Pular para o conteúdo principal

KARDEC: CÉTICO POR NATUREZA E EDUCAÇÃO

 

Por Jorge Luiz

        Pululam no movimento espírita características da personalidade de Allan Kardec, decorrentes da necessidade de se contextualizá-lo para que os fundamentos da Doutrina Espírita se tornem mais compreensíveis, o que sempre se fez necessário, embora o ranço religioso que o movimento espírita tomou o impedisse. É preciso andar com cuidado nessa direção para que não se desprezem as principais características de Kardec: o de cientista do invisível e de cético por natureza e educação.

            Para Myers (2021), Jon Sobrino atesta que “o acesso ao Cristo da fé só se dá mediante o nosso seguimento do Jesus histórico”. A assertiva serve para os espíritas quanto à fé espírita, em relação à historicidade de Allan Kardec.

             Anna Blackwell, que conheceu Allan Kardec e inclusive traduziu algumas de suas obras para a língua inglesa, ao descrevê-lo, inclusive quanto à estatura física, caracteriza-o como ativo e tenaz, mas de temperamento calmo, precavido e realista até quase à frieza, cético por natureza e por educação, argumentador lógico e preciso, e eminentemente prático em suas ideias e ações, distanciado assim do misticismo e do entusiasmo (WANTUIL e THIESEN, 1984).

Anna Blackwell, amiga pessoal do casal Allan Kardec

             Ceticismo

         O indivíduo cético, para os dias atuais, soa primeiramente como descrente, ou aquele que tem uma atitude negativa sobre o pensamento. Ou, até mesmo, que não se pronuncia sobre nada, sobre qualquer coisa que aconteça, refugiando-se na crítica.

A etimologia da própria palavra vem do grego (skepsis), que significa exame.

           O ceticismo enquanto filosofia consta que foi elaborado por Pirro, por volta dos anos 300, nos distantes século IV e III a.C., que tem em sua gênese que nada nasce do nada. Na mesma época em que apareceram as escolas epicuristas e estoicas, cujos fundadores, Epicuro e Zenão de Cício, nasceram algumas décadas depois. A história do pensamento estabelece relações entre os nomes destas três doutrinas tão divergentes em suas premissas, mas tão convergentes em suas conclusões morais; isto é, na maneira de elas conceberem a felicidade humana. (VERDAN, 1998). O ceticismo, como filosofia, tem um caminho labiríntico através da história do pensamento humano.

             Ceticismo e Cristianismo

         Santo Agostinho é o primeiro filósofo a retomar o pensamento dos gregos e a ter, de algum modo, revivido a experiência da dúvida, ganhando três características novas: a) a dúvida é vivida, quando Agostinho mostra a impossibilidade de separar as funções da alma. A unidade de espírito humano confere a dúvida da dimensão total de um completo desespero; b) ao tempo que é desesperadora e existencial, a dúvida é uma experiência, onde lhe é conferida uma intensa partícula: a dúvida é passageira e dura um momento. Interessante que Agostinho deixa de lado o caráter de exame, e irá assumir com o cristianismo, para uma investigação da verdade, por considerar que a ciência não está no poder de possuí-la; c) ao mesmo tempo que a dúvida constitui uma experiência, ela é, não obstante, também um momento, no sentido dialético, do itinerário filosófico. No itinerário do cristão, a dúvida o marca como o ponto de passagem obrigatório que constitui a permanência no purgatório, a prova necessária do pecado, o encontro das trevas do erro, cuja função revela as insuficiências de uma ciência ateia ou de uma certeza não fundada num Deus garantidor das verdades eternas. A dúvida é, pois, o momento da negação que transforma o saber humano numa certeza fundada na segurança de uma fé divina. (DUMONT, 1986).

             Anna Blackwell e o ceticismo de Kardec

         O século XVIII, conhecido como o “século das luzes”: o pensamento desse século aparece como questionamento geral de todos os sistemas filosóficos elaborados anteriormente, em particular o de René Descartes. Na verdade, há no clima intelectual do século XVIII, uma verdadeira corrente de ceticismo, uma atitude análoga dos antigos pirrônicos em relação à filosofia “dogmatista”.

            A crítica à especulação metafísica e ao cristianismo, tão difundida na época das “luzes”, prosseguiu e se adentrou no decorrer do século XIX. Essas tendências encontram sua expressão mais sistemática na filosofia positivista de Augusto Comte.

            Por outro lado a ciência, concebida como um conhecimento dos fenômenos e das leis que os regem, adquiriu uma autoridade e um prestígio que, aliás, o entusiasmo dos Enciclopedistas pela “filosofia experimental” deixara pressagiar no século precedente. Assim, um verdadeiro dogmatismo científico tendeu a substituir o dogmatismo metafísico ou teológico. (VERDAN, 1998)

            É nesse caldeirão que Allan Kardec reencarnou, com uma herança espiritual, pelo menos naquilo que nos é possível saber, além da do sacerdote druídico, que a utiliza como pseudônimo, Jan Huss, educador e reformador tcheco, que foi o grande precursor da reforma Luterana, condição que se revela logo nos seus 15 anos, quando aspirava uma reforma religiosa, segundo Maurice Lachâtre.

             Kardec, o fenômeno espírita e o ceticismo

A primeira notícia que Kardec obteve sobre os fenômenos das mesas girantes ocorreu com o Sr. Fortier, em 1854, quando de pronto mencionou: “É com efeito muito singular, respondeu: mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. No segundo encontro, o Sr. Fortier acrescentou que as mesas respondiam, interrogadas; Kardec disse: “Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé.”

No primeiro e real contato com o fenômeno das mesas girantes, ele concluiu que “naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, foi tomada a estudar profundamente.”

Kardec, como ele mesmo afirma, aplicou à nova ciência o método experimental que sempre se utilizara, nunca elaborando ideias preconcebidas, e observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos efeitos remontava às causas, por dedução e encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades em questão. São explícitas nesses primeiros momentos, em sua personalidade, as características definidas por Blackwell que figuram no título do presente artigo.

Um outro momento revelador, cujos alguns espíritas ainda padecem dessa conclusão, é que os Espíritos, nada mais sendo que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral, que os saberes se circunscreviam ao grau que haviam alcançado de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Kardec, nessas conclusões, protegeu-se de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por uns ou alguns deles. Para ele, os Espíritos foram, do menor ao maior, meios de informação e não reveladores predestinados. Tais disposições, como ele mesmo afirma, empreenderam em seus estudos e neles prosseguiu sempre. Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente seguiu.

Educador por excelência, a princípio se utilizou do contato com os Espíritos com o propósito de se instruir, ao perceber que tudo tomava o corpo de uma Doutrina, e resolveu publicar os ensinos recebidos que constituíram a base de O Livro dos Espíritos (KARDEC, 1987).

Desconhecido dos espíritas, contexto que se inclui esse mediano resenhista, na ânsia de torná-lo conhecido, repito, o seu caráter de cientista vem sendo tomado, em alguns momentos, com defeitos, maculando a sua denodada dedicação, seu singular devotamento e a ausência de espírito de sistema, o que contraria os que o acusam de positivista, pelo contexto descrito acima, ou até mesmo, pelo aceno exagerado ao catolicismo.

Kardec não apela para as excentricidades, e ao se esconder em um pseudônimo, não denuncia pusilanimidade, mas sim a sensatez que o caracteriza.

 

 

Referências:

DUMONT, Jean-Paul. Ceticismo.  Encyclopédia Universales. Tradução de Jamir Conte. França, 1986.

INCONTRI, Dora. Para entender Kardec. São Paulo: Lachâtre, 2004.

KARDEC, Allan. Obras póstumas. Brasília: FEB, 1987.

VERDAN, André. O ceticismo filosófico. Santa Catarina: UFSC, 1998.

WANTUIL, Zeus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec: pesquisa bibliográfica e ensaios de interpretação. Vol. III. Brasília: FEB, 1987.

 

Comentários

  1. Este é um dos principais pontos que falta ao grande público espírita, espíritas e não espíritas. Trilhamos um espiritismo institucional que nos afasta da criticidade, da História e das outras Ciências que colaboram com o trato da consciência humana. Parabéns Querido Amigo, fique em Paz.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

EXPRESSÕES QUE DENOTAM CONTRASSENSO NA DENOMINAÇÃO DE INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

    Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM )                                                     Por Jorge Hessen     No movimento espírita brasileiro, um elemento aparentemente periférico vem produzindo efeitos profundos na percepção pública da Doutrina Espírita. Trata-se da escolha dos nomes das instituições.  Longe de constituir mero detalhe administrativo ou expressão cultural inofensiva , a nomenclatura adotada comunica valores, orienta expectativas e, não raro,  induz a equívocos graves quanto à natureza do Espiritismo . À luz da codificação kardequiana, o nome de um centro espírita jamais é neutro; ele é, antes, a primeira  síntese doutrinária oferecida ao público . Desde sua origem, o Espiritismo foi definido por Allan Kardec como uma doutrina de tríplice aspecto...

SILÊNCIO, PODER E RESPONSABILIDADE MORAL: A JUSTIÇA ESPÍRITA E A ÉTICA DA PALAVRA NÃO DITA

  Por Wilson Garcia   Há silêncios que protegem. Há silêncios que ferem. E há silêncios que governam. No senso comum, o ditado “quem se cala consente” traduz uma expectativa moral básica: diante de uma interpelação legítima, o silêncio sugere concordância, incapacidade de resposta ou aceitação tácita. O direito moderno, por sua vez, introduziu uma correção necessária a essa leitura, ao reconhecer o silêncio como garantia individual — ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Trata-se de um avanço civilizatório, pensado para proteger o indivíduo vulnerável frente ao poder punitivo do Estado. O problema começa quando esse direito — concebido para a assimetria frágil — é apropriado por indivíduos ou instituições fortes, que não se encontram em situação de coerção, mas de conforto simbólico. Nesse contexto, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser estratégia. Não responde, não esclarece, não corrige — apenas espera. E, ao esperar, produz efeitos.

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

COMPULSÃO SEXUAL E ESPIRITISMO

  Certamente, na quase totalidade dos distúrbios na área da sexualidade, a presença da espiritualidade refratária à luz está presente ativamente, participando como causa ou mesmo coadjuvante do processo. O Livro dos Espíritos, na questão 567, é bem claro, ensinando-nos que espíritos vulgares se imiscuem em nossos prazeres porquanto estão incessantemente ao nosso redor, tomando parte ativamente naquilo que fazemos, segundo a faixa vibratória na qual nos encontramos. Realmente, na compulsão sexual ou ninfomania, a atuação deletéria de seres espirituais não esclarecidos é atuante, apresentando-se como verdadeiros vampiros, sugando as energias vitais dos doentes. O excelso sistematizador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, em A Gênese, capítulo 14, define a obsessão como "(...) a ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo". Diz, igualmente, que "ela apresenta características muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem sin...

ESSENCIALMENTE EDUCATIVO

  Por Orson P. Carrara A Doutrina Espírita é essencialmente educativa. Seu objetivo é a melhora moral de todos aqueles que se conectam ao seu inesgotável conteúdo, sempre orientativo e luminoso. Aliás, como indicou o próprio Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, no comentário acrescentado à resposta da conhecida e sempre comentada questão 685-a de O Livro dos Espíritos, referindo-se a um elemento capaz de equilibrar as relações sociais e seus desdobramentos nos diversos segmentos com suas especificações próprias: “(...) Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. (...)”

FÉ E CONSCIÊNCIA DE CLASSE: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DA LUTA ENTRE OPRESSORES E OPRIMIDOS NOS EVANGELHOS.

    Por Jorge Luiz   Para Além do Chão da Fábrica: A Luta de Classes na Contemporaneidade Até hoje, a história de todas as sociedades é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e aprendiz; em resumo, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travando uma luta ininterrupta, ora aberta, ora oculta — uma guerra que terminou sempre ou com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com a destruição das classes em luta. Assim, Karl Marx e Friedrich Engels iniciam o desenvolvimento das ideias que comporão o Manifesto do Partido Comunista (Marx & Engels, ebook). As classes determinadas por Marx – burguesia e proletariado – não surgem de um tratado sociológico, são consideradas a partir das relações da reprodução da forma da mercadoria, frente os antagonismos e as contradições entre os opressores e oprimidos, a partir da apropriação do excedente da produç...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...