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ELA NÃO É FEITA DE VINGANÇA

 


É comum que nas disputas de todo gênero, especialmente quando envolvem bens, guarda de filhos ou supostos danos morais, ofensas consideradas graves, separações ou rompimentos afetivos, que a figura da vingança surja com toda força.

Esse rancor, guardado e alimentado muitas vezes durante décadas, é gerador de enfermidades, de ódios que ultrapassam gerações e de tragédias que atingem famílias inteiras. Um equívoco, todavia, nisso tudo. O sentimento de misericórdia nos convoca à modificação dos sentimentos, alijando a pesada carga do rancor, do desejo de vingança, do ódio contra alguém que muitas vezes está mais perturbado que nós próprios. O mundo melhor que todos desejamos não possui lugar para esses sentimentos, descontrolados e sem base no Amor. Esse raciocínio recebe o desprezo de muita gente que supõe que a justiça esteja sendo burlada, que o mal que recebemos será esquecido, e que o suposto agressor sairá vencedor e nós ficaremos prejudicados, além do sentimento de agressão que já temos recebido. Consideremos, porém, que a Grandeza de Deus não precisa de nosso ódio para corrigir um filho que se equivocou, que prejudica outros filhos seus, para que a Justiça funcione com perfeição. Não! Absolutamente. A justiça não é feita de vingança! Ela é feita de amor, de igualdade, de reparações com o tempo, de conscientização interior. Afinal, enquanto odiamos nosso perseguidor, nosso ofensor ou aquele que nos prejudicou, nos igualamos a ele. Entretanto, é bem interessante o que ocorre quando agimos ao contrário. Elevando-nos acima das próprias dores e ulcerações com o sentimento de compaixão pelos próprios adversários, movimenta-se a Justiça para retirar-nos do cárcere de dores que já não mais merecemos ou que estão superadas.

 

Peço ao leitor ler novamente o trecho final do último parágrafo. Quando usamos do perdão e da compaixão, a própria vida movimenta-se em nosso favor para remover outras dores, outros sofrimentos e obstáculos que ainda nos fazem sofrer. Isso é Lei. Se oferecemos a compreensão, o perdão e a compaixão, da mesma forma receberemos isso da vida nas ações em que nós mesmos fomos os algozes ou autores. Será que nos esquecemos dos inúmeros equívocos que praticamos contra os outros no curso da vida? Quem de nós poderá erguer a mão e dizer que nunca errou, que nunca ofendeu, que nunca maltratou, que nunca prejudicou outra pessoa? Por essa única pergunta podemos concluir que todos nós devemos compreensão e tolerância mutuamente, além dos esforços no exercício do perdão, sempre que necessário. Vingança é peso inútil, gerador de ódios e aflições, numa “bola de neve” que precisa ser interrompida com o exercício do perdão. Este sim, alívio para o coração, libertador de consciência, estímulo de felicidade.

 

Recomendamos aos leitores o livro Herdeiros do Novo Mundo, de Lúcius, por André Luiz Ruiz, que inspirou a presente abordagem, inclusive com pequenas transcrições parciais. A edição é do IDE, de Araras-SP.

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