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QUEM DESEJA O SILÊNCIO DAS MULHERES?

 


 Por Ana Cláudia Laurindo

Quem silencia as mulheres?

Será essa uma pergunta clichê em tempos de batalhas midiáticas por likes e tudo aquilo que nos transforma em joguetes no mundo liberal?

A verdade dessa pergunta é mais profunda do que a propaganda de empoderamento vendida como revolucionária, mas que está ligada à raiz norte-americana de lutas identitárias, e isto não me interessa reproduzir.

O patriarcado nos silencia. Parece óbvio. Mas essa constatação não tem sido suficiente para elaborar um pensamento autônomo, capaz de nos informar para libertar, na medida do possível.

Na medida do possível…

Sim, porque aquela outra frase que diz que lugar de mulher é onde ela quiser não é verdadeira, na prática.

E se parece vespeiro, a condição de livre pensadora me qualifica para assim analisar.

Nossos silenciadores estão na estrutura da sociedade capitalista, nos ganchos multifacetados em educação, cultura e condições de existência com os quais lidamos desde que nascemos.

O patriarcado é o segmento que cuida dos assuntos referentes ao domínio reprodutivo, relacional, psicossocial e cultural desde o padrão nuclear de família, representatividade e caminhos da felicidade feminina, associada a um consórcio de sobrevivência.

Neste meandro os silêncios na mulher reproduzem muito mais do que machismo e misoginia, reproduzem modelo de poder.

Desta sorte, seja boa ou má, como a qualifique a mulher, estamos todas alvejadas pela coerção.

Os gritos atribuídos ao empoderamento econômico também não nos livram da estrutura perversa, e mesmo quando nos tornamos autônomas na geração de nossa própria renda, podemos assumir papéis concedidos dentro dos padrões de silenciamento, porque o imo do capitalismo é lucrar com os dramas criados.

A competitividade que zera toda empatia, nestes tempos de ziguezague identitário, revela que no fundo do poço intencional sempre será possível encontrar cartilhas de sobrevivência egóica, nos exatos moldes do capitalismo bruto.

Portanto, a consciência política continua como base segura para a militância feminista; nossos inimigos não são os homens, como alguns discursos fazem parecer.

A inimizade entre a mulher e o sistema capitalista está nos primórdios da dialética, porque o patriarcado é servo do poder econômico e do domínio político na mesma proporção que tenta nos manter servis e silenciadas.

Resistência com posicionamento crítico estrutural, investigativo e vigilante está no feminismo que me engloba, do qual participo.

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