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A BOCA E O CORAÇÃO

 


            A ciência comprova que a extensão percebida pelos nossos órgãos da audição joga para o imperceptível a maior parte dos estímulos sonoros que vibram em nosso entorno.  É conhecida a maior capacidade auditiva dos cães, elefantes e morcegos em relação aos humanos. Considerando que a espécie humana seja a única que desenvolveu a técnica da fonação dinâmica, muito além da simples repetição de palavras, parece que decidimos falar muito mais do que ouvimos.

            Provavelmente no mundo espiritual, e dessa forma a comunicação entre os Espíritos, o entendimento se faça através do pensamento, sem a necessidade da verbalização, ocorrendo de forma telepática, o que até entre os encarnados é um fenômeno conhecido. Assim, pensou foi ouvido, sem que haja mecanismo de produção de som nem a sua propagação.

            Deriva daí que o pensamento pode ser dito como o elemento aglutinador dos grupos que formam as vertentes de ideias que acabam sendo divulgadas através das palavras, que são os instrumentos da comunicação entre os encarnados. No final não são os sons emitidos que agregam os grupos, sim a sintonia dos pensamentos verbalizados. A defesa de ideias estabelece a compatibilidade do pensamento dos seus defensores.

            A ambiência espiritual/vibratória que compõe a casa mental de pessoas e grupos obedece à produção dos pensamentos, palavras e sentimentos que adornam o ideário defendido por aqueles. A qualidade inerente dos conteúdos exalados está diretamente dependente da condição de lucidez do emissor.

            Mateus (cap. 12) relata um sábado em que Jesus saiu desfazendo determinadas crenças da época e sofria insistentes ataques verbais e até tentativas de agressões. A sua essência de educador estabelece mais essa lição (Mt 12: 34 e 35): “- Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca; -  O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más”.

            Se substituirmos a palavra “coração” por “pensamentos” há de se entender onde se encontra o laboratório das atitudes que em palavras e atos se constrói o mundo que habitamos. O sentido do coração justifica as emoções e sentimentos que embalam as palavras que se emite numa plataforma de discussões, quando exteriorizados os conteúdos que geram um entendimento e a postura diante da vida.

            A essência do que se defende, tanto quanto o sentimento que se projeta diante dessa defesa é que categoriza a intencionalidade que define o grau de respeito que espelha a proposta que se pretende materializar.

            Qual o tom adequado para as palavras? Sempre é possível escolher. Se o pensamento é construtivo e a intenção amorosa, sem dúvida coração e boca haverão de exalar, sincrônicos, a musicalidade do entendimento e da fraternidade. Buscar essa sincronicidade é tarefa dos que cultivam a necessidade da construção da Paz, ainda que tardia. 

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