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ENSINO DA RELIGIÃO - FUNÇÃO DO ESTADO?¹



       





       A atualidade brasileira é muito curiosa. Encontra-se atolada em graves problemas morais de difícil solução, nos quais os envolvidos longe de admitirem culpa sequer expressam remorso, o que assegura à população que vão continuar operando na desonestidade. Por outro lado fermenta uma discussão que avalia o papel da escola pública na orientação espiritual do público infanto-juvenil que utiliza as suas bancas. Aparentemente os temas fazem parte de universos que não se tocam. Engano de quem possa pensar assim. As duas são uma só discussão e tais temas só se tornam polêmicos porque vivemos numa época em que perdemos um importante elo que tornaria tudo mais simples: a família.

          À parte dos grandes avanços que são constatados nos tempos atuais, a velocidade das mudanças é um convite sedutor para acamparmos o pensamento longe da sobriedade, pelo excesso de pressa em alcançar resultados. Educação, seja em qual prisma se rebusque, jamais deve ser tomada pela pressa apesar de tratar-se de uma urgência humana, como diria o venerando Espírito Bezerra de Menezes.
          A ausência de espiritualidade por falta de educação familiar dos adultos que deveriam guiar os caminhos da nação Brasil e acaba por jogá-la num resvaladouro de grave consequência presente e futura é o pano de fundo que aglutina os dois debates que acirram ânimos na mais alta corte nacional (mesmo que pareça não ter a menor conexão entre ambos). O Estado carece ensinar religião para evitar que se criem políticos-monstros capazes de gerarem riqueza pessoal com o patrimônio público enquanto tantos padecem pelo básico da existência? É a escola a responsável pelo nutrimento da formação ética, moral e religiosa através da escola? Essas perguntas carecem de reflexão.
          Para tal reflexão segue na íntegra o comentário de Allan Kardec completando a resposta dos mentores espirituais à questão 717 de O Livro dos Espíritos: “O limite entre o necessário e o supérfluo nada tem de absoluto. A civilização criou necessidades que não existem no estado de selvageria, e os Espíritos que ditaram esses preceitos não querem que o homem civilizado vivo como selvagem. Tudo é relativo e cabe à razão colocar cada coisa em seu lugar. A civilização desenvolve o senso moral e ao mesmo tempo o sentimento de caridade que leva os homens a se apoiarem mutuamente. Os que vivem à custa das privações alheias exploram os benefícios da civilização em proveito próprio; não têm de civilizados mais do que o verniz, como há pessoas que não possuem da religião mais do que a aparência”.  
          Na família ou na escola é fundamental que todos os conhecimentos que possam auxiliar na formação humana estejam permitidos, afinal cabe aos adultos o apoio à transformação moral dos que chegam para nova aventura no corpo, mas precisamos mais de ação no bem do que de palavras, mais de exemplos do que de discursos. Se cada instituto, família ou escola, se imbuírem de sua importância na mudança do mundo é possível que as próximas gerações não precisem discutir os mesmos temas que ecoam todos os dias do noticiário e a vida em sociedade transforme todos os habitantes em verdadeiros irmãos.  
          
¹editorial do programa Antena Espírita de 01.10.2017.

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