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PARA QUÊ A HISTÓRIA E OS LIVROS?

 

 

Por Roberto Caldas

 

Como seria o mundo se todo dia nascesse sem a referência do dia que lhe antecedeu? Pessoas destituídas de memória teriam tarefas a executar, cujo ponto de partida seria a experiência zero. Começando tudo, todo dia. Nenhum conhecimento possível para fazer a vida se transformar. Nada de ciência, nada de inventividade, nada de coisa alguma.

            Essa a dramática condição das civilizações se alijadas da possibilidade de guardar memórias e rever os caminhos que outros caminharam   trazendo-nos às vias da contemporaneidade. Fato que sucedeu através dos tempos, com o recurso fabuloso da comunicação oral, da escrita e dos livros. Ah! Os livros! Quisera o planeta fosse uma enorme biblioteca e muito menos trevas haveria nas comunidades humanas.

            O papel que a história desempenha, especialmente através dos livros, é o que salva a humanidade da degeneração. Tanto que nenhum progresso pode ser aspirado quando se desiste do livro, grande vítima de todas as tiranias que a Terra experimentou. Da mesma forma quando se declina das grandes lições da história assume-se o fracasso de qualquer estratégia de mudança. Descartar conhecimentos do passado é medida que interrompe o fluxo do pensamento na direção do futuro.

            O processo que permite aos povos progredirem tem em sua base a visibilidade de um extenso mosaico de composição heterogênea, na qual todas as experiências humanas dão um colorido específico, e todas mesmas, inclusive aquelas experiências que passam à posteridade como fracassos retumbantes. A história ensina que toda experiência ensina, umas para serem repetidas, outras para jamais se repetirem, mas ainda assim entendidas e estudadas.

            Eis uma das razões para que a edificação do pensamento espírita repousa na história que os livros contam e porque todo o empenho de Allan Kardec em deixar o máximo que pode em informações e reflexões gráficas. O codificador não poupou esforços e não se conformou em apenas pesquisar, mas fez de suas pesquisas um legado para servir de base para alimentar o pensamento daqueles que o sucederiam na divulgação do espiritismo nos séculos seguintes. Suas obras constituem no tesouro mais valioso que os espíritas têm em mãos para a compreensão da trajetória da humanidade.

            Não deixa de ser lamentável quando se intenta negar a importância de todos os esforços daqueles que nos antecederam no tempo. Isso explica muitas guinadas de obscurantismo que a humanidade já degustou em sua trajetória milenar e ainda degusta nas paisagens dos dias que transcorrem sob nossas vistas.

            Bendita a história. Bendito o livro, Benditos os esforços que serviram de trampolim à otimização da vida das pessoas nesse planeta. O que seríamos sem essas alavancas de prosperidade? Quem dera que aqueles que se avultam ao poder humano pudessem em suas tomadas de atitude tivessem a sensibilidade em lhes consultar os enredos que compõem a grande enciclopédia do pensamento. Benditos aqueles que semearam em seus campos de ação a lição fértil que enobrece a existência do passado ao futuro. Permitamo-nos ser atentos observadores do presente sob as bênçãos da história e dos livros. 

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