Pular para o conteúdo principal

"LET IT BE": DEIXE ESTAR, DEIXE ROLAR!

 

 

Por Marcelo Henrique

When I find myself in times of trouble

Mother Mary comes to me

Speaking words of wisdom, let it be

 

And in my hour of darkness

She is standing right in front of me

Speaking words of wisdom, let it be


Let it be, let it be

Let it be, let it be

Whisper words of wisdom, let it be

 *

 Quando eu me encontro em momentos difíceis

Minha mãe Maria vem para mim

Falando palavras de sabedoria, deixe estar

 

E nas minhas horas de escuridão

Ela está em pé bem na minha frente

Falando palavras de sabedoria, deixe estar.

 

Deixe estar, deixe estar.

Deixe estar, deixe estar.

Sussurrando palavras de sabedoria, deixe estar.

 

(“Let it be”, Paul McCartney – John Lennon)

 

***

 Recentemente, vi uma entrevista de Sir Paul McCartney, um dos maiores compositores e cantores do Pop Rock Mundial, estrela do quarteto fantástico (Fab4), os “The Beatles”. Vi, também, que as declarações de Paul foram relembradas por ele em um “reels” do Instagram.

Paul relata que, ainda bem jovem, estava envolto às (costumeiras) preocupações da vida. Os embates, as lutas, o desejo de progredir, a carreira profissional, os sonhos, os desejos. Coisas, aliás, que são comuns a todos nós, quando estamos encarnados – limitados, portanto, em razão das condições peculiares à vida material que, como disseram as Inteligências Invisíveis a Allan Kardec, são como “prisões temporárias”.

O músico então, retrocedendo à memória daqueles dias iniciais de juventude, lá pelos anos 1960, contou que, numa noite, sonhou com sua mãe, Mary (para nós, Maria), já desencarnada. E, no sonho, ela o aconselhou, de modo a tranquilizar o filho: “Vai ficar tudo bem, apenas deixe rolar”. E, naquele instante, ele olhou para si mesmo e disse: – Mas é isso mesmo, garoto! Isto é genial Ela me deu a palavra mágica, positiva…

Cumpre destacar que, durante o sono, nos sonhos que temos (e daqueles que nos recordamos, conscientemente, quando despertamos) é muito comum reencontrar pessoas falecidas, nossos entes queridos. E os encontros são, muitas vezes, reais, ou seja, eles realmente aconteceram e as conversações tidas com nossos mais caros é verdadeira! A sintonia e, principalmente, os laços de família, como explicitaram os Espíritos a Kardec, se mantêm e se ampliam, fortalecendo as (boas) relações com os nossos afetos.

Voltando ao relato do ex-Beatle, quando ele acordou e se lembrou do sonho, riu consigo mesmo e pensou: – O que foi isso? O que ela me disse mesmo? Deixar rolar, que tudo ficará bem? Eu nunca ouvi tal coisa, mas é isso mesmo! Então, eu compus “Let it be”, com aquela positividade de minha mãe…

Agora, sou eu quem vai perguntar a você, leitor ou leitora, o que você faz, em geral, diante daquelas situações que lhe “tiram” o sono, que fazem com que o seu semblante esteja “carregado”, que alteram o seu humor e que lhe fazem, muitas vezes, perder o equilíbrio ou a esperança?

Estes dias conversava com minha esposa, Júlia, e ela me dizia que muitos estudos estatísticos, feitos com pessoas que se submeteram a determinados experimentos psicológicos e pedagógicos, quando solicitadas a relembrar as situações de “risco”, de dificuldade, das problemáticas comuns e diversas que compõem a nossa existência – algumas mais agudas do que outras, claro – em que a nossa mente já estava “lá na frente”, projetando os “resultados” (ruins, na maior parte das vezes), foi-lhes perguntado: quantos destes “resultados” ou efeitos realmente aconteceram? Poucas vezes, foi a resposta de praticamente todos os que foram pesquisados.

No fundo, nos parece ser essa a mensagem que a canção magnífica de Paul/John nos quer mostrar. Provas e expiações – nos ensina o Espiritismo – são elementos comuns à vida de TODOS os Espíritos. Aprendizados decorrem de experiências. E, enquanto não formos suficientemente experientes e preparados para fazer MELHORES ESCOLHAS, estaremos sujeitos a dificuldades, dores, insucessos… Em outras palavras, isto faz parte da vida!

Mas… Como demonstraram as pessoas ouvidas nem tudo o que nos “assombra”, hoje, prevendo como poderá ser o nosso futuro, irá, de fato, ocorrer.

Então, que “deixemos estar” e que “deixemos rolar”… Enquanto “não rola”, isto é, no antes e no durante e, também, no depois, se “não rolar”, isto é, se não acontecer, teremos vivido O MOMENTO. Teremos sido nós mesmos, fazendo o possível para sermos felizes.

É, Paul, eu tenho, mesmo, nos últimos tempos repetido, em ações, o mesmo “Let it be” que eu cantarolo sempre… E você, leitor ou leitora, o que tem feito, nessas situações?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

EXPRESSÕES QUE DENOTAM CONTRASSENSO NA DENOMINAÇÃO DE INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

    Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM )                                                     Por Jorge Hessen     No movimento espírita brasileiro, um elemento aparentemente periférico vem produzindo efeitos profundos na percepção pública da Doutrina Espírita. Trata-se da escolha dos nomes das instituições.  Longe de constituir mero detalhe administrativo ou expressão cultural inofensiva , a nomenclatura adotada comunica valores, orienta expectativas e, não raro,  induz a equívocos graves quanto à natureza do Espiritismo . À luz da codificação kardequiana, o nome de um centro espírita jamais é neutro; ele é, antes, a primeira  síntese doutrinária oferecida ao público . Desde sua origem, o Espiritismo foi definido por Allan Kardec como uma doutrina de tríplice aspecto...

ENCANTAMENTO

  Por Doris Gandres Encanta-me o silêncio da Natureza, onde, apesar disso, com atenção, podem-se perceber ruídos sutis e suaves cantos, quase imperceptíveis, das folhas e das aves escondidas. Encanta-me o silencioso correr dos riachos e o ronco contido de pequenas quedas d’água.

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

ESSENCIALMENTE EDUCATIVO

  Por Orson P. Carrara A Doutrina Espírita é essencialmente educativa. Seu objetivo é a melhora moral de todos aqueles que se conectam ao seu inesgotável conteúdo, sempre orientativo e luminoso. Aliás, como indicou o próprio Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, no comentário acrescentado à resposta da conhecida e sempre comentada questão 685-a de O Livro dos Espíritos, referindo-se a um elemento capaz de equilibrar as relações sociais e seus desdobramentos nos diversos segmentos com suas especificações próprias: “(...) Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. (...)”

FÉ E CONSCIÊNCIA DE CLASSE: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DA LUTA ENTRE OPRESSORES E OPRIMIDOS NOS EVANGELHOS.

    Por Jorge Luiz   Para Além do Chão da Fábrica: A Luta de Classes na Contemporaneidade Até hoje, a história de todas as sociedades é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e aprendiz; em resumo, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travando uma luta ininterrupta, ora aberta, ora oculta — uma guerra que terminou sempre ou com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com a destruição das classes em luta. Assim, Karl Marx e Friedrich Engels iniciam o desenvolvimento das ideias que comporão o Manifesto do Partido Comunista (Marx & Engels, ebook). As classes determinadas por Marx – burguesia e proletariado – não surgem de um tratado sociológico, são consideradas a partir das relações da reprodução da forma da mercadoria, frente os antagonismos e as contradições entre os opressores e oprimidos, a partir da apropriação do excedente da produç...

SILÊNCIO, PODER E RESPONSABILIDADE MORAL: A JUSTIÇA ESPÍRITA E A ÉTICA DA PALAVRA NÃO DITA

  Por Wilson Garcia   Há silêncios que protegem. Há silêncios que ferem. E há silêncios que governam. No senso comum, o ditado “quem se cala consente” traduz uma expectativa moral básica: diante de uma interpelação legítima, o silêncio sugere concordância, incapacidade de resposta ou aceitação tácita. O direito moderno, por sua vez, introduziu uma correção necessária a essa leitura, ao reconhecer o silêncio como garantia individual — ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Trata-se de um avanço civilizatório, pensado para proteger o indivíduo vulnerável frente ao poder punitivo do Estado. O problema começa quando esse direito — concebido para a assimetria frágil — é apropriado por indivíduos ou instituições fortes, que não se encontram em situação de coerção, mas de conforto simbólico. Nesse contexto, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser estratégia. Não responde, não esclarece, não corrige — apenas espera. E, ao esperar, produz efeitos.

REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A SELEÇÃO FRANCESA DE FUTEBOL

  Arte sobre foto de François Xavier Marit AFP A Terra vive atualmente uma das crises migratórias mais grave da sua história. E esse número de imigrantes sempre está relacionado com guerras, crise econômica, direitos cerceados pelo poder local ou forças dominantes. Segundo dados estatísticos, anualmente, cerca de 200 milhões de pessoas se deslocam de um país para outro. A seleção francesa, campeã do mundo nesta copa, tem em seu time bi-campeão, 17 jogadores sendo imigrantes e filhos de imigrantes. É uma mensagem muito significativa nesses tempos de xenofobia extrema na Europa e das políticas anti-imigração para aqueles que as defendem. É uma seleção multicultural e multiétnica.