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ESPIRITISMO LIBERTADOR(*) E JUSTIÇA SOCIAL: O DESAFIO DE UMA CARIDADE QUE LIBERTA

 

 

Por Jorge Luiz

 

“A caridade que não questiona o sistema que produz a miséria,

é apenas colonialismo com boas maneiras”. (Aimé Césaire)


O Espiritismo e a Caridade em ‘Vozes da Seca’.

“Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão/Pelo auxílio dos sulistas nessa seca do sertão/Mas, doutor, uma esmola para um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

Os versos da música Vozes da Seca, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, inspirada no prosaico, no simples e no repetitivo do dia a dia, é de uma riqueza exuberante quanto à realização da caridade na dinâmica da vida real.

A composição é de 1953, isso é importante para se ter a dimensão da realidade naqueles tempos. Apesar disso, os compositores captam na poesia, que apesar dos sofrimentos prementes, ainda assim, revela a dignidade de um povo, que apesar das dificuldades, não quer viver de esmolas. A “esmola” é apresentada como uma faca de dois gumes: pode destruir a autoestima, “matando de vergonha”, ou criar um ciclo de dependência, “viciando” o cidadão.

A canção de Gonzaga e Zé Dantas nos ensina que a ajuda mais valiosa é aquela que capacita, preserva a honra e incentiva a autonomia, em vez de simplesmente aliviar a dor do momento. Por isso, a letra continua tão atual, ressoando a voz de um povo que procura mais do que auxílio: busca respeito e a oportunidade de prosperar com o próprio esforço. Essa iniciativa alimenta a esperança do acolhido.

A caridade é fundamental, mesmo como item de benemerência, tanto que Paulo a exalta em suas expressões às comunidades iniciantes.

 

A Caridade e a Doutrina de Paulo

Consonante com Gonzaga e Dantas, Paulo elabora o seu cântico de amor, ao escrever aos coríntios – I Cor, 13 – exaltando a fé, a esperança e a caridade, destacando a caridade sobre as demais virtudes.

Paulo, em suas cartas, evolui na compreensão da fé. A partir da compreensão de um dom (Hr, 11), ele entende que a fé exige uma resposta ativa e pessoal, ou seja, obras, caso contrário será morta (Ti, 2). Paulo, escrevendo aos Romanos – 8:21-25 –  admite que a esperança virá com a perseverança: a caridade tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta: Ela é a força que nos permite perseverar diante das provações e das imperfeições alheias. É a capacidade de manter a fé e a esperança, mesmo quando as circunstâncias são desfavoráveis, assim, Paulo exalta a caridade. Esses pontos em destaque deixam claro que a caridade não é mera coadjuvante nas relações interpessoais.

 

Kardec e a Face Oculta da Caridade

            Quando Allan Kardec associa a caridade ao amor e à justiça, consolidando-as como a principal lei moral – Livro III de O Livro dos Espíritos –, ele está dialogando com o cenário social em ebulição que se liberta da caridade cristã, remanescente do feudalismo, para se constituir a caridade como uma questão social. Alguns aspectos devem ser considerados: a) surge uma consciência moral para se pensar a exclusão social; b) a caridade reconhecida como questão social - até então vista como virtude católica; c) a pobreza passa a ser a enfrentada como “estratégia de governo”; d) surge a filantropia, ganhando status de ciência com o surgimento da pauperologia; e) surgem vários sistemas de ajuda mútua, destacando-se as sociedades filantrópicas. Leia-se, a esse respeito: “formada basicamente da assistência privada com algumas associações beneficentes da caridade, a filantropia cobra do Estado uma participação mais efetiva. O pobre passa a ter uma política oficial de assistência, sendo objeto de leis e decretos, com direitos, porém mais deveres e principalmente uma vigilância maior sobre sua vida e comportamentos (Diversos, 2004).

            O que fica patente em todo esse cenário é o entendimento do deslocamento da questão da pobreza natural para a pobreza decorrente do mundo do trabalho (idem). Esse é um aspecto da contemporaneidade e que deve ser considerado pelos espíritas.

            A emergência dessa “questão social” faz surgir o Socialismo Utópico, opondo-se ao individualismo. Os nomes que se destacaram, na conjuntura francesa, foram Saint-Simon e Charles Fourier, que na realidade não tinham nenhum vínculo com as lutas dos miseráveis.

            Em contato com as ideias socialistas, quem oferece uma visão do anacronismo dos agentes da caridade é Oscar Wilde, poeta e dramaturgo irlandês, quando afirmou que as emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência. Para ele, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a ideia. Assim, os homens, com iniciativas louváveis, embora mal aplicadas, atiram-se graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que veem. Mas seus remédios não curam a doença: só fazem prolongá-la. de fato, seus remédios são parte da doença (Wilde, 2003).

Notável e instigante é essa análise crítica do Wilde. Ele ressalta que alguns homens que realmente se debruçaram a estudar o problema e conhecem a vida – homens cultos de East End (**) – vieram a público implorar à comunidade que refreie seus impulsos altruístas de caridade, benevolência e coisas desta sorte. Fazem-no com base em que essa caridade degrada e desmoraliza, como nos versos de Gonzaga (idem). Seguindo os seus raciocínios, Wilde alerta que os piores senhores eram os que se mostravam mais bondosos para com seus escravos, pois assim impediam que o horror do sistema fosse percebido pelos que o sofriam, e compreendido pelos que o contemplavam. Buscam, diz ele, solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre, ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre.

A meta adequada é que os indivíduos busquem reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível a pobreza. Wilde enxerga que as virtudes altruístas têm, na realidade, impedido alcançar essa meta (idem).

            Já para o sociólogo e antropólogo Marcel Mauss, a caridade é comprometida com a economia da “dádiva” ou “dom” nas sociedades arcaicas como um fenômeno social total caracterizado por uma tripla obrigação de dar, receber e retribuir. Essa dádiva não é incondicional ou puramente altruísta; é uma troca que cria vínculos sociais, mistura de obrigação e liberdade, desinteresse e interesse. O dom cria uma obrigação de retribuir, não sendo um gesto meramente voluntário. A recusa de uma dádiva pode gerar vergonha ou até mesmo guerra (Lucas & Hoff, 2009).

           

            Fora da Caridade não há Salvação

         É possível entender Kardec atento a esse cenário pelos estudos que desenvolve, junto com os Espíritos, no corpo filosófico-doutrinário, principalmente em O Livro dos Espíritos.

         Falando aos espíritas em Lyon, desenvolveu verdadeiro tratado sobre caridade, destacando a sua acepção muito ampla. Há caridade em pensamentos, em palavras, em ações; não consiste apenas na esmola. Alguém é caridoso em pensamentos sendo indulgente para com as faltas do próximo; caridoso em palavras, nada dizendo que possa prejudicar a outrem; caridoso em ações quando assiste o próximo na medida de suas forças. O pobre, que partilha seu naco de pão com outro mais pobre que ele, é mais caridoso e tem mais mérito aos olhos de Deus do que aquele que dá do supérfluo, sem de nada se privar (Kardec, 2005). Kardec, na realidade, consolida a definição dos Espíritos, como benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias, perdão das ofensas (Kardec, 2000, Q. 886). Na questão nº 888, os Espíritos, considerando a esmola, adverte que ela degrada moral e fisicamente: embrutece. Para eles, o mais necessitado nem sempre é o que pede; o temor da humilhação retém o verdadeiro pobre, que quase sempre nem se queixa (Kardec, 2000).

            Kardec insere a caridade como divisa – Fora da Caridade não há Salvação, ele a faz a partir da dialética espírita, como método discursivo e está bem delineada no capítulo XV, itens 8 e 9 – Fora da Igreja não há Salvação e Fora da Verdade não há Salvação (Kardec, 1996).

         O século XIX é caracterizado pelos ventos do século anterior, que ainda sopram. Conhecido como Séculos das Luzes ou Iluminismo, baseou-se no racionalismo e no livre-pensamento para questionar os dogmas religiosos, o poder absoluto dos reis e a desigualdade social. O conjunto de ideias, para alguns considerado como inchaço do pensamento, parecia-se que ali se encerraria  a última palavra para o conhecimento dos homens.

            Nesse caldo cultural, nasce o Espiritismo ou Doutrina dos Espíritos. A Igreja, por sua vez, tentava consolidar, ainda, ser o caminho de redenção do homem após a morte. Nos comentários mencionados, Kardec expõe suas ideias, colocando o Espiritismo como solução dessa dualidade – ciência e religião – exaltando a caridade como o único meio de alavancar o progresso moral da sociedade, portanto, não é fora da igreja nem fora da verdade (ciência), mas fora da caridade.

 

Os Espíritas, a Caridade Esmoler e a Salvação

            No Brasil, sem tradição filosófica, o Espiritismo vai encontrar um sincretismo religioso e tem que lidar intestinamente em uma disputa entre científicos e místicos (religiosos), sendo a última a dirigir os destinos do nascente movimento espírita brasileiro.

            A deturpação do conceito de caridade como estruturada pelos Espíritos e Kardec, no Brasil, vai se redefinir com ações de benemerência, principalmente nas ações dos espíritas magnetizadores e homeopáticos, frente às questões precárias da saúde pública e medicalização da sociedade. Ponto de destaque nesse aspecto é o título de “Apóstolo da Caridade”, que é honrado ao Dr. Bezerra de Menezes. Isso foi fundamental para o caráter de assistência social se tornar um espectro da caridade. A caridade, agora, é a via de salvação para os espíritas brasileiros.           Bezerra de Menezes, portanto, é o “marco zero” para a versão caritativa, assistencialista e acrítica que se consolidou no Brasil, praticada pelos espíritas.

            A associação entre ‘espiritismo’ e ‘caridade, afirmada pela Federação Espírita Brasileira de várias maneiras e reencontrada na imprensa como fator de distinção em relação ao ‘baixo espiritismo’, vai ser também produzida e reforçada por um determinado discurso estatal preocupado com as questões de assistência social (Giumbelli, 1995).

            O professor e filósofo J. Herculano Pires, de forma didática, consolida essa realidade ao afirmar que a caridade esmoler, fácil e barata, substituiu as gordas e faustosas doações à igreja. Deus barateara a entrada do Céu, e até mesmo os intelectuais que se aproximam do Espiritismo e que têm o senso crítico, transformam-se em penitentes, afirma Pires (Pires, 1990). Nesse diapasão, foi se desenvolvendo a assistência social espírita sem um processo  crítico da realidade histórica e social em que se situam os atores que seriam público-alvo dessas iniciativas.

            Consolidou-se na sociedade brasileira uma personalidade espírita e ela é marcada e determinada pelas iniciativas de benemerência dos espíritas. Entretanto, a nódoa católica incrustada nos inconscientes e o desconhecimento das ideias de Kardec foram e ainda são determinantes para não se realizar a assistência social espírita com cidadania e justiça social.

Portanto, é preciso ir além da caridade e estimular a emancipação social de grupos a partir do empoderamento discursivo e da autonomia econômica. É preciso estimular a voz e as próprias escolhas , bem como reforçar a condição de protagonista das próprias alternativas. Não basta dar comida, água, luz e escola, como se isso possibilitasse a esses indivíduos mudar a sua condição de excluídos em protagonistas sociais. Assim, é a economia da dádiva (Lucas & Hoff, 2009).

            O Espiritismo libertador exige que a assistência social espírita seja empreendida, embora respeitadas as diferenças; é determinante se consolidar uma consciência educada de que é possível se construir uma sociedade em bases tais que seja impossível a pobreza.

            Socialismo, Comunismo, ou que nome se lhe dê, ao transformar a propriedade privada em bem público, e ao substituir a competição pela cooperação, há de restituir à sociedade sua condição própria de organismo inteiramente sadio, e há de assegurar o bem-estar material de cada um de seus membros. Devolverá, de fato, à Vida, sua base e seu meio naturais (Wilde, 2003). Ouvindo Wilde, é oportuno realçar que o socialismo é um galho da frondosa árvore espírita, cujo tronco é constituído em “O Livro dos Espíritos”, estudado por nomes como Herculano Pires, Cosme Mariño, considerado o “Kardec Argentino”, Manuel Porteiro, poeta e escritor argentino, Humberto Mariotti, intelectual argentino, Eusígnio Lavigne, jurista e marxista e Dora Incontri, jornalista e educadora, brasileiros.

            Os integrantes do Movimento Espírita Progressista – MEP – realizam muitas discussões através de palestras, lives, editando livros com abordagens acerca das diversas questões sociais, dialogando com a Doutrina Espírita.

             A intenção desta resenha não é questionar a validade das iniciativas de assistência social espírita, muitas das quais são publicamente reconhecidas. O objetivo é apresentar razões doutrinárias para que os processos utilizados nessas atividades sejam revistos. Entretanto, o Espiritismo Libertador é disruptivo! É centrípeto! Disso, deverão surgir novos processos pedagógicos institucionais e na dinâmica com o público assistido.

            O grande perigo do assistencialismo está na violência do seu antidiálogo, que, impondo ao homem mutismo e passividade, não lhe oferece condições especiais para o desenvolvimento ou a “abertura” de sua consciência, que, nas democracias autênticas, há de ser cada vez mais crítica. (...) o que importa, realmente, ao ajudar-se o homem é ajuda-lo a ajudar-se. (e aos povos também.) é fazê-lo agente de sua própria recuperação. É, repitamos, pô-lo numa postura conscientemente crítica diante dos seus problemas, aconselha a pedagogia libertária paulofreiriana (Freire, 2015).

            Que a nossa caridade deixe de ser o analgésico da miséria para se tornar a ferramenta da liberdade; pois fora da emancipação do próximo, toda assistência é apenas o prolongamento do seu cativeiro!

 

Referências:

DIVERSOS, Autores. Em torno de Rivail. São Paulo: Lachâtre, 2004.

DIVERSOS, Autores. Teoria social espírita: fundamentos da igualdade social. São Paulo: Conhecimento, 2025.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. São Paulo; Paz e Terra, 2015;

GIUMBELLI, Emerson. Os cuidados dos mortos: uma história da condenação e legitimação do espiritismo. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. São Paulo: EME, 1996.

_____________. O Livro dos espíritos. São Paulo: LAKE, 2000.

LUCAS & HOFF, Luciane e Tânia. A face oculta da caridade: linhas de força e fraturas no discurso midiático do bem.

MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a dádiva – forma e razão da troca nas sociedades arcaicas. São Paulo; UBU, 2017

Porto Alegre: Revista Famecos, 2009.

WILDE, Oscar. A alma do homem sob o socialismo. Porto Alegre: LP&M Editores, 2003.

 

(*) A conceituação de Espiritismo se exige no desenvolvimento de muitas ideias, presentes os diversos Espiritismos que se desenvolveram no Brasil, desde a sua chegada no século XIX (Roustainguismo, Ubandismo, Emanuelismo, Andreluizismo, Chiquismo). Apesar de valorizar as correntes no movimento espírita que se autodenominam “progressistas”, entendo que ele divide mais, do que realmente congrega, os espíritas brasileiros. O Espiritismo Libertador aqui que será sempre proposto busca viabilizar de forma harmônica muitos temas, como a própria assistência social espírita, conscientizando muitas questões antes tabus, como desigualdades sociais, propriedade privada, justiça social, dentre outras, figure na agenda premente das instituições espíritas.

 

 (**) O uso do termo East End, em um sentido pejorativo, começou no final do século XIX, quando a expansão da população de Londres levou à extrema superlotação de toda essa área e a uma concentração de pobres e imigrantes. Os problemas se agravaram com a construção da St. Katharine Docks (1827) e de um terminal da ferrovia central de Londres (1840-1875) que causaram a eliminação de antigas favelas, com muitas das pessoas desalojadas se deslocando para East End. Ao longo de um século, East End se tornou sinônimo de pobreza, doenças, superlotação e criminalidade.

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    Este é um texto instigante que propõe uma revisão crítica e estrutural do conceito de caridade dentro do movimento espírita brasileiro. O autor utiliza uma base interdisciplinar riquíssima — unindo a música popular de Luiz Gonzaga, a filosofia de Oscar Wilde, a antropologia de Marcel Mauss e a pedagogia de Paulo Freire — para questionar o que chama de "caridade esmoler".

    Abaixo, apresento um comentário sucinto dividido pelos eixos centrais da argumentação:
    1. A Crítica ao Assistencialismo "Esmoler"

    O artigo estabelece uma distinção clara entre a caridade que liberta e a esmola que vicia ou humilha. Ao citar Vozes da Seca, o texto resgata a dignidade do assistido, argumentando que a ajuda que não promove a autonomia acaba por perpetuar a dependência e "matar de vergonha" o cidadão, funcionando mais como um paliativo do que como uma solução.
    2. O Diálogo entre Kardec e a Questão Social

    Um dos pontos mais fortes é o resgate do contexto histórico de Allan Kardec. O autor defende que o Espiritismo original dialogava com as transformações sociais do século XIX. Ele aponta que, no Brasil, a herança católica e o foco no aspecto religioso acabaram por "domesticar" o potencial transformador da doutrina, transformando a caridade em um "passaporte para o céu" (a crítica de Herculano Pires), em vez de uma ferramenta de justiça social.
    3. A Proposta do "Espiritismo Libertador"

    O texto converge para a necessidade de um Espiritismo Progressista ou Libertador. Fundamentado em Oscar Wilde e Paulo Freire, o autor argumenta que:

    A caridade não deve apenas manter o pobre vivo, mas reconstruir a sociedade para que a pobreza seja impossível.

    O foco deve sair do "doador" (que busca a própria salvação) para o "assistido" (que deve ser protagonista de sua própria emancipação).

    Conclusão

    O artigo é um convite à maturidade política e social das instituições espíritas. Ele sugere que a verdadeira aplicação da máxima "Fora da caridade não há salvação" passa obrigatoriamente pela emancipação econômica e discursiva do próximo. Como bem resume a frase final: a assistência sem libertação é apenas o prolongamento do cativeiro.

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