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COMO SOBREVIVER AO TEMPO DA MORTE?

 

Nascer do sol no Morro da Urca-RJ

Por Ana Cláudia Laurindo

Não estamos presenciando apenas um “novo tempo” cronológico, mas uma nova forma de ser em um tempo marcado por desafios novos e isto não significa necessariamente, um avanço.

A virtualidade associada ao dinheiro e ao consumo, vociferam contra as maneiras conhecidas de maturação, formação e afirmação das habilidades humanas, que deram suporte à modernidade. Tudo acontece muito rápido, e as exigências estão ligadas aos efeitos, e não aos elementos qualitativos, que passaram de fundamentais para mote de desdenha.

Assim nos despedimos de uma geração de artistas no Brasil e no mundo. Assim assistimos a descrença na ciência como rédea da mediocridade galopante. E passamos a acreditar que brilho comprado pode substituir saberes forjados nas lutas e nos estudos, sob a tarja de aprovação das redes sociais.

A vida real relegada à solidão tem abafado os gritos dos vencidos, porque o eco da miséria não pode mais ser ouvido.

Tudo é festa, riso e barulheira, para ser apreciado em vídeos.

O sentido do ser desvencilhado da arte de sobreviver, pode ser o inferno gourmet que Dante não imaginou. E os tribunais estão mantidos para julgarem ao velho modo, discriminando gente pela classe social, raça, gênero e comportamento, se estes não se acoplarem de alguma forma ao projeto de imbecilização fantástica, produzindo misérias engraçadas para o grande público se entreter sorrindo de si mesmo.

Não houve avanço humanitário e o desgosto de ouvir notícias sobre o assassinato de crianças passou a compor os cafés que tomamos com amargura.

Vem um ano novo e nossos olhares opacos não preveem o fim do morticínio planejado. Em todos os pontos do globo terrestre o capitalismo despedaça gente, concentrando nas mãos sanguinárias as últimas decisões enquanto as big techs fabricam apoiadores do mal, como crentes da força e do entretenimento.

Caberá aos que acreditamos na sobrevivência não desistirmos das sementes.

Sobreviver será a chave para não entregar a história.

Por essa razão, mesmo sabendo olhar e enxergar, precisamos plantar essa crença no amanhã que se esconde em qualquer brecha desse hoje sombrio, mas que também vai passar.

E no dia da luz a semente terá energia para brotar.

Não desista.

Comentários

  1. Leonardo Ferreira Pinto6 de janeiro de 2025 às 17:42

    Pouco tempo resta a mim e minha geração. Triste fico ao imaginar o que meus netos herdarão

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