Pular para o conteúdo principal

FÉ INABALÁVEL E RAZÃO - O SIGNIFICADO DE RELIGIÃO PARA ALLAN KARDEC - PARTE II

 


2 - RELEGERE OU RELIGARE?

Para compreender o conceito de religião ao qual abraçou Kardec, temos que avaliar algumas questões de cultura7 e conceito. O termo religio, antes de pertencer ao domínio específico do religioso, esteve presente no cotidiano de Roma e foi empregado tanto nos cultos romanos quanto nos cultos da religião cristã. O termo em questão navegou entre duas etimologias possíveis, uma de origem cristã e outra romana, e a pergunta é: como podem dois princípios tão diferentes terem designado coisas tão distintas? Dubuisson explica que a palavra religio “só podia ser o sentido primeiro e muito especializado de uma palavra latina antes ordinária e que permaneceu assim até que os primeiros pensadores cristãos se apoderaram dela e favoreceram seu excepcional destino.” (DUBUISSON, 1998, p. 41).

O significado inicial romano de religio tinha um sentido de escrúpulo em relação ao culto, de um preciosismo em relação aos atos exteriores de adoração, aos quais os Romanos se orgulhavam grandemente, inclusive se autoproclamando, dentre todos os povos, o mais religioso:

“Quando Cícero fala da religião romana, o conceito de religio que utiliza tem como origem etimológica o termo relegere que deixa transparecer a “atenção escrupulosa, o respeito, a paciência, inclusive o pudor e ou a piedade”. A prática religiosa romana está associada ao zelo, a uma relação respeitosa com os deuses que torna necessária a repetição precisa dos ritos. Com isso, a realização correta dos rituais ganha extrema importância já que é a maneira de estar em contato direto com a divindade.” (AZEVEDO, 2010, p. 91).

Segundo esse conceito, é necessário que se empreenda uma escuta escrupulosa, tenaz e atenta ao que dizem os deuses, de forma que se escute aquilo que eles têm a dizer, o que justifica o uso dos oráculos pelos Romanos. Portanto, negligere, neste caso, era exatamente o contrário de religio, ou seja, não escutar o que os deuses diziam era negligenciar a divindade (AZEVEDO, 2010, p. 92). Cabe aqui uma observação: já que em nosso trabalho estamos falando de Espiritismo, a consulta aos espíritos por meio dos médiuns (que são os oráculos modernos) poderia levar a uma associação do Espiritismo, em uma primeira análise, ao relegere; no entanto, não é assim. A interpretação de que os espíritos que se manifestavam pelos oráculos eram deuses foi um equívoco que levou a religião ao erro; Kardec afirma que “do mesmo modo que o sabeísmo8 nasceu da astronomia mal compreendida, o Espiritismo, mal compreendido na Antiguidade, foi a fonte do politeísmo. Hoje, graças às luzes do Cristianismo, podemos julgá-lo com mais critério.” (KARDEC, [1859]/(2007a), p. 206-208).

O significado de “religião”, com o sentido de “relegere”, ou seja, de escrúpulo em relação ao culto, passou por transformações e não se alinhou com o sentido com o qual o cristianismo se apresentava no século XIX. Segundo Bouillard, o significado de “religio” não poderia designar aquilo que foi tido como “a verdadeira” religião, pois que era necessário encontrar outro termo que pudesse corresponder à fé cristã. (AZEVEDO, 2010, p. 92).

 

“Assim, uma nova compreensão para o termo surgiu através da imposição de diferenças e de exclusões. Segundo Dubuisson, a religião enquanto domínio radicalmente separado e diferente daquilo que a cerca é uma criação exclusiva e original dos primeiros pensadores cristãos de língua latina como Lactâncio, Tertuliano e Santo Agostinho. Ao se criar um domínio específico para a religião, surge também o espaço do não religioso, do profano: “a diferença e a superioridade que ela [religião] reivindicava para si mesma enquanto religião verdadeira reservada ao Deus verdadeiro [...] fazia apelo à necessidade do mundo profano”. Nesse mesmo sentido, Benveniste afirma que só se poderia conceber claramente a religião a partir do momento em que ela é delimitada, quando ela ganha um domínio distinto, onde pode-se saber o que lhe pertence e o que lhe é estranho. (AZEVEDO, 2010, p. 92).”

 

Diante disso, era necessário estabelecer uma origem etimológica própria para o religio-relegere, considerando que essa se referenciava às práticas exteriores e não à “verdadeira” religião que se dirigia ao “verdadeiro” Deus, a divindade única, já que o sentido era de estabelecer a ligação do ser humano com Deus, o religare como propõe Lactâncio. No primeiro conceito, segundo Lactâncio, no religio-relegere de culto aos deuses, o indivíduo está separado dos mesmos porque não se busca a sabedoria, porque aqui não há preocupação com a moral, e sim apenas uma preocupação com o rito exterior. Para ele, ainda mesmo a filosofia não alcança a Deus, pois não se encontra com a piedade, já que só o Cristianismo seria a verdadeira filosofia: “a verdadeira sabedoria para os pensadores, a verdadeira religião para os ignorantes.” (LACTÂNCIO, apud AZEVEDO, 2010, p. 93). Dessa forma, a verdadeira religião consistiria no laço de piedade que nos une a Deus, e aos homens caberia servir e obedecer ao Deus único e verdadeiro.

Entendemos que embora Kardec não tenha deixado uma relação explícita com Lactâncio, os aspectos morais do Espiritismo guardam correspondência a esse pensamento quando escreve que:

 

“Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não o de uma religião, e a prova disso é que conta, entre seus aderentes, homens de todas as crenças, e que nem por isso renunciaram às suas convicções: católicos fervorosos, que praticam todos os deveres de seu culto, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e até budistas e bramanistas. Há de tudo, exceto materialistas e ateus, porque essas ideias são incompatíveis com as observações espíritas. O Espiritismo, pois, repousa sobre princípios gerais, independentes de toda questão dogmática. É verdade que tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas. Essas consequências são no sentido do Cristianismo, porque, de todas as doutrinas, o Cristianismo é a mais esclarecida, a mais pura, razão por que, de todas as seitas religiosas do mundo, são as cristãs as mais aptas a compreendê-lo em sua verdadeira essência.” (KARDEC, [1859]/(2007a), p. 205, grifo nosso).

 

No texto acima, Kardec não só reafirma a sua posição de independência de pensamento em relação à religião oficial, como ainda marca sua posição de uma perspectiva secular9, quando diz que os homens podem procurar suas crenças com liberdade. Estabelece também com clareza que entende o Cristianismo como sendo a sua referência maior de moral e religião. Ele complementa ainda, dizendo que o Espiritismo não é religião porque não possui cultos, templos, ritos ou ministros:

 

“O Espiritismo não é, pois, uma religião. Se o fosse teria seu culto, seus templos, seus ministros. Sem dúvida cada um pode fazer uma religião de suas opiniões e interpretar à vontade as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja há uma grande distância e creio que seria imprudência seguir tal ideia.” (KARDEC, [1859]/(2007a), p. 206).

 

Com essas afirmações, é possível identificar que Kardec faz, sem sombra de dúvidas, um contraponto do Espiritismo com as religiões mais influentes de sua época, particularmente o Cristianismo, mas não se afasta do seu conceito particular de que religião se alinha ao religare de Lactâncio. Apesar disso, traz uma perspectiva secularizada do entendimento de religião, o qual aprofundaremos mais à frente, e separa esse conceito da instituição, ao falar da constituição de “nova Igreja”. Observe-se que ele não fala em Igreja Católica ou Igreja Protestante, mas em Cristianismo (com “C” maiúsculo), englobando, segundo o nosso ponto de vista, as duas vertentes religiosas como famílias de religião, já que o mesmo foi educado em instituição protestante em Yverdon, na Suíça, no Instituto Pestalozzi, tendo sido católico de batismo. Para ele, o Espiritismo não é, pois, religião, porque o Cristianismo é “A Religião” e que tem seus fundamentos nas questões morais (religare) e não de forma exterior (relegere); e o Espiritismo, como não possui as mesmas características, não poderia ser tratado da mesma forma.

Nos textos de Kardec acima, fica então evidenciada a preocupação com consequências morais e uma desvinculação com o culto exterior e com os ritos, o que deixa bem claro o alinhamento de Kardec com o religare, e não com o relegere.

 

Referências:

 

7 Como conceito de cultura, nos apoiamos em Geertz, que afirma que: “[...] o conceito de cultura [...] denota um padrão de significados transmitido historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação à vida. [...] o conceito do significado, em todas as suas variedades, é o conceito filosófico dominante da nossa época.” (GEERTZ, 1978, p. 66).

8 Sabeísmo era a religião dos antigos sabeus, do Reino de Sabá, no atual Iêmen. Era uma religião baseada na adoração dos astros.

9 No nosso trabalho, tratamos o que é secular no sentido da contraposição que se fazia ao religioso pela visão de ciência que o mundo vivia àquela época, questionando a autoridade formal da Igreja. “Inúmeras vezes antes da Reforma, a fronteira entre o religioso e o secular foi redesenhada; mas a autoridade formal da Igreja permaneceu sempre preeminente. Nos séculos seguintes, com o surgimento triunfal da ciência moderna, do modo moderno de produção e do Estado moderno, as igrejas elas mesmas assumem uma posição clara acerca da necessidade de se distinguir o religioso do secular, transferindo, como de fato o fizeram, o peso da religião cada vez mais na direção das disposições e motivações do indivíduo crente. A disciplina (intelectual e social) iria, nesse período, gradualmente abandonar o espaço religioso, cedendo seu lugar à ‘crença’, à ‘consciência’ e à ‘sensibilidade’.” (ASAD, 2010, p. 269).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NEM ESPIRITISMO LAICO, NEM NOVA RELIGIÃO

Por Dora Incontri(*) A posição de Kardec ainda não foi compreendida pela maioria e uma das provas disto está no debate ainda atual se o espiritismo é ou não é religião. Por um lado, estão os que se autodenominam espíritas laicos e que defendem a idéia de que Kardec jamais pensou o espiritismo como religião, mas apenas como ciência, filosofia e moral; do outro, estão os que defendem o chamado tríplice aspecto do espiritismo, ciência, filosofia e religião, mas agem e pensam como se o espiritismo fosse apenas mais uma religião. Estes constituem a maioria do movimento espírita brasileiro. Analisemos a polêmica com cuidado, porque os dois lados têm suas razões e os dois lados cometem enganos. De fato, Kardec não quis estabelecer mais uma religião, no sentido comum do termo, (por isso, diz muitas vezes que o espiritismo não é religião), visto que o espiritismo não tem sacerdócio, templos, hierarquia institucional, dogmas de fé e nem rituais que o adepto deva seguir p...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

PODE UM PASTOR QUE NEGA A REENCARNAÇÃO PALESTRAR NUMA CASA ESPÍRITA?

    Por Jorge Hessen Convidar um líder religioso (pastor) que nega a reencarnação e a mediunidade para palestrar numa casa espírita é, no mínimo, uma alucinação.  O problema começa quando se perde a clareza dos objetivos doutrinários. O Espiritismo ensina o respeito irrestrito à liberdade de consciência. Allan Kardec jamais defendeu o sectarismo. Aliás, dialogou com cientistas, materialistas, religiosos e céticos. O diálogo é saudável e necessário. Todavia, existe uma diferença fundamental entre dialogar com quem pensa diferente e  conceder tribuna doutrinária a quem combate os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Se um  palestrante evangélico  afirma categoricamente que a comunicação entre encarnados e desencarnados é impossível; que a mediunidade é fraude ou ação demoníaca; que a reencarnação não existe, então estamos diante de alguém que rejeita os pilares básicos do Espiritismo.

PARA FICARMOS JUNTOS NO INFERNO

        Por Orson Carrara                  Já  sabemos que o chamado inferno não é um local, mas um estado consciencial. Amarguras, desejos de vingança, inveja, ciúme, intrigas e manipulações que alimentamos transformam a vida naquilo que podemos denominar de um inferno emocional, um estado de intensa perturbação e sofrimento. Aquele inferno de sofrimento eterno, de diabo e caldeirões ferventes, isso não existe -  é imaginação humana.             Referimo-nos aqui aos tormentos que a inveja e o ciúme produzem. Ou, da mesma forma, as culpas e ainda os sentimentos de vingança ou de controle sobre a vida alheia.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

BRASIL, O PARAÍSO FISCAL DO SAGRADO

         Por Jorge Luiz   A "Offshore" da Fé: Anatomia do Privilégio Fiscal             A Câmara dos Deputados aprovou recentemente, em 28 de maio de 2026, a proposta que amplia drasticamente a imunidade tributária para entidades e templos religiosos de qualquer culto. O texto, que agora segue para o Senado, estende a vedação de cobrança de impostos para a aquisição de quaisquer bens ou serviços necessários à implantação, manutenção e funcionamento dessas instituições. Trata-se de uma manobra que pode abrir um rombo de até R$ 50 bilhões na arrecadação da União, dos estados e dos municípios.             Pelas regras do novo sistema tributário nacional, qualquer benefício fiscal concedido a um setor precisa ser compensado pelo restante da sociedade. Na prática, isso significa que enquanto as corporações da fé pagarão menos tributos, seus própr...

COMPULSÃO SEXUAL E ESPIRITISMO

  Certamente, na quase totalidade dos distúrbios na área da sexualidade, a presença da espiritualidade refratária à luz está presente ativamente, participando como causa ou mesmo coadjuvante do processo. O Livro dos Espíritos, na questão 567, é bem claro, ensinando-nos que espíritos vulgares se imiscuem em nossos prazeres porquanto estão incessantemente ao nosso redor, tomando parte ativamente naquilo que fazemos, segundo a faixa vibratória na qual nos encontramos. Realmente, na compulsão sexual ou ninfomania, a atuação deletéria de seres espirituais não esclarecidos é atuante, apresentando-se como verdadeiros vampiros, sugando as energias vitais dos doentes. O excelso sistematizador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, em A Gênese, capítulo 14, define a obsessão como "(...) a ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo". Diz, igualmente, que "ela apresenta características muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem sin...

ESPIRITISMO SEM ESPÍRITO E CARIDADE SEM ALMA

  Por Wilson Garcia Quando a prática se afasta da essência e a forma sobrevive ao conteúdo Há algo de silenciosamente inquietante no movimento espírita contemporâneo. Não se trata de uma ruptura declarada, nem de um abandono explícito de princípios. Ao contrário: tudo parece funcionar — reuniões, palestras, obras assistenciais, rotinas institucionais. E, no entanto, cresce a sensação de que algo essencial foi sendo deslocado, suavemente, até quase desaparecer. Duas manifestações desse fenômeno merecem atenção urgente: o chamado “Espiritismo sem espírito” e a prática de uma caridade que, ao privilegiar o material, esvazia sua dimensão mais profunda — a espiritual.

UMA AMOSTRAGEM DA TESE ESPÍRITA: DOIS CASOS QUE SUGEREM REENCARNAÇÃO (PARTE I)

   Por Jerri Almeida   Introdução A pesquisa científica sobre reencarnação oferece contribuições valiosas para ampliar horizontes de conhecimento sobre o sentido da vida. Não se trata, obviamente, de trilharmos somente o caminho da fé ou da crença, pois estamos diante de uma questão mais complexa, que envolve de forma totalizante o saber humano. Infelizmente, na atualidade, nem sempre as pesquisas nessa área ocorrem com o ritmo e os critérios que as possam alavancar em termos de reconhecimento científico, mesmo porque o mundo acadêmico, em boa parte, ainda se ressente dos preconceitos com tal tipo de temática.

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...