Pular para o conteúdo principal

DOENÇAS-CASTIGO DIVINO?


 

No orbe terrestre, a dor é compulsória e abarca todos os seus habitantes. Por que tanto sofrimento, atingindo até mesmo os animais? Se somos seres gerados pelo incomensurável amor divino, não deveríamos ser atormentados, nem sujeitos a qualquer doença ou moléstia cruciante, o que pode gerar em muitas pessoas hesitação a respeito da certeza imanente da presença de um Ente Superior, Amor por excelência e Artífice da Vida.

Quando observamos a abóboda celestial, em um local bem alto e escuro, deparamo-nos com uma imagem majestosa e uma miríade de astros ressaltando a presença de um Arquiteto que transcende qualquer ponto de vista contrário, desde que se torna impossível imaginar todo o cosmos surgindo do nada. Realmente o acaso não pode presidir a qualquer obra. Então, deve haver alguma explicação para que haja tanta aflição, tendo-se o acertamento de que a Divindade está realmente presente como Autor da Criação.

O mal é decorrente de falta praticada na arena espiritual e punida na dimensão física?

Algumas correntes espiritualistas, jactanciosas, revelando mesmo uma apresentação presunçosa e arrogante, expõem conceitos hipotéticos, errôneos, fantasiosos, sem seriedade, desejando contaminar o manancial doutrinário espírita, e são totalmente repelidos pelos seus adeptos sinceros e atuantes. Alegam que, o sofrimento, encontrado em nosso mundo, é resultante de uma chamada “queda ou involução do espírito”, isto é, seres extrafísicos, criados e vivendo na dimensão espiritual, já se encontrando em estado glorioso de perfeição, rebelaram-se contra o seu criador, mesmo possuidores de alto desenvolvimento moral, e são jogados na Terra, sofrendo o processo punitivo da encarnação, em local escolhido para servir-lhes de prisão domiciliar.

Ensina a codificação kardeciana ser o “nascer de novo” um procedimento assaz natural e necessário para todas as criaturas recém-criadas (rebentos espirituais) – nunca utilizado como meio de penalidade divina. Portanto, segundo essas crendices fantasiosas, eminentemente elaborações mentais de seres espirituais ainda presos às funções clericais, tudo o que decorre para esses infelizes deserdados, denominados de “anjos decaídos”, como as doenças e enfermidades de qualquer natureza, são resultantes de castigo de Deus, penitenciando esses nossos irmãos de forma tão severa, sem qualquer demonstração ou manifestação afetuosa de um Deus definido, no Evangelho de Jesus, como “Amor” (2).

Em verdade, o que se conhece bem diferente, na Doutrina dos Espíritos, pela figura simbólica de “anjos decaídos”, é exatamente uma alegoria que, de forma didática, aponta para a migração de seres muito imperfeitos para planetas compatíveis com suas condições espirituais inferiores em momentos de transição planetária. Ao mesmo tempo, criaturas já adiantadas, em nível moral mais elevado, aqui permanecerão e outras semelhantes aportarão na Terra para o chamado estágio de Regeneração.

Importante consideração a ser divulgada está na questão 540 de O Livro dos Espíritos, com um erro de tradução gravíssimo, dando erroneamente guarida à hipótese dessa horripilante “queda dos anjos”, afirmando que o arcanjo encarnou sendo átomo, habitando um planeta destinado na criação dos mundos a ser um presídio, cuja matéria corporal seria o próprio ser degradado (“começou por ser átomo”). O texto certo: “Tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo (matéria). O original francês é bem claro: “a commencé par l'atome”.

Em verdade, a Terra representa um abençoado recanto, criado e organizado por Jesus, cuja finalidade maior é a de ser uma escola onde aprendemos as primeiras letras do alfabeto cósmico, depois de passarmos pelos mundos primitivos que se constituíram em berçários divinos, amparando o princípio inteligente individualizado, na vestimenta corpórea, dando os seus primeiros passos em direção ao Infinito.

“Tudo se liga, tudo se encadeia no universo; tudo está submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade até a mais pura espiritualidade” (3) e a tradução certa dá-nos conta de que o arcanjo começou pelo átomo (“par l’atome”), porquanto foi no átomo primitivo (matéria) que o princípio inteligente iniciou a sua caminhada evolutiva, frisando bem que o arcanjo, sendo um espírito puro, sequer  poderia ser o próprio átomo e tampouco se transformar em átomo, exatamente na matéria que foi criada para ser o arraial considerável para o despertamento e exteriorização das potencialidades herdadas do Pai, no momento da criação do ser espiritual.

O Mestre aludiu a essa força interior divina, dizendo ser o “Reino de Deus dentro de nós”, exatamente “o germe ou princípio do bem”, explanado com grande felicidade na codificação kardeciana. O espírito, centelha divina aprimorada e individualizada, necessita da arena física (matéria), com sua resistência própria, para ressaltar e refletir de dentro de si a magnitude do templo do Espírito Santo, proveniente de Deus (4).

Bem clara a afirmativa espiritual superior:

“Já te dissemos: os espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer, e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É necessário que o espírito adquira experiência, e para isso é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis por que existe a união do espírito e do corpo” (5).

O texto é bem elucidativo e foi grifado propositalmente, porquanto põe em xeque as declarações a respeito do mal ser conhecido e praticado primeiramente por seres espirituais, contrariando às assertivas espíritas que relatam ser o mal experimentado a partir da primeira encarnação em mundos primitivos.

Outra discordância considerável é a de que esses seres permaneciam na dimensão espiritual sem terem reencarnado ainda, o que prontamente é inadmissível, sendo mais grave além de tudo a afirmação de as criaturas falidas serem espíritos puros, exatamente os que já criam mundos no universo.

 Para a Doutrina Espírita, o mal somente é percebido, primeiramente, na arena física, em mundos primitivos, e é somente praticado pelos seres pela sua própria vontade (6). De forma alguma, há o imperativo de os espíritos passarem pela experiência do mal para chegarem ao bem. Muito pelo contrário, não há fatalidade na prática do mal, porquanto todos os espíritos passam pela fieira da ignorância (7) e a prova pela qual passam dá-lhes todo o mérito da resistência (8).

Em verdade, o mal não é enquadrado nas qualidades naturais da vida, sendo apenas a ausência do bem, assim como a escuridão é falta da luz. Se estivermos em pleno negrume, basta apenas um simples palito de fósforo aceso para afastar as trevas. Assim, da mesma forma, acontece quando doutrinas malsãs tentam acessar os mecanismos excelsos da abençoada Doutrina Consolador de Jesus, sendo prontamente repelidas e inseridas no local certo, que é o da obscuridade e do ostracismo.

A magnânima codificação kardeciana enfatiza e esclarece que “o homem não é um anjo decaído, a lamentar a perda de um paraíso imaginário, nem carrega pecado original algum que o estigmatize desde o berço” (9). Igualmente, afirma que “a encarnação não é, em absoluto, uma punição para o espírito, como qualquer um possa pensar, mas uma condição inerente à inferioridade do espírito e um meio de progredir” (10).

O insigne escritor e pesquisador Gabriel Delanne, de saudosa memória, em sintonia com a Doutrina que sempre amou e respeitou, reafirma que “longe de sermos criaturas angélicas, decaídas; longe de havermos habitado um paraíso imaginário, foi com imensa dificuldade que conquistamos o exercício de nossas faculdades, para vencer a natureza” (11).

Segundo o Espiritismo, em conformidade com a amorosa atuação da Paternidade Divina, os seres espirituais primitivos “não são criaturas degradadas, mas crianças que crescem” (12) e, com as incontáveis experiências na carne, os seres vão evoluindo e paulatinamente vão adquirindo, assim como os Bons Espíritos, a “predominância sobre a matéria” (13) e, no estado santificante de pureza, “percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” (14). Conforme asseverou Dom Bosco, proclamado santo em 1934: “O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele”.

A doença como acicate à evolução espiritual e física

A doença com todo o seu cortejo de dor e aflições é inerente aos habitantes de mundos inferiores como a Terra. Os animais, por exemplo, não possuem via moral, o sofrimento que sentem é estritamente físico. Quando estão sob o guante da dor, a sua consciência se expande, na mesma maneira quando se defrontam com sentimentos de amor, como os relacionados com os seus proprietários. Lembremo-nos que os nossos irmãos animais inferiores caminham paulatinamente para a faixa de humanidade e suas experiências, com o desenrolar das encarnações, vão ampliando-se, gradativamente, maturando e alcançando maior abrangência evolutiva.

Quanto aos seres humanos, a doença serve como acicate à evolução espiritual, apresentando um papel importante e essencial como lei de equilíbrio e educação. Todas as ações impetradas em equívocos refletem, em nossa intimidade espiritual, vincando o períspirito e são refletidas no corpo físico. Muitas doenças são recebidas como provas indispensáveis ao ser em determinada fase de sua evolução, assim como o desague das impurezas acumuladas na vestimenta astral são lançadas no corpo somático como força geradora das doenças de cunho expiatório.

A doença, com seu aparato doloroso, pode modificar o estado espiritual em minutos, o que talvez dependesse de muitas vivências reencarnatórias. Lembro-me, quando criança, de ter deparado com um assunto familiar de grande expressividade, pois o tio da minha mãe, comunista confesso e, praticante, acamado em decorrência de um câncer pulmonar, manifestou, para surpresa de todos os familiares presentes, o desejo de ser ouvido por um padre, o que deixou a todos perplexos, pelo motivo de ter sido até então um descrente confesso.

A dor, em decorrência de uma doença grave, foi o gatilho que lhe desencadeou a oportunidade redentora do contato com o transcendental em um momento tão importante para o seu espírito imortal. Todos os que estavam acompanhando seu calvário surpreenderam-se com sua mudança. Desencarnou em paz. O enterro transcorreu em clima de serenidade e de muita esperança.

O poeta mais conhecido da Antiga Roma, o célebre Horácio, deixou-nos a seguinte máxima: “A adversidade desperta em nós capacidade que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas”. Realmente, a doença pode ter um importante papel de ser a força poderosa de modificar nossos pensamentos e propiciar indispensáveis modificações, com vistas ao nosso caminho evolutivo.

A doença, portanto, representa meio de elevação, como diz a saudosa missionária evangélica americana, Lettie Cowman: “A provação vem, não só para testar o nosso valor, mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado, mas enrijecido pelas tempestades”.

Encerrando, trazemos o valoroso Léon Denis: “Suprimi a dor e suprimireis, ao mesmo tempo, o que é mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. Nada iguala o poder moral que daí provém” (15).

Não poderíamos deixar de acrescentar que todas as condições que levaram à dor, através das doenças, foram os grandes estimuladores do progresso vivenciado pela humanidade, devido aos esforços para fazer alguma coisa que exterminasse a dor e o sofrimento.

Que o Mestre de todos nós, o Amado Jesus, irradie sobre todos os leitores do conceituado Jornal Espírita suas bênçãos de paz, saúde e refazimento espiritual.

 

 

 

Bibliografia

1- A Gênese, XIV: 12; 2- Primeira Epístola de João, IV:8; 3- A Gênese, XIV: 12; 4- Primeira Epístola aos Coríntios, VI:19;  5- O Livro dos Espíritos, Q. 634; 6- Ibidem, Q. 470. 7- Ibidem, Q. 120; 8- Ibidem, Q. 871; 9- A Gênese, XI-67; 10- Ibidem, XI-25; 11-A Evolução Anímica, III; 12- OESE, III-8; 13- O Livro dos Espíritos, Q. 107; 14- Ibidem, Q. 113; 15- O Problema do Ser, do Destino e da Dor

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

AFINAL, QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNOU RELIGIÃO? UMA CONVERSA FRANCA SOBRE CULTURA, PODER E TRANSFORMAÇÃO NO ESPIRITISMO BRASILEIRO

  Por Wilson Garcia A Dissertação Espiritismo transnacional: poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa brasileira em décadas de perseguições, defendida na PUC-SP por Adair Ribeiro Júnior em 2026, tenta responder a uma pergunta que há décadas tira o sono de quem estuda ou vive o espiritismo: como e por que o espiritismo se tornou uma religião no Brasil?               A resposta que o autor apresenta é fundamentada, bem documentada, mas não é definitiva. E é justamente aí que mora seu valor. Ela nos obriga a pensar. Quem conhece Allan Kardec sabe: o projeto original não era religioso. Era um tripé — ciência, filosofia e moral — apoiado na investigação metódica dos fenômenos espirituais. Observação, comparação, controle das comunicações: um verdadeiro laboratório do invisível.             Mas aí essa ideia atravessou o Atlântico, desembarcou ...

A INVERSÃO DO QUERIGMA: BOLSONARISMO E NEOPENTECOSTALISMO COMO ANTÍTESES SOCIOPOLÍTICAS DO JESUS HISTÓRICO

    Por Jorge Luiz              O Escândalo do Banco Master como sintoma da inversão.             Em outro momento defini a relação entre o status político chamando eufemisticamente de extrema-direita, simbolizada aqui como bolsonarismo e o neopentecostalismo, como uma “simbiose promíscua”. O escândalo do Banco Master, oferece uma nova definição, resultante dessa simbiose, que agora defino-a como “escândalo ontológico” , por não se constituir em um mero desvio ético de indivíduos isolados. Para alguns, como Glair Arruda, essa simbiose pode ser interpretada como cristofascismo, fenômeno que não é novo, mas ganhou proeminência nos anos de recrudescimento de uma ideologia de extrema direita especialmente nos Estados Unidos e Brasil (Passos, 2025). A definição de Arruda, ela mesma reforça a conceituação, ao admitir que o líder que se autoproclama como o salvador da pát...

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

DEÍSMO OU ATEÍSMO?

                      Entre as muitas escolas do pensamento algumas há que buscam discutir questões, cujas comprovações estão muito longe de ser determinadas pela Matemática ou qualquer ciência exata. Apesar dos esforços para tornar o debate enriquecido pelas equações da Física Moderna, tais temas haverão de trazer a polêmica para o campo de uma filosofia opinativa ou de viés religioso. Assim é quando se trata da discussão quanto a existência de Deus.

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA PORQUE SERÃO SACIADOS...” (Mt 4, 23-25)

  Doris Gandres Essa uma das bem aventuranças proferidas pelo Mestre Jesus em seu Sermão da Montanha, há quase 2 mil anos e da qual bem pouco se fala... Não foi mencionada nem comentada no Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec e os Espíritos que com ele trabalharam, quando tantas outras lhes mereceram a atenção... E de algum tempo me pergunto por que... Julgaram talvez, Kardec e a equipe espiritual, que ainda não tínhamos capacidade de entender o significado dessa afirmativa de Jesus? Que talvez, famintos e sedentos por justiça como estávamos – e ainda continuamos a estar – para nos saciarmos recorreríamos a métodos separatistas e violentos? Afinal, mesmo assim, mesmo relegando essa bem aventurança a segundo plano, praticamente ao ostracismo, povos e nações de todos os tempos, mesmo após o vinda do Cristo e mesmo ainda após o surgimento da doutrina espírita, recorreram ao domínio pela força de todo tipo com a justificativa de estabelecer e implantar justiça.

A ANÁLISE DOS FRUTOS (*)

Por Francisco Cajazeiras(**) “O homem bom tira boas coisas de seu bom tesouro e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.” (Jesus – Mt, 12:35) Há pessoas que se apegam ruidosamente a uma ideia, acreditando   – por vezes de boa fé – no que franquearam se arquitetasse e aninhasse em nível íntimo, que se obstinam em levar às últimas consequências os objetivos adrede delineados. Se a perseverança é uma virtude indispensável ao progresso do Espírito em curso evolutivo, não menos o são a prudência e o bom senso, sendo-lhe a teimosia óbice dos mais difíceis de transpor. Indispensável, por conseguinte, analisar, sem paixões, os frutos do esforço desprendido, certo de que não pode doá-los maus a boa árvore, como a árvore má não os produz bons. Se, pois, há desequilíbrio, mágoas, rancores e outros sentimentos menos dignos, ainda que dissimulados, por solvente do que se quer apresentar; e se há utilização de expedientes condenáveis, em desesperada ânsia ...

"NOSSO LAR" É SUSTENTÁVEL?

Por André Trigueiro (*) O filme mais caro da história do cinema nacional consumiu boa parte dos 20 milhões de reais de seu orçamento em efeitos especiais que se prestam à impressionante visualização da cidade espiritual descrita pelo Espírito André Luiz através da psicografia de Francisco Cândido Xavier. “Nosso Lar” impressiona pelo bom gosto na justa distribuição dos espaços de área construída intercaladas por gramados e lagos. As áreas verdes e a presença da água marcam o projeto urbanístico da cidade, onde os pedestres circulam livremente sem disputar espaços com qualquer gênero de transporte individual. O transporte público de massa é o aérobus , muito parecido com o nosso metrô de superfície, só que sem trilhos. O magnetismo que impulsiona o veiculo é o mesmo que por aqui já empurra trens-bala de alta velocidade.

TERRA: MUNDO DE PROVAS E EXPIAÇÕES

Questão 1018 (O Livro dos Espíritos) – Jamais o reino do bem poderá ter lugar sobre a Terra? Resposta: O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Os sofrimentos existentes no planeta Terra são devidos às imperfeições morais dos seres, encarnados e desencarnados, que nela habitam. Embora com a intelectualidade até certo ponto desenvolvida e apurada, as criaturas humanas que aqui se encontram, na sua maioria, estão com a moral atrofiada pelas paixões inferiores alimentadas pelo orgulho, pelo egoísmo e pela vaidade, sentimentos estes precursores de todas as desgraças humanas. A iniquidade reinante no globo terrestre não pode ser ignorada pois, em todos os recantos do mundo, ela é visível e concreta. Não duvidamos que a Lei do Progresso é uma lei natural, emanada de Deus e, por isso mesmo, imutável atingindo a tudo e a todos. É certo também que o progresso intelectual precede ao progresso moral, possibilit...