Pular para o conteúdo principal

MÊS DAS MÃES E DO TRABALHO

 

 Por Doris Gandres

Maio, mês em que se comemora o Dia das Mães; o também chamado mês das noivas, muitas das quais virão também a se tornar mães... E todos nós nos fixamos nessas comemorações, com os corações repletos de ternuras, gratidão e alegrias – e às vezes de saudade...

Mas existe uma outra comemoração no mês de maio: a do dia 1° de maio, Dia Internacional do Trabalho! E para essa comemoração foi escolhido justamente o mês de maio. Essa “coincidência” me parece bastante coerente, porque afinal atualmente as mães em geral e muito frequentemente encaram diariamente duas e até três jornadas de trabalho: o cuidado e a educação dos filhos, a administração da casa e suas múltiplas tarefas domésticas e seu trabalho profissional, seja qual for. As dificuldades de manutenção de condições de vida minimamente adequadas hoje exigem que não apenas o homem seja encarregado da sustentação do lar – isso quando existe a figura masculina na família, pois em muito casos é a mulher sozinha que mantém a família...

Contudo, quantos de nós efetivamente temos o claro entendimento da importância do trabalho? Para muitos de nós, eu diria que praticamente a maioria, o trabalho é encarado como uma obrigação muitas vezes penosa, desagradável, apenas suportável por não poder ser evitada, de uma forma ou de outra. Mas a nossa doutrina, e mesmo outras tantas, há muito tempo vêm demonstrando a necessidade e o valor, não só material, mas sobretudo espiritual do trabalho. Qual foi a resposta de Jesus ao ser perguntado acerca de trabalhar? “Eu trabalho incessantemente e meu Pai trabalha também”.

O Livro dos Espíritos, em seu Livro Terceiro, As Leis Morais, destinada explicitamente a nos esclarecer sobre os ensinos morais, no Capítulo III – item II, discorre sobre uma das leis naturais, consequentemente divinas, a Lei do Trabalho. Logo à primeira questão, a 674, os Espíritos Superiores nos asseguram que “o trabalho é uma lei da natureza, e por isso mesmo é uma necessidade”; na 676 afirmam que “sem o trabalho o homem permaneceria na infância intelectual”; e na 677, “que entre os homens tem um duplo objetivo: a conservação do corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade, e que o eleva acima de si mesmo”.

Portanto, nós espíritas, de posse de tais ensinamentos, já temos condições de analisar e encarar de forma melhor a necessidade de trabalhar, de uma forma ou de outra, quer de modo material, braçal ou apenas intelectual. Todo tipo de trabalho é digno e respeitável e nos proporciona situações de aprendizado valioso.

Entretanto, há um outro aspecto importantíssimo a ser considerado em relação à condição do espírito em situação feminina e materna. No Capítulo XI sobre a Lei de Justiça, Amor e Caridade – item IV, Allan Kardec e a Espiritualidade dissertam sobre o amor maternal. Na questão 890 Kardec pergunta se o amor maternal é uma virtude ou um sentimento instintivo – e os Espíritos respondem que “é uma coisa e outra. A natureza deu à mãe o amor pelos filhos, no interesse de sua conservação (...) ele persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma abnegação que constituem virtudes; sobrevive mesmo à própria morte, acompanhando o filho além da tumba.”

E inúmeros são os testemunhos desse devotamento e abnegação: mães à entrada de presídios submetidas a situações vexatórias para poderem ver seus filhos, abraçá-los; mães que em condições de miséria se privam de alimento a benefício dos filhos; mães relegadas ao abandono em asilos ou nas ruas ou mesmo em residências luxuosas, mas que nem por isso deixam de amar os filhos que as abandonaram... Poder-se-ia citar outros tantos, muitos que todos conhecemos...

Porém, sabemos ainda que maternidade, assim como paternidade, constitui missão relevante, o que transforma o trabalho ou a dificuldade que essa missão possa acarretar em grande oportunidade e incentivo, mas também em grande responsabilidade. Que Deus, em seu infinito amor e misericórdia, abençoe com extremado carinho todas as mães deste planeta e do Universo, onde quer que estejam e qualquer seja a sua situação e postura diante dessa maravilhosa missão, inclusive aquelas muito amadas e bem cuidadas pelos seus filhos.

 

 

Fonte: O Livro dos Espíritos, questões 674, 676, 677 e 890

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA
    O texto estabelece uma interessante conexão entre as celebrações de maio – o Dia das Mães e o Dia Internacional do Trabalho. O autor argumenta que a escolha de maio para o Dia do Trabalho é coerente, dada a realidade de muitas mães que acumulam múltiplas jornadas: cuidado dos filhos, administração do lar e trabalho profissional. Essa sobrecarga demonstra a importância fundamental do trabalho na vida feminina contemporânea, muitas vezes como única fonte de sustento familiar.

    Em seguida, o texto expande a reflexão sobre o significado do trabalho, contrastando a visão comum de obrigação penosa com a perspectiva da doutrina espírita (e outras), que enfatiza seu valor material e, principalmente, espiritual. A citação de Jesus ("Eu trabalho incessantemente e meu Pai trabalha também") e as referências ao Livro dos Espíritos reforçam a ideia de que o trabalho é uma lei natural, uma necessidade para o desenvolvimento intelectual e para a própria evolução do ser humano.

    Por fim, o autor aborda a maternidade como uma missão que, apesar das dificuldades, representa uma grande oportunidade e responsabilidade. O texto destaca o amor maternal como um sentimento instintivo que se transforma em virtude pelo devotamento e abnegação demonstrados em diversas situações, inclusive nas mais adversas. A mensagem final é uma bênção universal às mães, reconhecendo a relevância de sua missão em qualquer circunstância.

    Em suma, o texto realiza uma análise que interliga as celebrações de maio, a realidade multifacetada do trabalho feminino e a profunda dimensão espiritual do trabalho e da maternidade, utilizando a doutrina espírita como um importante referencial para a compreensão desses temas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

CORRIDA DESABALADA POR MAIS POSSUIR

  Por Orson P. Carrara                O significado da palavra desabalada , entre outros, é: o que parece não ter freios ou limites , ou o que se mostra excessivo e mesmo o que é desmedido, como uma paixão gigantesca, desenfreada, indicando falta de moderação e reflexão . Daí adjetivar a palavra corrida .             E referida corrida não fica restrita apenas ao mais possuir , pode ser ampliada ou enquadrada também para ser mais reconhecido, ser mais famoso, por mais aparecer, por ser mais destacado socialmente, mais seguido ou curtido , como se diria na linguagem das redes sociais, atualmente.

VISÕES NO LEITO DE MORTE¹

Especialista no tratamento de traumas e processo de superação, Dr Julio Peres, analisa as experiências no final da vida e o impacto das visões espirituais ao enfermo e sua família, assim como para os profissionais da saúde que atuam em cuidados paliativos. De acordo com Dr. Júlio Peres, pesquisas recentes demonstram que um grande número de pessoas de distintas culturas têm relatado experiências no final da vida – originalmente chamadas na literatura por end-of-life experiences – sob a forma de visões no leito de morte, sugestivas da existência espiritual. Esta linha de pesquisa tem trazido contribuições que interessam diretamente aos profissionais que atuam com cuidados paliativos e mais especificamente, aqueles que desenvolveram a Síndrome de Burnout decorrente do esgotamento, angústia e incapacidade perante a falta de recursos para lidar com as sucessivas mortes de seus pacientes.

CENTRO ESPÍRITA NÃO É E JAMAIS DEVERÁ SER PALANQUE DE PODER

                 Por Jorge Hessen                  A instituição espírita nasceu para ser escola de almas, oficina de trabalho no bem e  posto avançado de fraternidade . Sua finalidade não é a  conquista de posições de chefia ,  prestígio ou autoridade administrativa , mas a  transformação moral  dos frequentadores  à luz do Evangelho do Cristo.             Entretanto, não raras vezes, observa-se o surgimento de aborrecíveis disputas por cargos, movimentos de bastidores, articulações silenciosas ( maledicência ) e verdadeiras campanhas eleitorais antecipadas em torno de futuras diretorias e presidências. Trata-se de um fenômeno deplorável que revela o quanto ainda estamos distantes dos valores que supostamente abraçamos.

AFINAL, QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNOU RELIGIÃO? UMA CONVERSA FRANCA SOBRE CULTURA, PODER E TRANSFORMAÇÃO NO ESPIRITISMO BRASILEIRO

  Por Wilson Garcia A Dissertação Espiritismo transnacional: poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa brasileira em décadas de perseguições, defendida na PUC-SP por Adair Ribeiro Júnior em 2026, tenta responder a uma pergunta que há décadas tira o sono de quem estuda ou vive o espiritismo: como e por que o espiritismo se tornou uma religião no Brasil?               A resposta que o autor apresenta é fundamentada, bem documentada, mas não é definitiva. E é justamente aí que mora seu valor. Ela nos obriga a pensar. Quem conhece Allan Kardec sabe: o projeto original não era religioso. Era um tripé — ciência, filosofia e moral — apoiado na investigação metódica dos fenômenos espirituais. Observação, comparação, controle das comunicações: um verdadeiro laboratório do invisível.             Mas aí essa ideia atravessou o Atlântico, desembarcou ...

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...

A INVERSÃO DO QUERIGMA: BOLSONARISMO E NEOPENTECOSTALISMO COMO ANTÍTESES SOCIOPOLÍTICAS DO JESUS HISTÓRICO

    Por Jorge Luiz              O Escândalo do Banco Master como sintoma da inversão.             Em outro momento defini a relação entre o status político chamando eufemisticamente de extrema-direita, simbolizada aqui como bolsonarismo e o neopentecostalismo, como uma “simbiose promíscua”. O escândalo do Banco Master, oferece uma nova definição, resultante dessa simbiose, que agora defino-a como “escândalo ontológico” , por não se constituir em um mero desvio ético de indivíduos isolados. Para alguns, como Glair Arruda, essa simbiose pode ser interpretada como cristofascismo, fenômeno que não é novo, mas ganhou proeminência nos anos de recrudescimento de uma ideologia de extrema direita especialmente nos Estados Unidos e Brasil (Passos, 2025). A definição de Arruda, ela mesma reforça a conceituação, ao admitir que o líder que se autoproclama como o salvador da pát...

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

GOSTO, DEVER E NECESSIDADE

  A necessidade se impôs primeiro, talvez o gosto veio em seguida e o dever acabou se desenvolvendo por si mesmo, face a imperativos inadiáveis que se apresentam. Sim, o trabalho. Exigiu-se trabalhos variados por necessidade inclusive de sobrevivência e proteção. Essa necessidade desenvolveu o gosto e este mostrou o dever.