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TEMOS FORÇA POLÍTICA ENQUANTO MULHERES ESPÍRITAS?

 

Anália Franco - 1853-1919

Por Ana Cláudia Laurindo

Quando Beauvoir lançou a célebre frase sobre não nascer mulher, mas tornar-se mulher, obviamente não se referia ao fato biológico, pois o nascimento corpóreo da mulher é na verdade, o primeiro passo para a modelagem comportamental que a sociedade machista/patriarcal elaborou.

Deste modo, o sentido de se tornar mulher não é uma negação biológica, mas uma reafirmação do poder social que se constituiu dominante sobre este corpo, arrastando a uma determinação representativa dos vários papéis atribuídos ao gênero, de acordo com as convenções patriarcais, que sempre lucraram sobre este domínio.

Após o preâmbulo de contextualização, nosso foco de análise é o papel social criado para a mulher espírita brasileira, em um contexto histórico no qual a presença do chefe de família, do profissional de prestígio na medicina, da insígnia militar e política, foram importantes para a afirmação do que chamaram de nova religião, embora sempre oscilassem entre a filosofia e  ciência.

A mulher espírita foi constituinte de um cenário de importância política no espiritismo brasileiro apenas na posição de médium. Era uma representação muito mais ditada pela espiritualidade do que pelo espaço político/cultural onde estava imersa, que no caso, foram os centros espíritas ou espaços semelhantes.

Como amplo território filosófico, o espiritismo no Brasil foi ocupado por homens de destaque social garantido, e para as mulheres que não eram agraciadas pelo dom mediúnico sobravam as alçadas da caridade, organização de eventos e administração interna das casas e centros, que na prática, foi a negação da participação feminina na elaboração do pensamento espírita.

O que temos hoje no Brasil, com relação a isso? Temos um cenário de renovação em pleno movimento de deslocamento representativo, mas nem de longe ainda podemos afirmar que a presença da mulher tenha o espaço justo no campo do pensamento espírita brasileiro.

Os homens espíritas são apenas homens culturais e sociais, imbuídos das mesmas ideias de gênero que a maior parte da sociedade, e utilizam recursos semelhantes na manutenção do território. Por esta razão, o perfil da mulher espírita autônoma ainda está cerceado pelas assertivas de pacificação relacional e harmonia.

O caminho aberto não será fechado se persistirmos escrevendo e falando, no cultivo consciente de que também aqui temos uma luta de gênero em curso.

Se não assumirmos este posicionamento político a sonhada evolução continuará estacionada nos abraços convencionais e na manutenção de postos de prestígios intelectuais que o masculino, sendo espírita ou não, aprendeu a manejar com precisão.

Olhos para cima que a submissão sempre orientou olhar por baixo! Essa é a revolução, seja onde for, que a mulher assuma posicionamentos políticos libertários!

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA
    Este texto apresenta uma análise crítica e histórica do papel da mulher no espiritismo brasileiro, à luz da famosa frase de Simone de Beauvoir: "Não se nasce mulher, torna-se mulher".
    Pontos Chave da Análise:

    Reinterpretação de Beauvoir: O autor inicia contextualizando a frase de Beauvoir, esclarecendo que o "tornar-se mulher" não é uma negação biológica, mas a construção social de papéis e comportamentos impostos à mulher por uma sociedade patriarcal. Essa imposição visa à dominação e ao lucro sobre o corpo e a identidade feminina.

    O Espiritismo e o Papel da Mulher: O foco principal do texto é a aplicação dessa perspectiva ao contexto do espiritismo brasileiro. O autor argumenta que, historicamente, o movimento espírita no Brasil foi dominado por homens de destaque social (médicos, militares, políticos), que usaram sua influência para afirmar a "nova religião".

    Limitação da Mulher no Espiritismo: A mulher espírita, nesse cenário, teve seu espaço de atuação predominantemente limitado à mediunidade. Sua representação era "ditada pela espiritualidade", não por um espaço político ou cultural próprio dentro dos centros espíritas. Para aquelas sem o "dom mediúnico", restavam as tarefas de caridade, organização de eventos e administração interna, o que, na prática, resultou na negação de sua participação na elaboração do pensamento espírita.

    Cenário Atual e a Luta de Gênero: O texto reconhece que, atualmente, há um "cenário de renovação" no espiritismo brasileiro, com um movimento de "deslocamento representativo". No entanto, enfatiza que a mulher ainda não tem o "espaço justo no campo do pensamento espírita brasileiro". O autor aponta que os homens espíritas, mesmo dentro de uma doutrina que prega a evolução, ainda estão imbuídos das mesmas ideias de gênero da sociedade em geral e utilizam recursos para manter seu domínio intelectual. A mulher espírita autônoma ainda é cerceada por expectativas de "pacificação relacional e harmonia".

    Chamado à Ação Política: O texto conclui com um apelo vigoroso à ação. Defende que a luta de gênero no espiritismo precisa ser assumida como um posicionamento político. Persistir escrevendo e falando, cultivando a consciência dessa luta, é crucial para que a "sonhada evolução" não fique estagnada. A mensagem final é um incentivo para que a mulher espírita assuma posicionamentos políticos libertários, desafiando a submissão histórica.

    Em suma, o texto não só contextualiza a opressão de gênero no espiritismo através de uma perspectiva histórica e social, mas também conclama as mulheres espíritas a uma revolução de gênero que lhes garanta um espaço de pensamento e poder equiparado ao dos homens.

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