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ESCOLHAS E JUSTIÇA DIVINA

          


        Durante o longo período de evolução do pensamento religioso e espiritual, com grandes resquícios ainda no presente, acredita-se que uma força externa ao Espírito se imponha, de forma a selar o seu destino. Criou-se a crença de que as ocorrências estariam determinadas pelas estrelas e, portanto, definidas por questões que extrapolam qualquer possibilidade de controle. Provável que   a crença na unicidade da existência tenha reforçado essa interpretação. Assim sendo chegou-se à proposta de Deus como um ser intervencionista ou a possibilidade do acaso funcionar como estratégia determinante para os eventos da vida.

            A Doutrina espírita diz NÂO para essa concepção que solapa de uma só vez, de Deus a Justiça e do Espírito a responsabilidade. O trunfo que se apresenta em favor da visão espírita é exatamente a lógica milenar da Reencarnação, cujas coordenadas estabelecem o entendimento em torno do encadeamento das existências e defende, como razão desse processo, os ciclos de crescimento intelectual e moral, à medida em que o aperfeiçoamento científico e de costumes avançam. 

            Dito de forma direta e sem rodeios, as situações que se experimenta na existência que se repete são escolhas. Há complexidades nessas escolhas, mas sempre serão escolhas. Entender esse contexto requer estudo e reflexão. Necessário cuidado para não confundir a simplicidade desse princípio com o simplismo, o qual não passa de um meio de contraditores pouco honestos tentarem tratar o assunto com a intenção de desqualificá-lo.

            A questão 256 de O Livro dos Espíritos reflete a realidade das escolhas: “No estado errante, antes de nova encarnação corpórea, o Espírito tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida? – Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer; nisto consiste o seu livre-arbítrio”.      

            A escolha, porém, não sucede apenas antes da encarnação. Pode ser refeita tantas vezes o espírito pretenda e acumule perspectivas de realizar (LE – q. 860). Porque a vida é dinâmica e pode ser reinventada a partir de decisões, não obstante seja fundamental que se saiba que a roda da vida não gira apenas pela vontade individual, senão pela compreensão da ampliação das ações coletivas. Esse entendimento valoriza a fortificação do indivíduo num contexto de conexão com o mundo, conceito que ultrapassa a noção do individualismo que leva à aberração do “self made man”.

            Importa a valorização da expansão do conhecimento. Aprender é crescer. Atender ao bom senso da Ciência, que abre as portas para grandes realizações e mudanças de toda ordem. A verdadeira renovação sucede do aprendizado, não necessariamente da dor. Pode haver aprendizado sem dor, conquanto a dor possa em muitos casos ser pedagógica. É possível encontrar caminhos que diminuam a intensidade e a persistência da dor. Esses caminhos são resultado do conhecimento que se apreende nas relações civilizatórias e na flexibilidade em entender os avanços da Ciência Humana, reveladores que são das inspirações que emanam das forças espirituais que alimentam os mecanismos de evolução na terra. Aprender a escolher é terapêutico e revela o quanto se consegue compreender a Justiça divina.     

           

 

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