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GANHAR PARA PERDER

 

Por Roberto Caldas

             

            Apesar de tantos e efetivos progressos o mundo ainda convive com profundas feridas, cuja cicatrização parece ser de difícil alcance.

            É sabido que a Natureza escala uma ladeira passo a passo, sem dar saltos. Especialmente se essa natureza é a humana, quando o livre-arbítrio estabelece a velocidade em que cada um s desloca. Nesse quesito nem mesmo Deus teria a prerrogativa de interferir, dada a sua inviolabilidade.

            Exatamente pela ampla capacidade de escolhas é que acontecem as estagnações evolutivas, contrariando o desejo de tantos que aguardam o alvorecer de uma nova era, pela permanência coletiva em regiões de flagelos e expiações.

As graves condições de vida sobre a Terra é uma questão de livre arbítrio tão somente, portanto não abordáveis satisfatoriamente de forma simplória.

As calamidades humanas que se expressam pela violência das guerras, responsáveis pelo extermínio e o êxodo de populações inteiras; pela insegurança alimentar e pela fome que alcança bilhões de pessoas num planeta que  permite produção de alimentos suficientes para que não falte a ninguém; pela existência de conglomerados de bilionários, mormente aqueles que geram riquezas a partir de produtos que acarretam prejuízos à vida humana; pela destruição dos biomas naturais pela ganância de cultivar terras e descobrir jazidas, sem os devidos cuidados de evitar poluição, desmatamento e empobrecimento ao meio ambiente.

 A equivocada crença de que é possível viver tranquila e satisfatoriamente em detrimento ao bem estar do outro é uma, entre tantas falácias que reverberam na mente de porção ainda significativa daqueles que dividem o espaço de convivência em sociedade. Certamente porque lhes falte ao coquetel de argumentos que alimentam tais posturas os princípios que dão amplidão à vida além da morte.

Ter clareza quanto à continuidade da vida além do sepulcro é uma tese que pode determinar alteração no complexo de decisões que alimentam as graves crises humanitárias que assolam a maioria da população planetária. Bastaria mergulhar com seriedade nas palavras de Jesus (Marcos 8;36) para identificar a gravidade de determinadas escolhas: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?”.

A Doutrina Espírita lança desde abril/1857 um convite ao estudo das leis de causa e efeitos, cujas consequências se perpetuam para além do corpo físico e retornam com a aquisição de uma nova experiência existencial. O Espírito imortal não foge jamais de suas decisões e atitudes. O livre arbítrio permite liberdade de escolha, mas estabelece compromisso de responsabilidade com possíveis danos causados com essa liberdade.

Cedo ou tarde, o planeta haverá de suplantar o cortejo dos estagnados morais e reunirá aqueles que cogitam do progresso solidário para a manutenção do equilíbrio social e ambiental para a harmonia e o bem estar de todos, sem quaisquer distinções.

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