Pular para o conteúdo principal

BRASILEIROS! CONFIEMOS...



 A irresponsabilidade política – fruto de nossas imperfeições morais que geram omissão ou indiferença de eleitores e mesmo interesses de ambos os lados, e abusos dos eleitos – trouxeram o país ao quadro preocupante aí presente. Por outro lado a fragilidade de nossas leis e o sistema político, que não buscam o interesse da nação e permitem abusos de toda ordem, geraram o caos escancarado no panorama político que abala a Pátria.
Mas o país é mais que políticos e suas leis. Políticos desonestos ou corruptos responderão perante a própria consciência no devido tempo. As leis sofrerão, no amadurecimento trazido pelo tempo, as alterações que as tornem justas e não permitam os abusos ora em andamento. Aliás, vale dizer que a corrupção não está apenas na política, ela habita antes em nós mesmos...

E repetimos, o país é mais que políticos e suas leis. O país é seu povo, de índole pacífica, de coração aberto, de generosidade espontânea, na riqueza da sensibilidade e da cultura, das artes, das crenças e do trabalho que se constrói diariamente.
Nada, pois, de pessimismo. Esperança, postura de firmeza na fé e no trabalho, honestidade e continuidade dos altos propósitos de viver. Aqueles que estão a abusar, aqueles que corrompem, que mentem, que enganam, responderão no curso do tempo, não por castigo, mas por consequência mesmo das leis que nos regem a vida.
O quadro que aí está é fruto do egoísmo que ainda nos corrompe a alma humana. É fruto igualmente de um condicionamento intelectual imposto para atender interesses escusos, mas tudo isso passará porque o progresso é uma lei inexorável, que não pode ser detida.
Estamos todos em gigantesco processo de aprendizado, vamos amadurecer com isso, sairemos escolados. Por isso é preciso é uma postura de firmeza, fé, lealdade à Pátria, compromisso com a nação e não com interesses outros.
Todo mundo sabia que o quadro chegaria ao ponto que chegou e mesmo assim, como nação, permitimos isso. Incoerência, não é mesmo? Faltou amadurecimento ou os interesses pessoais e corporativos falaram mais alto? Não faltou antes pensar na nação como um todo?
Agora cabe-nos solucionar isso e pacificamente, afirme-se! Mas somos nós mesmos, como coletividade nacional, que deveremos reparar o quadro que aí está, mesmo a custo de intensos sacrifícios. Este é o preço da imaturidade, da ausência de reflexão e da prevalência dos interesses egoísticos, ao invés dos interesses nacionais e coletivos.
 Mas há uma frase final numa sábia mensagem do Benfeitor Emmanuel, na psicografia de Chico Xavier, que sempre usei individualmente em minhas dificuldades e agora constato, o valor dessa frase para o uso nacional diante do momento difícil e complexo do país. Diz a frase: “(...) Por meios que desconheces, Deus permanece agindo.” Muitos achamos que somos autossuficientes, que tudo podemos e comandamos, mas isso é pura ilusão. Existe uma inteligência maior que tudo comanda e nossa suposta fortaleza cai por terra até com uma picada de mosquito (diga-se: dengue!). É muita ilusão achar que se pode controlar tudo e todos por todo o tempo.
Uso outras frases da mesma mensagem para reforçar nosso pedido de esperança aos brasileiros: “(...) Não esmoreças (...)”, “(...) Abraça o dever que a vida te confia (...)”, “(...) Deus nunca nos abandona (...)”. E convido o leitor para refletir sobre a profundidade dessas breves afirmações. O que cabe em cada uma? Quais os desdobramentos?
Confiemos plenamente na destinação histórica e espiritual da Pátria. Procuremos conhecer mais sobre isso para saber de nossos compromissos coletivos, sem nos deixarmos levar por induções que corrompem e maltratam. É preciso erguer a cabeça com dignidade, porque, afinal, tudo isso vai passar. E a vida não se resume nessas poucas décadas de permanência no planeta; há muito pela frente...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

ESPIRITISMO E POLÍTICA¹

  Coragem, coragem Se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem Eu sei que você pode mais (Por quem os sinos dobram. Raul Seixas)                  A leitura superficial de uma obra tão vasta e densa como é a obra espírita, deixada por Allan Kardec, resulta, muitas vezes, em interpretações limitadas ou, até mesmo, equivocadas. É por isso que inicio fazendo um chamado, a todos os presentes, para que se debrucem sobre as obras que fundamentam a Doutrina Espírita, através de um estudo contínuo e sincero.

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO

Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas. Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

E QUANDO TUDO VOLTAR AO NORMAL...

  Por Doris Gandres Essa frase “e quando tudo voltar ao normal” é a frase que mais tem sido pronunciada e escutada ultimamente, de todo tipo de pessoa, de todas as classes sociais, culturais, religiosas e outras mais... Poder-se-ia dizer que está se transformando em uma espécie de “mantra”, de monoidéia, ou seja, de uma ideia única, fixa, constante, sobrepondo-se a todas as outras ideias, absorvendo a mente das criaturas e, muitas vezes, toldando-lhes o raciocínio, a razão.

LÉON DENIS ENTRE A LIBERDADE MORAL E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

  Por Wilson Garcia    Por que reduzir o Espiritismo a rótulos políticos empobrece seu alcance humano Há leituras que esclarecem — e há leituras que, sem o perceber, estreitam o campo de visão. No debate recente sobre Socialismo e Espiritismo[i], de Léon Denis, esse risco tornou-se visível: ao tentar proteger o pensamento espírita de apropriações materialistas, corre-se o perigo inverso de reduzir sua densidade social, confinando-o a categorias políticas que jamais lhe fizeram justiça. A análise crítica de Marco Milani sobre a edição brasileira da obra, publicada pela Casa Editora O Clarim, prestou um serviço inegável ao movimento espírita. Ao demonstrar problemas de tradução e enquadramento editorial, Milani mostrou com clareza que Denis não pode ser confundido com o socialismo materialista, estatizante ou revolucionário que dominava o debate político de seu tempo. Essa advertência é necessária — e correta.

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

A FAMÍLIA PÓS-NUCLEAR

      Por Jerri Almeida Preâmbulo O estudo das relações familiares na contemporaneidade implica pensarmos sobre suas novas configurações e mediações. Sabemos que é cada vez mais comum encontrarmos exemplos de filhos que vivem somente com a mãe, com o pai ou com outro parente. O contexto das relações, na sociedade complexa que vivemos, define novos vínculos e novas tendências na composição da família. Conforme apontou Bauman, em seu livro intitulado Amor Líquido[1] – Sobre a fragilidade dos laços humanos, os relacionamentos conjugais tornaram-se, na pós-modernidade, muito “líquidos”, isto é, sem bases sólidas. Os valores sociais e culturais de nossa época contribuem para uma fragilização do casamento, ampliando vertiginosamente o número das separações.

HOMENAGEM AO CONFRADE E IRMÃO FRANCISCO CAJAZEIRAS

            Francisco Cajazeiras, ao centro, com os colaboradores do Instituto de Cultura Espírita.             Tive a alegria e felicidade de conhecer Francisco Cajazeiras, a quem passei a tratá-lo por Francisco, no início da década de 1990, quando residia em Sobral, norte do Estado do Ceará, apresentado-o pelos colegas Everaldo Mapurunga e Geovani de Castro Pacheco, do Banco do Brasil em Viçosa Ceará, empresa onde também trabalhei. À época, abracei o ideal espírita e me vinculei ao Grupo Espírita Bezerra de Menezes, em Sobral. A aproximação entre os familiares foi alegre reencontro de almas – Rejilane (esposa), Alana e Ariane (filhas), logo em seguida nasceu Ítalo.