esperança acabam cooptadas pelo apelo à misericórdia divina das igrejas. Diante desse quadro, a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) pelo Governo Federal surge como uma confissão oficial de que o ambiente corporativo se tornou patogênico. Contudo, as novas punições por ris...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

OPINIÕES PESSOAIS APRESENTADAS COMO VERDADES ABSOLUTAS

  Por Orson P. Carrara                Sim, os Espíritos nem tudo podem revelar. Seja por não saberem, seja por não terem permissão. As expectativas que se formam tentando obter informações espirituais são muito danosas para o bom entendimento doutrinário e vivência plena dos ensinos espíritas.             É extraordinário o que Kardec traz no item 300 de O Livro dos Médiuns, no capítulo XXVII – Das contradições e das mistificações . O Codificador inicia o item referindo-se ao critério da preferência de aceitação que se deve dar às informações trazidas por encarnados e desencarnados, desde que dentro dos parâmetros da clareza, do discernimento e do bom senso e especialmente daquelas desprovidas de paixões, que deturpam sempre.

REFORMA ÍNTIMA OU ÍNFIMA?

  Por Marcelo Teixeira Quando resolvi que iria escrever sobre a tão incensada reforma íntima, um dos assuntos que figuram nos “trend topics” do movimento espírita conservador (só deve perder para o bônus-hora), fiquei pensando por qual caminho iria. Afinal, tudo que se fala acerca do assunto está nos moldes convencionais. Com o passar dos dias, no entanto, percebi que seria viável começar justamente pelo que dizem os autores e palestrantes tradicionais. Encontrei, então, num artigo publicado no site “Amigo espírita” e assinado por “o redator espírita”, os subsídios que procurava para o pontapé inicial. O artigo se chama “Autoconhecimento e reforma íntima no contexto espírita: um caminho de transformação espiritual”. Ele argumenta que a dita reforma passa antes pelo autoconhecimento, ou seja, precisamos conhecer nossas fraquezas, virtudes, tendências e desejos e, gradualmente, substituindo vícios por virtudes. Nas palavras do autor, “um processo contínuo e dinâmico, que exige esfo...

O CAMBURÃO E A FORMA-MERCADORIA: A ANATOMIA DE UMA EXCLUSÃO ÉTICA

      Por Jorge Luiz   A Estética do Terror O racismo estrutural não é um ato isolado, mas uma relação social que estrutura o Brasil. Quando a sociedade aceita que "bandido bom é bandido morto" , ela está, na verdade, validando que a vida de um homem negro periférico tem menos valor. Pesquisas indicam que, apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer o racismo, a aplicação da frase seletiva perpetua desigualdades históricas de raça e classe, com a mídia e o sistema de segurança muitas vezes reforçando essa lógica. Um caso chamou a atenção da sociedade brasileira, vista nos órgãos de imprensa e redes sociais, de D. Jussaara, uma diarista que foi presa e contida de forma violenta pela Polícia Militar na Avenida Paulista, em São Paulo, após ir ao local cobrar diárias de trabalho que não haviam sido pagas por antigos patrões. O caso gerou grande indignação nas redes sociais. A trabalhadora recebeu apoio e foi recebida no Palácio do Planalto após o ocorrido.

O APLAUSO NAS INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

  “O aplauso é tão oportuno quanto o silêncio em outros momentos, de concentração e atividade mediúnica, ou o aperto de mãos sincero, o abraço, o beijo, o “muito obrigado”, o “Deus lhe pague”, o “até logo”… ***  Por Marcelo Henrique Curioso este título, não? O que tem a ver o aplauso com as instituições espíritas? Será que teremos que aplaudir os palestrantes (após suas exposições) ou os médiuns (após alguma atividade)? Nada disso! Não se trata do “elogio à vaidade”, nem o “afago de egos”. Referimo-nos, isto sim, ao reconhecimento do público aos bons trabalhos de natureza artística que tenham como palco nossos centros. O quê? Não há apresentações artísticas e literárias, de natureza cultural espírita, na “sua” instituição? Que pena!

O FUTURO, FAREMOS NÓS...SOBRE AS RUÍNAS DO QUE SE FOI

  Os horizontes estão turvos. No Brasil e no mundo. Ameaças à liberdade (a pouca que existe), o capitalismo predatório cada vez mais buscando limitar qualquer poder estatal que lhe controle a sanha devoradora. Mas nos Estados Unidos, bem onde se radica o império do capital, recente pesquisa mostra que metade dos jovens lá não apoiam o capitalismo. (veja mais) Por que?

AÇÃO E REAÇÃO

  Por Roberto Caldas             A história da Física e o mundo moderno muito devem aos estudos realizados pelo cientista inglês conhecido sob a designação de Sir Isaac Newton. Quando em 1687 publicou três volumes com as suas pesquisas tinham como objetivo descrever a relação entre forças agindo sobre um corpo e seu movimento causado pelas forças. A obra ficou reconhecida como as Três Leis de Newton descrevendo os princípios da gravitação universal e mudou toda a mentalidade acerca das forças que interagem no Universo. A terceira dessas leis ficou reconhecida como Lei de Ação e Reação e foi assim descrita pelo lorde inglês: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas”.