Pular para o conteúdo principal

FELICIDADE

 


 

Por Marcelo Henrique

 

 “Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade”.   (Charles Chaplin)

 

É bem provável que a grande maioria das pessoas, em algum momento já tenha refletido a respeito da felicidade.

Encontramos em boa parte das propagandas, pessoas esbanjando felicidade quando adquirem os produtos ou serviços oferecidos. Isto porque a mídia se encarrega bem do papel de estimular o consumo, de modo que transpareça que as pessoas, ao consumirem, se tornam felizes.

Todavia

Sabemos que a realidade não é bem assim, isto é, as coisas não funcionam deste jeito, ainda que seja essa a mensagem que queiram nos passar.

Aquela história de que a grama do vizinho é mais verde é outra impressão forte que se tem acerca da suposta felicidade alheia, porque é mais fácil acreditar que a vida do outro é melhor e, consequentemente, ele é mais feliz, mesmo sem saber se isto é verdade.

Mas, se o outro realmente é (ou está) feliz, o que faz com que seja (ou esteja) assim? 

Na antiguidade acreditava-se que as pessoas poderiam ser felizes ou não se os deuses o quisessem; tal crença levava ao conformismo em relação à situação em que cada pessoa se encontrava e a responsabilidade em relação à felicidade era transferida a alguém superior, ao desconhecido, similar à crença sobre a existência de um destino imutável.

Com a vinda de Sócrates, a felicidade passou a ter outro significado a partir do momento em que ele questionou:

O que é felicidade?

Como atingi-la?

Para ele, era possível ser feliz a partir do conhecimento de si mesmo, pois ao nos conhecermos reconheceríamos nossas limitações, nossos prazeres e poderíamos conhecer melhor o outro também.

Em verdade, a noção de felicidade é, assim, algo muito pessoal, pois aquilo que faz uns felizes pode não significar felicidade para outros.

Então, como saber o que é felicidade?

Para a sociedade ser feliz é ter dinheiro, um bom lar, bens materiais, emprego, estar na moda, casar, ter filhos, poder passear ou viajar, dentre tantas outras coisas, de modo que pessoas que estejam fora deste estereótipo não são felizes (ou não parecem felizes), como se fosse possível olhar para o outro e dizer com precisão o quê lhe faria feliz! Muito distante de querer buscar uma definição única para felicidade, ou até uma receita para conquistá-la, neste ensaio, procuramos refletir a respeito de nós e dos outros, buscando compreender que cada um possui uma forma muito íntima e pessoal de saber/conhecer o que lhe faz sentir feliz.  

Podemos notar que pessoas felizes também têm problemas e, ainda, que a felicidade não é constante, pois todos passam por momentos ruins; logo, é possível viver momentos felizes e isso irá depender da forma como cada pessoa irá lidar com os acontecimentos da sua própria vida e da vida daqueles que a rodeiam.

Hoje em dia, neurologistas já conseguem identificar as áreas que são ativadas pelo cérebro quando nos sentimos felizes.

Em paralelo, curiosamente, foi um economista, Richard Layard, quem notou que o aumento de renda em determinados países não fez crescer na mesma proporção a felicidade das pessoas, dissociando, assim, a crença de que o dinheiro traria necessariamente felicidade. Para ele

    “[…] felicidade é sentir-se bem, gozar a vida”. (Richard Layard)

Jesus, ao dizer que a felicidade não seria deste mundo, provavelmente não quis afirmar que na Terra as pessoas não poderiam ser felizes, mas que o que Ele entendia/concebia por felicidade estaria bem longe do que conhecemos ou poderíamos conhecer neste planeta.

E, também, que a felicidade não seria uma constante em nossas vidas, o que não impediria que o ser não pudesse experimentar momentos felizes.

Para Kardec (Revista espírita, março, 1865, “Onde está o céu?”),

    “A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se acha.” Porque o cultivo e o exercício das qualidades (virtudes) dirão se ele é feliz ou não, de modo que as pessoas que nunca estão de bem com a vida geralmente são mais infelizes do que aquelas que são encontram o prazer nas circunstâncias simples do cotidiano.” (Revista espírita, março, 1865, “Onde está o céu?)

Se a felicidade for entendida como uma tarefa humana, peculiar a cada indivíduo, então ela se transmuda de inalcançável para possível, já que todos podem saber como buscar e desfrutar de sua felicidade, na mesma proporção em que compreendem que, para o outro, ela tem um significado diferente, ainda que se aproxime do seu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

JESUS CONOSCO

OCristianismo nascente foi alicerçado através da ajuda considerável da Espiritualidade Superior. Os Espíritos, sob a tutela do Cristo, assessoraram os primeiros cristãos, auxiliando-os na grande tarefa de difundir o Evangelho para todas as criaturas. O escritor da Epístola aos Hebreus dizia que uma “nuvem de testemunhas” rodeava-lhe e aos seus discípulos (12:1). O mesmo autor denomina Deus como “Pai dos espíritos” (Hebreus 12:9) e exorta os primeiros seguidores do Cristo a “obedecerem aos guias, sendo obedientes para com eles, já que velam por suas almas” (Hebreus 13:17). É claro que fala de guias espirituais, já que alerta que Todos deveriam “lembrar-se deles, imitando a fé que tiveram” (Hebreus 13:7) e enfatiza que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo, e o será para sempre” (Hebreus 13:8).

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESPIRITISMO DE VIDRO: O MEDO DO CONFLITO E A FALSA MANSIDÃO

       Por Jorge Luiz                    A Redoma de Vidro e o Estereótipo Anestesiado             Existe uma coreografia muito bem ensaiada nos salões do espiritismo hegemônico contemporâneo. Ela é composta por tons de voz milimetricamente sussurrados, sorrisos condescendentes que flutuam acima das misérias do mundo e uma gramática da passividade que confunde o torpor com a iluminação. Criou-se uma caricatura de santidade, um verdadeiro "espectro" encenado onde o indivíduo adota uma persona ritualística: distribui abraços, beijos e tapinhas nas costas dentro dos limites do centro espírita, mas desliga o afeto institucionalizado assim que cruza a porta de saída. Esse "bom espírita" tornou-se aquele sujeito plasticamente pacificado, incapaz de se alterar diante da injustiça, que assiste ao desmonte dos direitos sociais mais básicos da janela de seu apartam...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

ESPÍRITAS: CONTRADIÇÕES E ATAVISMOS

          De maneira recorrente vê-se sendo utilizada a classificação de espíritas progressistas , muito embora não se encontre essa denominação nas classes de espíritas didaticamente elaboradas por Allan Kardec. Na realidade, o termo pode em um primeiro momento parecer redundante, tendo em vista que o Espiritismo é uma doutrina essencialmente progressista. Leia-se o que Kardec comenta à pergunta 783 de O Livro dos Espíritos : Sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém pode se opor a ele. É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não asfixiar.”           Em um segundo momento, a expressão converge para o movimento progressismo, que se opõe ao conservadorismo. O progressismo está vinculado à concepção de progresso, que na definição de Norberto Bobbio, em seu Dicionário de Política, é

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORAL ESPÍRITA: A AUTONOMIA

                Por Maurício Zanolini               O psicólogo do desenvolvimento Yves de La Taille estuda o o processo de aprendizagem da moral nas sociedades humanas. Ele explica que a moral é a restrição da liberdade dos indivíduos para que possam viver em sociedade e que cada sociedade desenvolve seus próprios códigos de conduta. A família portanto é o núcleo mais básico onde esse código será vivenciado pela criança que está aprendendo a moral. Mas para além da família, a religião, a cultura e as tradições que compõe o que é socialmente aceito para um determinado agrupamento de pessoas, serão as influências responsáveis pela formação moral da criança. Podemos incluir a escola e o Centro Espírita nesse círculo de influências formativas.

O APARELHO PSÍQUICO - Uma proposta a partir da obra de André Luiz

Por Roberto Lúcio (*) Um estudo sobre a visão espírita da mente deve iniciar com as informações das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira. As principais anotações encontram-se no livro “No Mundo Maior”, capítulo 03, ditado ao médium Chico Xavier. No entanto, em vários tópicos de suas obras encontram-se informações preciosas a serem apreciadas. No capítulo, André Luiz retrata o cérebro em três grandes áreas, como a biologia já indicava, mas ampliando a abordagem sob o ponto de vista espiritual. É necessário lembrar que uma divisão do aparelho psíquico em três grandes áreas já estava também presente nos textos de Freud, o grande estudioso e criador da Psicanálise. A Neurociência vem, nos últimos anos, avançando suas pesquisas na compreensão de certos aspectos da vida psíquica, clareando certas colocações freudianas, o que deu campo para a criação de uma nova subespecialidade: a neuropsicoanálise.    Não se pode negar ...

"FOGO FÁTUO" E "DUPLO ETÉRICO" - O QUE É ISSO?

  Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”. Outra explicação encontramos no dicionarista laico, definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou, ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.