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PODE-SE CONSIDERAR O GOVERNO BOLSONARO UM SUCESSO?


 Por Roberto Caldas


Esse texto nasceu para ser paradoxal? Enfim, trazer essa questão, nem que seja interrogativa, para esse canal de divulgação parece no mínimo um ultraje. Afirmo que temos um espaço importante para caminhar até a finalização do que se propõe aqui. A resposta para essa pergunta norteadora do título é SIM, podemos considerá-lo um sucesso.

            Nesse ponto do raciocínio é fundamental buscar alguns conceitos básicos que auxiliem na premissa inicial. Para tornar isso possível, uma vasculha ao Dicionário Priberam e é desse apoio colhido em sua edição virtual que emanam a elucidação a seguir. Sucesso é “aquilo que sucede, que acontece; Resultado de ação ou empreendimento”. Objetivo é “aquilo que se pretende alcançar, conseguir ou atingir = alvo, fim, meta, propósito”.

            O que torna algo um sucesso é a execução dos propósitos e metas de forma que alcancem o êxito desejado. E o desejo que se encontra na base do que se empreende significa “vontade, aspiração”.

Dito isso é impossível a quem possua uma memória mediana ter-se esquecido das palavras que emanaram do pensamento rasteiro de Bolsonaro, logo após a sua posse como presidente. Ali, ele dispunha de forma não digo clara, porque clareza é algo que não provém do seu verbo, mas decidida quanto ao que pretendia fazer com os destinos do país.

Então, o Brasil vivia a consolidação de uma intervenção legalizada pela hipocrisia do legislativo e do judiciário, incentivada pela classe dominante escravagista sob os holofotes de uma imprensa cooptada e entreguista, com a derrubada de uma presidenta eleita pelas urnas injuriada por uma acusação de crime que não cometera. O país já vivia com perdas sociais e econômicas, quando da sua posse em 2019. Éramos, antes disso, a sétima economia global com tendência a alcançar a sexta posição.

O que vimos desde então é a execução da programação vomitada em seus primeiros movimentos pós-eleito. A sua sanha era exatamente um programa de DESTRUIÇÃO de “tudo isso aí”. Entenda-se que “tudo isso aí” queria dizer educação, saúde, direitos humanos, defesa e proteção das minorias e do meio ambiente, cotas nas universidades e até as próprias universidades e finalmente a destruição da “política da paz” com a abertura para compra de  armas de fogo por parte dos milicianos de plantão.

O que sucedeu desde a posse desse elemento foi  degradação social e moral do Brasil, não fosse bastante a queda econômica da sexta para a décima sétima no ranking dos países mais ricos do mundo. O país foi tornado pária mundial e as ruas das cidades brasileiras se tornando um horror com picos de violência ideológica e destruição da própria família por uma cizânia infame saída dos esgotos que a derrota de um determinado grupo depois da segunda guerra mundial havia sepultado. E pior, apoiado por grupos religiosos, incluídos alguns grupos de espíritas, que certamente apostam da volta de Jesus em sua figura nefasta.

Espíritas que somos, como é possível fazer coro a esse sucesso que destrói a vida de milhões de brasileiros enquanto prospera incólume sob os aplausos e proteção de uma corja de parlamentares venais?

Sabe-se pelos estudos fundamentados por Allan Kardec que as hordas de Espíritos inferiores planejam e buscam executar os seus planos mais hediondos, e sem esquecermos que somente Deus é Poder, esses conspiradores das trevas conseguem estabelecer suas políticas de destruição aproveitando as lacunas geradas pelas imperfeições humanas.

Há planejadores e executores saídos do mais baixo estágio espiritual do mundo invisível que alimentam grupos de encarnados sintonizados com suas emanações “demoníacas”, apesar da não existência do demônio. Graças à filosofia política que esses seres tornam viáveis através dos seus comparsas que ocupam cargos nas instituições brasileiras, vindos do mesmo espaço espiritual daqueles, infelizmente o que vemos acontecer nas nossas ruas tem o carimbo do sucesso pestilento do governo Bolsonaro. Uma pena. Evangélicos afirmando que Jesus usaria pistola no lugar do “chicote”(se é que Ele usou) e fazendo analogia do Mestre com o messias, enquanto é possível ver fotografias e vídeos de espíritas fazendo movimento de ARMA com a interposição dos dedos polegar e indicador.

E se era a DESTRUIÇÃO que o seu discurso de posse pregava, ele teve sucesso até agora em seu alvo. Vè-se tal destruição no retorno do Brasil ao Mapa da Fome pela Unesco, cuja população em sua maioria (135 milhões) vive em insegurança alimentar enquanto 25 milhões de pessoas vivem malogradamente na linha abaixo da miséria e não fazem uma refeição durante o dia. Apesar do Brasil ser a segunda nação em produção de alimentos. E temos a população armada, como se mostrava o seu desejo e foi o seu primeiro decreto depois de empossado – armar a população.

Há um consolo. É possível expulsar esses vândalos da cena nacional com as armas da paz, sem um único tiro de bala de fogo ou ações de agressividade. Os espíritas sabem que a Terra já passou por dezenas de zonas sombrias do pensamento e essa é apenas mais uma. Está chegando a hora de fazer esse grupo de facínoras voltarem ao lugar de onde vieram, - o lixo da história.

Por Sócrates, por Aristóteles, por Rousseau, por Pestalozzi, Por Kardec e principalmente por Jesus, se é que o espírita percebe o momento dramático vivido pela população brasileira nos últimos 6 anos e não são cooptados pelo ódio e pela destruição como forma de sucesso –  Precisamos com urgência dar um fim, enquanto cidadãos ativos na sociedade civil brasileira, ao sucesso das trevas iniciando a dissipar as nuvens escuras desse período para permitir que os ventos da prosperidade, respeito e igualdade voltem a ser a nossa ambição de sucesso. Esse sucesso a ser comemorado efusivamente por todos sem distinção.

 


Comentários

  1. Caríssimo Roberto!
    Muito oportuno e necessário seu artigo. Precisamos
    romper essa auréola de santidade que aliena o espírita das suas
    responsabilidades doutrinárias, socia e espirituais para a transformação
    da sociedade. Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Texto perfeito para a situação caótica do Brasil. Espíritos que se deliciam com o mal, não conhecem o Nazareno que trouxe o amor, a paz , a mansuetude.
    Espíritas que apoiam esse ser das trevas deveriam estudar muito, coisa que não fazem , pois trataram a casa espírita como área de lazer para ocuparem seus momentos de devaneios.

    Maurício Linhares

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