Pular para o conteúdo principal

A ESCOLA DA VIDA - O LAR (PARTE FINAL)


 



 
A VISÃO DA CRIANÇA COMO SER ESPIRITUAL

Importante, desde logo, ressaltarmos que, embora essa tarefa seja facilitada pela idade, há sempre que se considerar que as crianças são espíritos, ou seja, “almas antigas”, como diz Tom Shroder em seu livro de mesmo título, que chegam para novas experiências no corpo físico, as quais trazem vícios que, às vezes, foram desenvolvidos em várias existências anteriores, e que, por isso mesmo, devem ser objeto da maior atenção dos seus pais.

Assim, é importante que se deva considerar a vida no sentido contínuo, ora ser espiritual encarnado, ligado a um corpo, ora livre do liame físico, ou seja, do corpo, quando se encontra no mundo espiritual aguardando a oportunidade para uma nova existência física.


No Capítulo III, da parte segunda de O Livro dos Espíritos, que trata sobre a infância, na questão 383, Allan Kardec pergunta de forma específica aos Espíritos, o seguinte: Para o Espírito, qual a utilidade de passar pelo estado de infância? A resposta textual é: “Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

Já ficou bastante claro acima que a tarefa de educar, conforme aqui estamos tratando, não cabe à escola e sim aos pais, o que se pode reforçar transcrevendo a resposta que os Espíritos deram a Allan Kardec na pergunta de nº 385 de O Livro dos Espíritos, que é bastante extensa, entretanto, nos dois últimos parágrafos, essa questão fica totalmente esclarecida, senão vejamos:
“(...) A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos e acessíveis aos conselhos da experiência, dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas. Assim, portanto, a infância é não só útil, necessária, indispensável, mas também consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.”


O QUE A FAMÍLIA DEVE ENSINAR ÀS CRIANÇAS?

O professor Rivail, já utilizando o pseudônimo de Allan Kardec, na questão 685 de O Livro dos Espíritos, na qual ele, ao se referir à problemática das crises na economia, com reflexo nas pessoas idosas que não podem mais se manter pelo trabalho, diz o seguinte:

“(...) Há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança, sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos à educação moral pelos livros e sim a que consiste na arte de formar os caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto de hábitos adquiridos”.

Vamos nos deter na análise da parte final do parágrafo anterior, na qual Allan Kardec deixa claro que não se refere à educação moral pelos livros, porquanto a “educação é o conjunto de hábitos adquiridos”.

Voltemos ao exemplo dado por Comenius, citado acima, ao comparar o desenvolvimento da criança com os cuidados que se deve ter com uma árvore, sabendo-se que o jardineiro, desde cedo, costuma ampará-la com uma pequena estaca para que possa crescer aprumada e reta, ou seja, “antes que a árvore cresça muito e se encha de galhos.”

Assim, para se formar o caráter de alguém se tem que começar desde cedo, nos primeiros anos de vida do indivíduo, portanto, logo na primeira infância, como tarefa da família.

Partindo-se dessa premissa, os pais devem cuidar da educação moral de seus filhos, desde as primeiras idades, para que desenvolvam hábitos saudáveis que se refletirão no futuro quando se tornarem adultos.


QUAIS OS HÁBITOS QUE SE DEVE APRENDER NA INFÂNCIA?

Durante os primeiros anos de vida a criança, espírito encarnado, passa a maior parte do tempo no seio da família, muito próxima dos pais, principalmente da mãe, a qual lhe supre as necessidades de alimentação, segurança, higiene e conforto.

Como a criança ainda não desenvolveu a fala, caso esteja se sentindo desconfortável por alguma razão, a forma de atrair a atenção materna é através do choro, ocasião mais que oportuna para que, gradualmente lhe sejam incutidos hábitos, os quais, no futuro, revelarão que recebeu uma boa educação.

As mães, de maneira geral, desenvolvem uma psicologia própria da maternidade quando identificam, através do choro da criança, quais os tipos de necessidades que precisam atender; sabem, por exemplo, quando a criança está molhada ou quando é devido a outro tipo de necessidade fisiológica, quando o choro é de sono, ou quando a criança quer companhia, alguém por perto, ou até se o que ela quer é um colo.

Esse relacionamento é fundamental para as duas, para a mãe e para a criança, porque aí é que se forma um laço de confiança entre elas, o que, no futuro, propiciará oportunidades para o desenvolvimento de hábitos importantes para o desenvolvimento sadio da criança.

A satisfação das necessidades básicas vai dando lugar ao desenvolvimento de outros hábitos, por exemplo, de cuidar da sua própria higiene e de buscar a sua própria alimentação, ao dizer de forma específica que está com fome ou que já está satisfeita.

Desde cedo, a criança deve desenvolver também sua ligação com Deus, através da oração, antes e/ou após as refeições, antes de dormir e ao acordar, dependendo do costume da família. Assim, a criança vai, gradualmente, reconhecendo que é através da oração que a criatura entra em contato com o criador, seja para pedir e muito mais para agradecer, de acordo com a orientação religiosa da família.

Segundo Aristóteles, século. IV a.C, “a virtude moral ou ética é produto do hábito”, para Tomás de Aquino, “a formação de hábitos é essencial para a educação do ser humano”. Assim, a criança, desde cedo, deve aprender a reconhecer a autoridade dos pais, a desenvolver por eles o respeito, a obedecer-lhes as orientações e a seguir-lhes os conselhos inspirados na prudência e experiência de vida que só os anos conferem, e caso não reconheçam a autoridade dos pais, dificilmente aceitarão seguir outras normas de conduta impostas pelos costumes, pelas tradições e pela vida em sociedade.

Desde cedo a criança deve também aprender a respeitar a vida em todas as suas manifestações, seja a vida humana, animal, vegetal e o meio ambiente, pois todos são criações divinas e fatores importantes de equilíbrio da sociedade e da vida no Planeta, o que evitará, no futuro, o cometimento de atitudes contrárias à preservação da vida como um todo.

Mas o respeito à vida também deve se iniciar por ele próprio, desenvolvendo hábitos de alimentação saudável e evitando desenvolver vícios predatórios, tais como o uso de drogas, fumo, álcool, sexo desregrado dentre outros.

Uma sociedade equilibrada necessita de indivíduos capazes de respeitar as normas estabelecidas para a convivência geral, ou seja, as leis do país, sem o que a lei do mais forte ou do mais ousado é que será imposta, situação que gera o desequilíbrio social e o cometimento de abusos, especialmente dos mais fracos pelos mais fortes.

Dentre os hábitos que a criança deve aprender na infância, os mais importantes são os de boas maneiras, da verdade e honestidade, da cooperação nas tarefas domésticas, de cidadania, de respeito às leis, e à vida em todas as suas manifestações, vegetal, animal, humana e do Planeta.

Mas... Não se deve esquecer: o melhor programa de educação moral é aquele formado pelos bons exemplos dados pelos pais aos seus filhos enquanto com eles convivem - de respeito a tudo que é respeitável e de amor a Deus e ao próximo!

Como todo rio começa em um pequeno fio d’água de uma fonte, pode-se imaginar que a transformação da humanidade deva começar no lar de cada um de nós, em qualquer cidade, especialmente do nosso país.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

13.05. ANIVERSÁRIO DE CRIAÇÃO DO CANTEIRO DE IDEIAS

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

UM HOMEM, UMA HISTÓRIA RESIGNIFICANDO O VÍNCULO SOLIDÁRIO

  Objetivando transmitir uma mensagem de “alento” e “esperança” a pessoas em desespero, John Edwards, de 61 anos, um ex-dependente de drogas e ex-alcóolatra (sóbrio há mais de duas décadas) inexplicavelmente se voluntariou deitar em um caixão que foi fechado e enterrado no terreno de uma igreja de Belfast, na Irlanda do Norte. Obviamente o ataúde foi especialmente adaptado para que Edwards “sobrevivesse” por três dias (quando fosse desenterrado) e pudesse transmitir a experiência ao vivo pelas redes sociais. No passado Edwards enfrentou abuso sexual, viveu na rua, recebeu tratamentos para distúrbios mentais, sobreviveu a várias overdoses e “perdeu” mais de 20 amigos por conta de abuso de drogas, álcool e suicídios. Sobreviveu a dois cânceres e a um transplante de fígado após desenvolver hepatite C por causa de uma agulha contaminada.

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.

PACTO ÁUREO?

Por  Jorge Hessen (*)   Outubro de 2014 - 65 anos do Pacto Áureo Os primórdios do “espiritismo” De conformidade com as fontes compulsadas, identificamos os primórdios do movimento “pré-espírita” brasileiro nas experiências dos partidários do mesmerismo (1). Dentre os seus adeptos, encontramos os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (francês) e João Vicente Martins (português). Ambos chegaram ao Brasil em 1840. Havia mais apaixonados pela técnica de Mesmer, a exemplo de José Bonifácio de Andrada e Silva (o “Patriarca da Independência”), igualmente adepto à homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), este último publicou um livro de essência “pré-Codificação espírita, em 1844. O “Espírito” Humberto de Campos explanou em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (*) que Benoît Jules Mure e João Vicente Martins “fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação espírita já conheciam os tran...

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

UM TAL SR. M...

                                                Anos atrás o pesquisador espírita Clóvis Nunes falou de um suposto encontro entre Allan Kardec e Karl Marx. Ele se escorou em duas mensagens insertas em Obras Póstumas , de 30 de abril de 1856  (saiba mais) e de 12 de maio de 1856 (saiba mais) . Leia-se um trecho da primeira, em que o Espírito se refere a um dos presentes, que para Nunes seria Marx: “A você, Rivail, sua missão está aí (livre, a cesta virou fortemente para meu lado, como o teria feito uma pessoa que me indicasse com o dedo). A você, M..., compete a espada que não fere, mas que mata. Contra tudo o que existe, será você que virá primeiro. Ele, Rivail, virá em segundo lugar, é o trabalhador que reconstrói o que foi destruído”.   ...

E SE JESUS VOLTASSE NESSA PÁSCOA?

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mt, 24:27) “É preciso, sob o ponto de vista literário, que o meu poema tenha um preâmbulo.  Ação passa-se no século XVI; bem sabes que era costume, nesta época, fazer intervir nos poemas os poderes celestes.” É assim o preâmbulo do poema o Grande Inquisidor, de Fiodor Dostoiévski, no clássico literário “Os Irmãos Karamazov”.           No poema, Fiodor se reporta à Idade Média, na cidade de Servilha, no período da Inquisição da Espanha, quando os que não concordavam com a igreja foram queimados vivos. Nesse cenário ressurge Jesus de Nazaré misturado à multidão. Jesus realiza alguns “milagres” idênticos aos quando de sua primeira passagem na Terra. No meio dos assistentes há perturbação, gritos e choros. O Grande Inquisidor, velho alto, quase nonagenário, com a face seca, olhos cavados, onde ainda brilha, porém, uma centelha....