Pular para o conteúdo principal

OS FANATISMOS QUE NOS RODEIAM E NOS PERSEGUEM E COMO RESISTIR A ELES: FANATISMO, LINGUAGEM E IMAGINAÇÃO.

 


Por Marcelo Henrique

Uma mensagem importante para os dias atuais, em que se busca impor uma/algumas ideia(s), filosofia(s) ou crença(s), como se todos devessem entender a realidade e o mundo de uma única maneira. O fanatismo. Inclusive é ainda mais perigoso e com efeitos devastadores quando a imposição de crenças alcança os cenários social e político. Corre-se sérios riscos. De ditaduras: religiosas, políticas, conviviais-sociais.

***

Foge no tempo e na memória a primeira vez que ouvi a expressão “todos aprendemos uns com os outros”. Pode ter sido em alguma conversa familiar, naquelas lições que mães ou pais nos legam em conversas “descompromissadas”, entre garfadas ou ações corriqueiras no lar. Ou, então, entre algumas aulas enfadonhas, com a “decoreba” de fórmulas ou conceitos, em que um Mestre se destacava como ouro em meio a bijuterias.

Eis que a frase ficou e reverbera até hoje. Os aprendizados são diários. Basta, como teria dito aquele Carpinteiro Sublime, o Magrão (Mt; 13:15), ter “ouvidos de ouvir” ou “olhos de ver”. Porque, como muito tempo depois o nosso Zé Perri — que esteve em terras florianopolitanas com o seu aviãozinho — consagrou em “O Pequeno Príncipe”: “o essencial é invisível aos olhos”. Porque é com outras lentes e outras orelhas que precisamos perceber…

O fato é que as lições vêm e tomam conta de nós, justamente quando nos apercebemos que, mesmo, por vezes, em situações, contextos e palavras simples, encerram grande sabedoria. Aliás, esta, a sabedoria, é um “plus” em relação à intelectualidade e ao conhecimento propriamente dito. Saber é mais que conhecer. Saber importa ter alcançado, no percurso, aquele diferencial de quem, já conhecendo, aplica. Ou seja, vive o que entende e fala. Este “caminho”, também, registre-se, veio da fala “descompromissada” (ou, nem tanto) de uma outra professora — de quem, nos escaninhos da memória, o tempo fez apagar: “primeiro pensamos, depois falamos, para agirmos: eis a fórmula de entender a vida”.

Quero falar de alguém que tem me “ensinado” bastante. Ou, para honrar o título, que tem contribuído para NOS (eu, ele e os demais que conosco convivem) afastarmos dos fanatismos que nos rodeiam. E são muitos! Mas é preciso contextualizar o(s) fanatismo(s), para que não reste qualquer dúvida sobre o alcance dele(s).

Porque, a princípio, se associa o fanatismo APENAS ao contingente/contexto/cenário religioso. Porque, em verdade, é no seio das religiões, seitas e crenças que ele aparece com mais força e destaque, convenhamos. Mas a sua aplicabilidade exorbita a religião ou a fé, podendo estar presente em diversificadas áreas, temáticas e locais de convivência.

Conceitua-se, assim, o fanatismo como a adesão do indivíduo ou de grupos, de forma exacerbada ou exagerada, a crenças, causas ou ideias, afastando qualquer perspectiva de questionamentos, assim como a possibilidade de discussão, a partir de outros vieses ou pontos de vista, por vezes com intolerância ao(s) diferente(s). Não raro, os fanáticos excluem de suas relações e “vidas”, aqueles que pensam diversamente, justamente por serem incapazes de considerar outras visões e interpretações, substituindo o raciocínio (razão e lógica) por dogmas.

Feito esse (necessário e oportuno) introito vamos falar do nosso amigo: o Neco, Manoel Fernandes Neto. Já são algumas décadas de convivência e uma sólida amizade. Vou buscar uma outra metáfora, lá da adolescência, para explicar a minha “saga” com o Neco: “amizade é uma planta que se rega diariamente”. Sim! É preciso cuidar da amizade (e dos amigos), ao mesmo tempo em que é essencial deixar-se cuidar por eles. Os amigos são os únicos que nos dizem verdades, porque sua intenção não é bajular, concordar ou aprovar incondicionalmente o que fazemos e o “como” somos. Um verdadeiro amigo critica — construtivamente — com aquele carinho de quem quer que sejamos melhores e mais felizes. Sempre!

Esses dias o Neco escreveu uma instigante crônica que falava sobre os fanatismos (veja o link ao final). Nela, meu amigo jornalista, editor e curador de conteúdos, NOS apresentou um provocativo autor israelense (e sua obra), Amós Oz, falecido em 2018 e autor de “Contra o Fanatismo” (2002, Ediouro), que, segundo ele, é a “compilação de conferências proferidas por Oz na Alemanha, em 2002”, permanecendo atual – inclusive para nós, geográfica e culturalmente bem distantes do “mundo” oziano. Diz Fernandes Neto (2025, s. p.): “Suas reflexões continuam atuais, em um planeta que ainda não compreendeu os fanatismos e segue sendo devorado por eles”.

Devorados é uma expressão autofágica porque o fanatismo não está no exterior, nas coisas, nos outros. Está em nós. E nos consome, porque assim permitimos. Simbolicamente, nos recordamos das aulas de biologia, estudando a endocitose e, nela, um tipo mais específico, a fagocitose, caracterizada pela entrada de substâncias em uma célula. Pois bem, o fanatismo é “fagocitado” por nós, ou seja, nós permitimos que ele entre em nossas ideias e sentimentos e “tome conta” de nosso Espírito.

Amós tem uma trajetória que nos inspira para as batalhas (diárias e permanentes) contra todos os fanatismos possíveis e imagináveis. Ilustra Neco: “Dentro de Israel, transitou com suas palavras, debates e diálogos pela esquerda, centro e direita; sempre ouvido, criticado e ponderado por intelectuais e autoridades — em um país que preserva seus pensadores e não bloqueia seus debates”.

Esta é uma importante lição para o hoje e para a posteridade. Afinal de contas, num mundo cada vez mais plural, em face do próprio progresso humano-social (e das legislações que asseguram direitos, apesar da gangorra política das nações, que alterna regimes mais conservadores ou progressistas, fechados ou abertos, castradores ou libertadores), é fundamental respeitar-se mutuamente, dentro da premissa de liberdade de pensamento, convicção e expressão. Mesmo que a ideia do outro nos pareça estapafúrdia e incoerente, ela serve para ele e, nesse sentido, não está sujeita ao nosso crivo de aprovação e permissão.

Manoel reitera a importância dos escritos do israelense para a compreensão ampla dos fanatismos na atualidade planetária, prenhe “de fanáticos em esferas políticas e sociais. E, reportando-se a Amós, transcreve seu pensamento (2002:15):

“Creio que a essência do fanatismo reside no desejo de forçar as outras pessoas a mudarem. A inclinação comum de melhorar seu vizinho, de consertar seu cônjuge, de guiar seu filho ou de endireitar seu irmão, em vez de deixá-los ser.”.

Nas relações interpessoais este cenário é repetitivo, porque há dois “tipos” de “corretores personalísticos” entre nós: uns, invejosos, vaidosos, orgulhosos, que não desejam o sucesso do outro, seu destaque e reconhecimento, e, portanto, não raras vezes, se travestem em “amigos fieis” para censurar “com muito tato e cortesia” aquilo que fazemos, visando que não sejamos virtuosos ou reconhecidos; outros que, mesmo movidos pelo sentimento verdadeiro de afeição e amizade, acreditam estar nos ajudando com seus “conselhos”, castrando nossa liberdade, pelo “nosso bem”, isto é, acreditando piamente que as nossas escolhas não são boas e que, se estivessem no nosso lugar, fariam isso ou aquilo…

Isto está no “universo” oziano (2002:15): “a essência do fanatismo reside no desejo de forçar as outras pessoas a mudarem. A inclinação comum de melhorar seu vizinho, de consertar seu cônjuge, de guiar seu filho ou de endireitar seu irmão, em vez de deixá-los ser.”.

Oz reposiciona o conceito com novas definições, sem alterar a sua essência de preconceito, intolerância, destruição e morte. Para o autor, o fanático quer obrigar as outras pessoas a fazerem exatamente o que ele quer.

Mas há um componente “político” muito importante — sobretudo para tempos como os nossos em que, a partir do FlaFlu infinito e interminável entre os que assumem ideologias antagónicas, é preciso estar “nem tanto ao Céu e nem tanto à Terra”, para que se estabeleçam e mantenham as (necessárias e úteis) dialógicas dos distintos ambientes em que se convive. A esses Amós chama de moderados, os únicos capazes de enfrentar e deter os fundamentalistas de lado a lado.

Esta é uma mensagem importante para os dias atuais, em que se busca impor uma/algumas ideia(s), filosofia(s) ou crença(s), como se todos devessem entender a realidade e o mundo de uma única maneira. O fanatismo. Inclusive é ainda mais perigoso e com efeitos devastadores quando a imposição de crenças alcança os cenários social e político. Corre-se sérios riscos. De ditaduras: religiosas, políticas, conviviais-sociais.

Por isso, é importante que a linguagem seja clara, mas respeitosa. Que não se imponha ao outro, sob qualquer hipótese. Porque a finalidade da comunicação é ser ponte (e não muro) entre as pessoas.

Então, mesmo considerando a materialidade do mundo, onde a realidade se impõe e se consagra, não devemos deixar de lado a imaginação — que é criativa e transcendente — que plasma um mundo melhor, à frente, sobretudo porque ela permite que, em muitos casos, a vida não seja assim tão dura.

Amós, então, nos convida a imaginar e viver, aperfeiçoando nossa linguagem e nos afastando de qualquer fanatismo. E eu agradeço o Manoel Fernandes Neto por ter NOS convidado a refletir a partir dos paradigmas do escritor israelense. Até uma próxima, dica, Neco!

 


 

Fontes:

 

Saint-Exupéry, A. (2013). “O pequeno príncipe”. Trad. Ferreira Gullar. Rio de Janeiro: Agir.

 

Fernandes Neto, M. (2025). Amós Oz: fanatismos, linguagem e imaginação. “Jornal GGN”. Opinião. Disponível em: <Acesse o texto>. Acesso em 2. Nov. 2025.

 

Oz, A. (2002). “Contra o fanatismo”. São Paulo: Ediouro.

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo é uma reflexão ensaística e pessoal sobre a natureza e a resistência ao fanatismo em suas diversas manifestações — religiosa, política e social.

    Pontos Chave

    Definição Ampliada: O autor argumenta que o fanatismo transcende o âmbito religioso, sendo uma adesão exacerbada e intolerante a ideias ou causas, que substitui a razão por dogmas e exclui perspectivas divergentes.

    O Fanatismo como Questão Interna: Baseado na crônica de um amigo (Manoel Fernandes Neto) sobre o autor israelense Amós Oz (e sua obra "Contra o Fanatismo"), o artigo adota a metáfora da "fagocitose" para sugerir que o fanatismo é algo que permitimos entrar e nos consumir.

    A Essência do Fanatismo: Retomando Oz, o texto destaca que a essência fanática reside no desejo de forçar os outros a mudarem ("melhorar seu vizinho, consertar seu cônjuge"), em vez de "deixá-los ser", manifestando-se tanto em relações interpessoais quanto em cenários políticos.

    Resistência através da Moderação: O artigo ressalta a importância dos moderados (como defendia Oz) para enfrentar os fundamentalismos em tempos de polarização política e ideológica ("FlaFlu infinito").

    Ferramentas de Resistência: A conclusão apela para o uso de uma linguagem clara e respeitosa (que seja "ponte, e não muro") e para a imaginação criativa e transcendente, como meios de nos afastarmos do fanatismo e vislumbrar um mundo melhor.

    Conclusão

    Trata-se de um apelo à tolerância, ao diálogo e à liberdade de pensamento, alertando para os riscos de ditaduras (religiosas, políticas ou sociais) que surgem quando a imposição de crenças se torna dominante.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

UMA PROSA COM DIVALDO

“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo”. – (Lucas, 3:14). Ao longo dos nossos estudos evangélico-doutrinários, percebemos que a história do Cristianismo, bem como a do Espiritismo, são ricas de passagens significativas relacionadas a militares. E estes, mesmo empunhando uma arma como instrumento profissional, mantiveram, acima de tudo, a sua fé em Deus e confiança em Jesus, Modelo e Guia de todos os cristãos sinceros, independente das suas atribuições. Percebemos também que o militar espírita, longe de se enganar como sendo um privilegiado possuidor de poderes temporais, diferenciado das demais pessoas, estará sempre atento para com as suas responsabilidades respeitando, acima de tudo, as Superiores Leis da Vida, pelas quais se orienta. Retirando toda e qualquer pretensão e ostentação, respeitando os vultos conhecidos e desconhecidos da his...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

MORAL À LUZ DO ESPIRITISMO

  Por Doris Gandres                                         A definição de moral, à luz dos princípios espiritistas, está transcrita na resposta à q.629 do Livro dos Espíritos – “moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos.”             Certamente ainda estamos um tanto longe de visar estritamente o bem e não as vantagens pessoais e, dificilmente, particularmente o bem de todos...             José Herculano, em seu comentário à resposta da q.636 do mesmo livro, na edição por ele traduzida, afirma que “os sociólogos confundiram moral e costumes”; e conclui: “A moral relativa é a convencional, enquanto a moral absoluta é a ditada pela aspi...

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PODE NOS TORNAR PESSOAS MELHORES?

      Por Wilson Garcia Acumulamos poder antes de acumular sabedoria suficiente para utilizá-lo plenamente. Há pouco tempo, a pergunta pareceria ficção científica. Hoje, ela surge naturalmente em salas de aula, ambientes de trabalho, grupos religiosos e até nas conversas familiares: pode a Inteligência Artificial nos ajudar a sermos pessoas melhores? A questão é fascinante porque toca simultaneamente dois dos maiores desafios da humanidade contemporânea: o avanço tecnológico e a busca por sentido. Nunca dispusemos de tanto conhecimento acumulado, de tantas ferramentas de comunicação e de tamanha capacidade de processamento de informações. Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão urgente refletir sobre o que significa ser humano.

A ANATOMIA DE UM ABANDONO: DO CAPITALISMO DESTRUTIVO À TEOLOGIA DO CUIDADO

    Por Jorge Luiz.            O Corpo como Sentença Político-Espiritual A obra literária “Quem Matou meu Pai” , de Édouard Louis, é um monólogo biográfico nascido de uma dor visceral. O relato parte do encontro com seu pai — um homem que, após uma vida de trabalho manual na fábrica e um grave acidente laboral, encontra-se doente, com dificuldades para andar e respirar, reduzido a uma "invalidez" física. Esse corpo quebrado é o ponto de partida para que o autor, com uma voz apaixonada e urgente, questione os culpados pela destruição da saúde e da dignidade do seu progenitor.             Na realidade, o relato de Louis faz-nos reconhecer, na sua história, a trajetória de milhões de indivíduos e as “digitais do poder” na anatomia da vida quotidiana. É um relato sobre a luta de classes, o afeto e o apagamento — um grito que ecoa em um tempo em que a gestão técnica tenta silenciar o...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

ALLAN KARDEC: HUMANISTA E HUMANITARISTA

No período denominado por alguns historiadores de Alta Idade Média, situado entre os séculos XIV e XV, teve início, na Itália, um movimento filosófico-cultural que objetivava mudar os valores patrocinados pelo domínio da Igreja. O Humanismo, como foi conhecido no século XVII, apesar de desenvolver-se em várias direções e tendências, apresentava em comum o respeito à individualidade e o reconhecimento do ser humano como dotado de potencialidades e habilidades que lhe favorecem o desenvolvimento e a condução do próprio destino. É natural que, ao se levar em conta essas qualidades distintivas, se é levado a reconhecer um Humanismo Clássico, já encontrado na Grécia e na Roma antigas, em que se inspiraram os humanistas medievais na direção do movimento renascentista.