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ESTAMOS CEGOS E SURDOS?

 

Por Roberto Caldas

Indiscutível a exigência do atrito da diversidade para a formação do cidadão. Ninguém alcança a maturidade social, profissional sem passar pelas experiências de conviver com o pensamento divergente. Mesmo no aglomerado familiar nuclear, e principalmente na família ampliada, as diferenças são ferramentas de crescimento.

            Querer ocupar espaços de participação é uma reivindicação não apenas necessária, mas essencial para que as apostas individuais e coletivas possam se tornar práticas regulares dentro da sociedade. Quão maior a percepção de aceitação das diferenças na comunicação das convicções mais amplas as possibilidades de enriquecer de parte a parte as posições divergentes, obviamente se há de parte a parte a inclinação para o entendimento e cultivo do clima de pacificação.

            Retirada a inclinação de entendimento e cultivo do clima de pacificação, mesmo que unilateralmente, nada feito. Aquilo que poderia consagrar a maturidade do discurso de civilidade se transforma em batalha de incoerências com potenciais explosivos e danosos. Justamente na contramão do que é proposto como motivação inicial. Busca-se rasgar as vias da sensatez e irromper em violência como meio tresloucado de convencimento a todo custo.

            A violência é, seja qual for a sua justificativa, a aventura da loucura, o ponto final inteligência, a perda completa do respeito ao direito de preservação da integridade do outro. Todo ato violento é confissão explícita de ausência de sanidade. É esse senso é o mesmo que produz as guerras que vitimam seres humanos aos milhões mundo afora, muito especialmente os povos mais vulneráveis. Exatamente a aplicação da violência com objetivo de destruição para silenciar a divergência e massacrar o outro como demonstração de força.

            A questão 742 de O Livro dos Espíritos trata desse conceito: “Qual a causa que leva o homem à guerra? – Predominância d natureza animal sobre a espiritual e a satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos só conhecem o direito do mais forte, e é por isso que a guerra, para eles, é um estado normal...”

            No ano de 1971, uma composição de Roberto/Erasmo - TODOS ESTÃO SURDOS – evoca a mensagem de Jesus perdida na mente daqueles que utilizam a violência e fazem a guerra. Convida os homens e as mulheres ao olhar de preservação da vida e ao entendimento alicerçado no bom senso de buscar meios para a pacificação dos ânimos. A canção nos lança uma pérola para a reflexão de todos: “Não importam os motivos da guerra, a PAZ ainda é mais importante que eles”.

            A Doutrina Espírita, calcada na ética de Paz de Jesus, é canal pelo qual há de fluir o pensamento livre tendo como base a razão que potencializa a percepção crítica acerca de todas as coisas, mas aponta para o entendimento como forma de resolução de todos os problemas. Diante das divergências, quaisquer que sejam, ao espírita vale a pena consultar os ideais doutrinários para se tornar aquele que, sem se tornar parte do problema, é alguém que investe sempre na solução pacífica.

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