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JUSTIÇA E PAZ*

 

 

 

Por Doris Gandres

"Bem aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus." Jesus

      Em abril de 1970, Divaldo Franco nos brindou com um belíssimo livro: Poemas de Paz, do Espírito que se identificou com o nome de Simbad. Nesse livro, calcado em ensinamentos de Jesus referentes à paz e consoante ao Evangelho Segundo o Espiritismo, o Amigo Espiritual, utilizando o formato de um diário, reservou sempre um conceito para meditação a cada um dos dias do ano.

      Relendo com mais atenção, encontrei conceitos verdadeiramente preciosos, ricos de conteúdo próprio inclusive à presente situação político-social da humanidade terrena. Atualmente, face a tantos desmandos e desigualdades, debate-se a nossa nação em busca de justiça e paz, em muitas ocasiões de maneira inadequada pois que, na sua angústia e ansiedade, se atrapalha e se perde. E isso não acontece só no nosso Brasil...

     Em Obras Póstumas, no Capítulo Questões e Problemas - Expiações Coletivas, Allan Kardec esclarece com o discernimento que lhe é próprio: "As convulsões sociais são revoltas dos Espíritos encarnados contra o mal que os acicata, índice de suas aspirações a esse reino de justiça pelo qual anseiam, sem, todavia, se aperceberem claramente do que querem e dos meios de consegui-lo. Por isso é que se movimentam, agitam, tudo subvertem a torto e a direito, criam sistemas, propõem remédios mais ou menos utópicos, cometem mesmo injustiças sem conta, por espírito, ao que dizem, de justiça, esperando que desse movimento saia, porventura, alguma coisa" .

     Ao compreendermos o esclarecimento acima, podemos igualmente compreender e concordar com o Amigo Espiritual Simbad quando nos diz que "a maior manifestação dos que amam é a justiça, e o prêmio do justo é a coroa da paz". Que linda e profunda colocação... Não foi nosso Mestre maior, Jesus de Nazaré, quem nos pediu "amai-vos uns aos outros como eu vos amei"? E quem também nos deixou o sentido maior de justiça ao nos ensinar "fazei ao outro o que quereis que o outro vos faça"? Consequentemente entendemos perfeitamente que amor e justiça precisam caminhar juntos ou não será possível, tão cedo, alçar o planeta a um patamar evolutivo melhor, onde reine a paz e a dignidade entre todos.

     Mas também não basta entender, concordar - é preciso buscar praticar esse ensinamento o tanto quanto possível a cada um de nós, a partir do aqui e agora, onde quer que seja nosso campo de atuação, qualquer que seja a nossa situação na comunidade em que nossas necessidades educativas visando nosso progresso espiritual nos colocaram. Somos seres pensantes, gregários, coletivos, como nos explica um Espírito na Revista Espírita de março de 1867: "O homem não é um ser isolado; é um ser coletivo. O homem é solidário do homem. É em vão que procura o complemento de seu ser, isto é, a felicidade em si mesmo ou no que o rodeia isoladamente: não pode encontrá-la senão no homem ou na humanidade, tanto que a infelicidade de um membro da humanidade, de uma parte de vós mesmos, poderá vos afligir" .

      Chegamos ao mês de setembro, quando, além de se comemorar o dia nacional da independência do Brasil do domínio (ostensivo) estrangeiro, fruto justamente do esforço e da coragem de membros da nação, festeja-se a chegada da primavera, estação do ano que nos presenteia com o renascer da natureza, aparentemente sem vida, mas simplesmente adormecida, à espera da ocasião propícia à explosão de cores e flores...

     Assim acontece também com a criatura - a cada reencarnação, que podemos simbolizar com a primavera da natureza, vemos renovadas as nossas oportunidades de colorir a vida terrena com melhores cores, mais bonitas, amenas e alegres; e de oferecer à humanidade as flores perfumadas das nossas ações e atitudes no bem coletivo, abandonando a estação invernal fria e improdutiva da omissão. Ouvimos falar da primavera árabe há poucos anos - que possamos instituir a primavera da fraternidade e da solidariedade verdadeiras, indiscriminada e incondicionalmente, seguindo o aconselhamento de Kardec, ainda em Obras Póstumas, mesmo capítulo:

     " O reinado da solidariedade e da fraternidade será forçosamente o da justiça para todos, e o da justiça será o da paz e da harmonia entre os indivíduos, as famílias, os povos e as raças. Virá esse reinado? Duvidar do seu advento seria negar o progresso" .

     Assim, irmãos de ideal, se o que efetivamente queremos é paz e harmonia, comecemos persistentemente a realizar a justiça e a vivenciar o amor fraterno no nosso cotidiano, nas pequeninas, mas importantíssimas oportunidades do nosso dia a dia, cultivando dentro de nós o "Cristo imanente", o reino de Deus, "que não está aqui nem acolá, mas dentro de nós", como nos assegurou o Mestre Nazareno.

 

 

*publicado originalmente no site do Correio Espírita, em setembro de 2013.

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