Pular para o conteúdo principal

UM PASSEIO PELO CÉU E O INFERNO¹



Por Roberto Caldas (*)



Lançado em agosto de 1865, o livro O Céu e o Inferno, quarto livro do Pentateuco Kardeciano, completa 150 anos do descortinar com a maior clareza possível que os mistérios entre a terra e o céu apesar de serem numerosos podem ser perfeitamente compreendidos em sua totalidade, se aceitamos uma filosofia que não seja vã.
            Essa obra simplesmente radiografa em linguagem direta toda a realidade que lança ao pó todo o receio que foi construído pela ignorância dos séculos e utilizado pelas religiões para manter fiéis cativos. O seu conteúdo é transformador porque retira a morte do seu patamar de escuridão e destrona a figura de Satanás da majestade a que fora alçado na tentativa de manter a humanidade subjugada ao medo.
            Grande holofote da razão que subjuga crendices e dogmas, O Céu e o Inferno redesenha com texto de boa degustação literária a continuidade da vida depois da morte, numa época em que poucos eram capazes de compreender tal dimensão. Desfere golpes destruidores à crença que defende o nada depois de findada a existência e amplia os horizontes da imortalidade àqueles que já admitem a continuidade sem contanto terem a menor ideia de como isso acontece. Ensaio teórico de Allan Kardec que se mistura ao testemunho real de dezenas de personalidades que relatam as suas experiências depois de adentrarem ao mundo espiritual, essa obra mostra a verdadeira face da habitação dos seres incorpóreos e põe um ponto final em qualquer elucubração que alimente a suposta destinação para regiões que ficaram denominadas de céu e inferno e foram a causa de tormentos insanos por muitos séculos aos crentes de várias filiações religiosas.

            Quão restauradora do ânimo pode ser uma informação que nos dispõe capaz de dirigir os próprios passos diante daquele que antes do advento do Espiritismo foi o maior dos enigmas humanos, a morte. Senão, vejamos o que nos traz o livro O Céu e o Inferno em seu capítulo I da segunda parte (O Passamento) “O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser assim resumido: Tanto maior é o sofrimento, quanto mais lento for o desprendimento do perispírito; a presteza deste desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual um sono breve, isento de agonia, e cujo despertar é suavíssimo”. (o destaque é meu).
            Sintamo-nos convidados a dar um passeio pelo O Céu e o Inferno. Provavelmente voltaremos desse passeio com uma visão mais ampla a respeito da Justiça de Deus operando em nossas vidas, subtraídos do medo da morte e responsabilizados pelas consequências dos nossos atos diante dos fatos da vida, pela absoluta convicção de que as nossas atitudes são reveladoras das condições que haveremos de encontrar no mundo espiritual quando chegada a nossa hora de deixar o corpo físico.

            A morte por inexorável é uma reveladora realidade divina, pois Deus nos alimenta e nutre sempre, logo tem que se constituir numa excelente oportunidade de renovação. O que sempre foi um temor se transforma em bênção, essa a mensagem de O Céu e o Inferno, por Allan Kardec.

¹ editorial do programa Antena Espírita de 16.08.2015.

(*) escritor, editorialista do programa Antena e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

Comentários

  1. Caro amigo Roberto,
    Tivéssemos mil homenagens à obra O Céu e o Inferno de Allan Kardec, ainda seriam diminutas ante à sua grandeza.
    Parabéns pela abordagem!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O CALVÁRIO DAS MARIAS: DA RED PILL À INSURREIÇÃO DO ESPÍRITO

      Por Jorge Luiz “Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele.” (Paulo Freire)   A Patologia da Simbiose Promíscua Vídeo que circula nas redes sociais mostra a comandante da Guarda Municipal de Fortaleza reunida com outras mulheres, arguindo que há algo de errado no segmento evangélico. Analisando alguns dados estatísticos, ela concluiu que o número de mulheres agredidas dentro da ambiência do lar é de evangélicas. Essas mulheres, ao buscarem ajuda em suas igrejas, são orientadas pelo pastor a não procurarem advogado ou a polícia, e que devem se submeter ao marido, ganhando-o pelo testemunho. A crise é espiritual; portanto, orem! Essa também é a convicção desse mediano escrevinhador. 

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

  Por Jerri Almeida A aspiração por uma sociedade mais justa e feliz, esteve presente em vários momentos na história do pensamento ocidental. O humanista inglês Thomas More, ao escrever seu livro A Utopia, no século XVI, imaginou uma ilha aonde seus habitantes viviam felizes, num sistema social justo e sábio, retomando a ideia da república em Platão. Condorcet, no final do século XVIII, havia escrito nas páginas de seu Tableau , dez etapas para o avanço triunfal da humanidade, rumo à ciência, à sabedoria e à felicidade.  Mais tarde, Victor Hugo, em sua magistral obra: Os Miseráveis , de 1862, escreveu: “Cidadãos, o século XIX é grandioso, mas o século XX será feliz [...]. Não se terá mais a temer a fome e a exploração, [...] a miséria, as batalhas e todas as rapinagens do acaso na floresta dos acontecimentos. Poder-se-ia quase dizer: não haverá mais acontecimentos. Seremos felizes.[...]”. Havia um imaginário, um otimismo literário no tocante aos avanços e promessas de um mundo...

UM POUCO DE CHICO XAVIER POR SUELY CALDAS SCHUBERT - PARTE II

  6. Sobre o livro Testemunhos de Chico Xavier, quando e como a senhora contou para ele do que estava escrevendo sobre as cartas?   Quando em 1980, eu lancei o meu livro Obsessão/Desobsessão, pela FEB, o presidente era Francisco Thiesen, e nós ficamos muito amigos. Como a FEB aprovou o meu primeiro livro, Thiesen teve a ideia de me convidar para escrever os comentários da correspondência do Chico. O Thiesen me convidou para ir à FEB para me apresentar uma proposta. Era uma pequena reunião, na qual estavam presentes, além dele, o Juvanir de Souza e o Zeus Wantuil. Fiquei ciente que me convidavam para escrever um livro com os comentários da correspondência entre Chico Xavier e o então presidente da FEB, Wantuil de Freitas 5, desencarnado há bem tempo, pai do Zeus Wantuil, que ali estava presente. Zeus, cuidadosamente, catalogou aquelas cartas e conseguiu fazer delas um conjunto bem completo no formato de uma apostila, que, então, me entregaram.

TERRA: MUNDO DE PROVAS E EXPIAÇÕES

Questão 1018 (O Livro dos Espíritos) – Jamais o reino do bem poderá ter lugar sobre a Terra? Resposta: O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Os sofrimentos existentes no planeta Terra são devidos às imperfeições morais dos seres, encarnados e desencarnados, que nela habitam. Embora com a intelectualidade até certo ponto desenvolvida e apurada, as criaturas humanas que aqui se encontram, na sua maioria, estão com a moral atrofiada pelas paixões inferiores alimentadas pelo orgulho, pelo egoísmo e pela vaidade, sentimentos estes precursores de todas as desgraças humanas. A iniquidade reinante no globo terrestre não pode ser ignorada pois, em todos os recantos do mundo, ela é visível e concreta. Não duvidamos que a Lei do Progresso é uma lei natural, emanada de Deus e, por isso mesmo, imutável atingindo a tudo e a todos. É certo também que o progresso intelectual precede ao progresso moral, possibilit...

"FOGO FÁTUO" E "DUPLO ETÉRICO" - O QUE É ISSO?

  Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”. Outra explicação encontramos no dicionarista laico, definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou, ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.

THEODORO CABRAL

Por Luciano Klein (*) Natural de Itapipoca (imagem), Ceará, nasceu a 9 de novembro de 1891. Foram seus pais: Francisco Gonçalves Cabral e Maria de Lima Cabral. Pertencente a família pobre, emigrou para o Estado do Pará onde se iniciou na vida prática. Graças à sua inteligência e dedicação nos estudos, adquiriu conhecimentos gerais, notadamente de línguas, com rara facilidade, sem haver freqüentado qualquer curso além da escola primária. Estes mesmos atributos levaram-no ao jornalismo, no qual se projetou com rapidez e brilhantismo.

DÍVIDAS DE VIDAS PASSADAS : PAGAR O QUE? PAGAR A QUEM?

  Por Orson P. Carrara   Somente o desconhecimento dos princípios espíritas pode gerar a ideia de que temos que pagar com sofrimentos, e para alguém, dívidas de existências passadas. Eis o equívoco. O que ocorre é que a existência do espírito é única; as existências corpóreas é que são múltiplas, mas o ser integral é sempre o mesmo. As múltiplas existências corpóreas cumprem a finalidade de estágios de aprendizado, na verdade degraus de aperfeiçoamento.

EDYNARDO WEYNE

 Por Luciano Klein (*) Nasceu em Fortaleza, a 9 de janeiro de 1911, sendo seus pais Álvaro Nunes Weyne (prefeito de Fortaleza em duas gestões) e Maria José Rodrigues Weyne, primeira pessoa escolhida para exercer, em nosso Estado, as funções de presidenta da LBA - Legião Brasileira de Assistência. Estudou no Colégio Militar do Ceará. Ainda tenente, assumiu as tribunas publicas no momento em que o mundo vivia a tragédia da 2.ª Guerra Mundial. Ao lado de Perboyre e Silva e Madaleno Girão Barroso, formou o conselho deliberativo da Sociedade Amigos da América, empolgando o público com sua oratória na sessão cívica de instalação no Teatro José de Alencar. Em outra vibrante alocução, na Praça do Ferreira, conclamou a todos para a luta contra o fascismo e a Quinta Coluna. O General Euclides Zenóbio da Costa, comandante das tropas expedicionárias brasileiras, em sua passagem por Fortaleza, no ano de 1943, hospedou-se na residência de Álvaro Weyne, o que ensejou ao t...