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POEMA DE UM SETEMBRO TRISTE

 


Fiz esse poema no ano passado, no dia 7 de setembro. De lá para cá, só tivemos pioras em nosso cenário. Portanto, ele é ainda lamentavelmente atual.

 

A pátria é meu Caymmi

Que deu meu nome de Dora.

A pátria é minha poesia

De Castro Alves, Drumond.

A pátria é meu desenredo

De Guimarães do sertão.

A pátria é meu coração

Onda moram meus amores, de agora

De antes, depois.

A pátria é discreta alegria

De um bem-te-vi na janela.

A pátria é amarela de ipê.

 

Mas a pátria também é

O corpo que cai na favela

E mancha do negro ferido

E a história de marcha ré!

 

Pátria amada, cultuada

Em minha alma de criança

Estás nua, desdentada,

Ensanguentada, queimada,

Rasgando nossa esperança.

 

Piedade, Musa da pátria

Volta ao que nunca foste

Justa, pura e sem igual.

Dissolve no céu azul

A gritaria atonal,

 

E faz de nós que sabemos

Nossa estrada desigual,

Construtores dessa hora,

Viajores do presente

Em que de novo se assente

Uma esperança potente!

 

Pátria amada, desidratada,

Por nosso pranto varonil

Devolve-nos mais que depressa

A seiva do nosso Brasil!

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