Pular para o conteúdo principal

A ALQUIMIA DO VIVER¹



               

 Por Roberto Caldas (*)


               Se há um verbo que consiga caracterizar a condição de vida sobre o planeta que nos abriga, esse verbo é o TRANSFORMAR. A capacidade de mutação e adaptação é uma das maiores qualidades que um ser pode desejar, desde que passe pela sua idéia qualquer ambição de progresso. A falta de aspiração em galgar novas posições denota senso de apatia, seja qual for o patamar em que se estagie. É possível que uma conquista recente e ainda repleta de prazeres se torne um ambiente propício para certo relaxamento momentâneo, porém passada a pausa para refazimento, depois do objetivo alcançado, é importante retomar o plano de seguir se superando na busca de novos desafios.
            Naturalmente é de grande importância festejar-se o passado, mas é muito mais fundamental que se preze a disposição do presente na construção de realidades que ansiamos para a manutenção do equilíbrio. A decisão de seguir adiante tipifica um comportamento que favorece o melhor aproveitamento das oportunidades de progresso em qualquer seguimento de atividade que o indivíduo exerça.

            É lógico que qualquer caminhada é repleta de obstáculos que exigem concentração de esforços para serem vencidos. Também é inegável que as dificuldades da estrada estão relacionadas com as lacunas emocionais que caracterizam cada pessoa, razão que nos impede, se quisermos ser justos, de lançar críticas ao outro quando o flagramos em processo de fragilidade quando visitado pelas agruras de sua própria existência. As razões que levam alguém a claudicar frente aos embates de sua vida, por mais simples que pareçam àquele que acompanha à distância, podem ser tão grandes quanto aquelas que julgamos intransponíveis quando chega a nossa hora do testemunho ou da renúncia.
            Cada conquista exige uma mudança de hábitos para se concretizar. A única estrada para que se alcance a vitória abalizada pela ética e a honestidade, qualidades sem as quais não pode ser chamada de vitória, terá que repousar na clareza de objetivos e na persistência inteligente, ingredientes que acarpetam a passagem, apesar de todas as necessárias paradas para correção de propósitos e reabastecimento de ânimo. 
            Importante que se faça uma sondagem de todas as virtudes e dos defeitos que fazem parte da nossa bagagem existencial, com a finalidade de aperfeiçoar as primeiras e corrigir os últimos e certamente esse levantamento é uma das maiores pontes para a exatidão das escolhas do caminho a seguir, por isso tão complexa a sua realização de forma apropriada. A nossa imperfeição nos leva a exaltar as virtudes e minimizam os defeitos, daí muitas buscas acabam levando à frustração, pois os instrumentos da escalada acabam fragilizando as nossas posições diante das armadilhas que nós mesmos criamos.
            Existimos primariamente numa condição de simplicidade e ignorância (LE – q 121) e o ato de transformar-nos é o único caminho que exista se quisermos chegar em algum lugar que faça diferença para a nossa existência. A satisfação com o que alcançamos é alçapão que nos impede avançar. Mesmo quando tudo pareça completamente adequada é fundamental alimentar a certeza de que podemos fazer ainda melhor. Viver é sinônimo de transformação.  

¹ editorial do programa Antena Espírita de 03.05.2015
(*) escritor espírita, editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

Comentários

  1. Que texto maravilhoso, de esclarecimento e estímulo ao nosso avanço existencial e, por conseguinte, espiritual. Caminhar TRANSFORMANDO é a nossa ordem do dia. Estacionar é não enxergar as oportunidades que Deus nos coloca para sermos felizes, com o nosso próprio mérito e esforço. Cabe a cada um de nós decidir qual será o nosso amanhã: se de lamentos e tristeza, ou de vitórias conquistadas. Que possamos enxergar o HOJE como possibilidade REAL para as mudanças que precisamos em nossas vidas.

    ResponderExcluir
  2. Jorge Luiz, parabéns desenvolvimento e atualização constantes do Blog Canteiro de Ideias. Um lugar de consulta doutrinária completo!

    ResponderExcluir
  3. Olá, Ana Luiza!
    Sua opinião é muito valiosa para todos nós do Canteiro de Ideias. Jubilamo-nos com a sua iniciativa.
    Abraço fraternal!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A AUDITORIA DA ALMA: VIDAS PRETÉRITAS, FORMA-MERCADORIA E A ÉTICA DO EU-TU

    Por Jorge Luiz   O Mito da Identidade Intacta             Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha.             Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

A DEMOCRACIA DO TEMPO: A ÚNICA IGUALDADE QUE NINGUÉM PODE EVITAR

  Por Wilson Garcia Existe uma verdade diante da qual desaparecem todas as diferenças: a trajetória humana é finita, embora se desenrole dentro da infinitude.   Todos passam. Os cantores e os poetas. Os artistas e os artesãos. Os cientistas e os agricultores. Os presidentes e os operários. Os milionários e os pobres. Os anônimos e os famosos. Os homens e as mulheres que ocupam as manchetes dos jornais, assim como aqueles cujos nomes jamais serão registrados pela história. Há democracias construídas pelos homens. Há uma, porém, que independe de governos, leis ou ideologias: a democracia do tempo. Diante dela, todos comparecemos em absoluta igualdade.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

DIVERSIDADE NÃO JUSTIFICA DESIGUALDADE

  Por Alexandre Júnior                A justiça não se estabelece por si só. É necessário que a façamos. Quando nos negamos a combater, debater, encarar, perceber e estudar as desigualdades sociais, menos estaremos aptos a produzir, de forma consciente e politicamente, ações de enfrentamento às injustiças, bem como posturas afirmativas de produção de igualdade e justiça social. Em que pese a insistência nefasta de toda uma estrutura social hegemônica, que, de forma opressora, transforma diversidade em desigualdade.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

A HISTÓRIA DA ÁRVORE GENEROSA

                                                    Para os que acham a árvore masoquista Ontem, em nossa oficina de educação para a vida e para a morte, com o tema A Criança diante da Morte, com Franklin Santana Santos e eu, no Espaço Pampédia, houve uma discussão fecunda sobre um livro famoso e belo: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein (Editora Cosac Naify). Bons livros infantis são assim: têm múltiplos alcances, significados, atingem de 8 a 80 anos, porque falam de coisas essenciais e profundas. Houve intensa discordância quanto à mensagem dessa história, sobre a qual já queria escrever há muito. Para situar o leitor que não leu (mas recomendo ler), repasso aqui a sinopse do livro: “’...

CARPE DIEM!

“Deus pede hoje estrita conta do meu tempo E eu vou, do meu tempo dar-lhe conta. Mas como dar, sem tempo, tanto conta Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? Frei Antonio das Chagas (1631-1682) Por Jorge Luiz (*)               O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou no dia 18 último, resultado de pesquisa que revela que em uma escala de 0 a 10, os brasileiros dão em média 7,1 para suas vidas. Esse nível colocaria o Brasil em 16º entre os 147 países pesquisados pela Gallup World Poll, que apontava uma felicidade média de 6,8 no Brasil em 2010.             O Nordeste é a região mais feliz do Brasil, com nota média de 7,38. Se fosse considerado um país, nós nordestinos ficaríamos em 9º na classificação global, entre belgas e finlandeses. Apesar de ser considerada a região mais rica do Brasil, o Sudoeste foi con...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...