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ESPIRITISMO E AS QUESTÕES SOCIAIS

 

 

Por Alexandre Júnior


Como pode o Espiritismo participar e contribuir objetivamente com as inúmeras e diversas necessidades da sociedade pós-moderna?

 

Essa discussão é de caráter primordial para a forma de pensarmos o Espiritismo no Brasil. Entendemos que a religião faz parte das culturas em todas as épocas da humanidade, mas o que o Espiritismo tem produzido no Brasil, é dogmatismo religioso, essa forma de ver o mundo, inviabiliza o diálogo e consequentemente inviabiliza os afetos, institui uma forma padrão e conservadora de pensar, de Ser e de enxergar o mundo.

Quem foge dessa realidade é automaticamente invisibilizado, foi assim desde o começo da institucionalização do Espiritismo brasileiro com José Herculano Pires, Deolindo Amorim, Humberto Mariotti, Cosme Mariño, Manuel Porteiro, Eusínio Lavigne e contemporâneos como Wilson Garcia, Dora Incontri, Sérgio Aleixo.

O dogmatismo religioso estabelece inabilidade ao diálogo, imaturidade à produção do contraditório, e sabemos que os saberes não se dão onde não há

Respeito às diferenças e ao contraditório. O Espiritismo é apartidário, porém sob nenhuma circunstância apolítico. Diz Kardec no capítulo III Do Método, no O Livro dos Médiuns, “O Espiritismo se relaciona com todos os problemas da humanidade”.

Dessa forma, precisamos urgentemente desmistificar a política e desdogmatizarmos o Espiritismo no Brasil, entendermos que não haverá mundo de regeneração sem igualdade e sem justiça social, bem como, por mais importante que sejam os trabalhos assistencialistas, compreendermos que sem práticas que promovam o sujeito, o Espiritismo não está contribuindo com seu papel de criar uma sociedade que se ame, de forma que, a não discussão dos temas que compõem as dinâmicas sociais de nosso tempo, produz alienação e insensibilidade as desigualdades e injustiças sociais que em nosso país promovem mortes e vários tipos de violência.

Poderá o Espiritismo participar e contribuir objetivamente com as inúmeras e diversas necessidades da sociedade pós-moderna, quando os adeptos entenderem que nenhuma mudança de âmbito social, se dará sem a produção de políticas públicas que promovam igualdade e justiça social.

Comentários

  1. Quando alguns adeptos entenderem... Não podemos aguardar que exista essa consciência. Vamos promovendo essas reflexões para que alguma consciência nesse sentido se estabeleça, ainda que em condição minoritária. Obrigado pela excelente contribuição.

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  2. Concordo inteiramente Alexandre; e mais, sem essa mudança e atualização, acabaremos por não ter mais espiritismo científico filosófico kardecista. Doris Madeira Gandres.

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